Em meio a tantas mentiras, eu me perdi. NĂŁo sei de onde vem a coragem que vocĂȘ tem de mentir olhando nos meus olhos. Foram tantas histĂłrias, tantas versĂ”es, que jĂĄ nĂŁo sei mais quem vocĂȘ Ă©. A Ășnica certeza que me resta Ă© que nĂŁo Ă© mais a pessoa por quem eu me apaixonei. Antes havia gentileza, cuidado, um olhar que parecia abrigo. Hoje restam dĂșvidas. Em que momento nossa histĂłria se perdeu no caminho? Confesso que isso me enlouquece. Sempre sonhei com um amor recĂproco. Acreditei, por um tempo, que finalmente o tinha encontrado. Mas a vida tem sido um mar agitado, e quanto mais o tempo passa, mais cresce em mim a sensação de que talvez o amor nunca tenha sido feito para mim. Ele sempre me atravessa fundo demais. Sempre me fere. E, no final, sou eu quem recolhe os pedaços do prĂłprio coração enquanto os outros seguem como se nada tivesse acontecido. As pessoas dizem amar, mas muitas vezes apenas se acomodam no amor que ofereço. Usam, gastam, e partem. E eu fico aqui, tentando entender onde foi que errei. Ăs vezes, tudo o que eu queria era voltar para âcasaâ. NĂŁo um lugar de paredes, mas aquele sentimento de segurança que eu conheci um dia. Lembro do meu bisavĂŽ, sentado Ă beira da cama, brincando comigo. Ele era o marinheiro, e eu sua companheira fiel com nossos barquinhos de papel. NavegĂĄvamos mares imaginĂĄrios, tranquilos e seguros. E, naquele pequeno mundo, nada podia nos atingir. Que saudade de sentir essa paz. Hoje eu caminho sempre alerta, observando cada detalhe, tentando prever as tempestades antes que cheguem. Mas, ainda assim, parece que sempre me acertam pelas costas. De novo. E de novo. Confesso que estou cansada. HĂĄ dias em que a vontade Ă© simplesmente desistir - deixar meu barco Ă deriva, permitir que ele naufrague devagar. E entĂŁo mergulhar no silĂȘncio do fundo do mar, onde talvez, finalmente, o coração possa descansar. đ


















