Copyright - Para sempre menos um dia
© é o símbolo de Copyright em um aviso sobre direitos autorais
Copyright: Forever Less One Day
http://blog.cgpgrey.com/copyright-forever-less-one-day/
http://www.youtube.com/watch?v=tk862BbjWx4
Tradução livre das legendas feita por @sergiorauber
Copyright: Para sempre menos um dia
A origem da lei de direitos autorais nos leva de volta à 1710 e à Rainha Anne, à monarquia que tinha acabado de realizar a unificação da Inglaterra e Escócia criando, assim, a então novíssima Grã-Bretanha.
Entre os tantos feitos desta monarquia estava o Estatuto de Anne: a primeira lei de direitos autorais. A lei dava aos autores o controle sobre quem poderia fazer cópias de seus livros ou recriar seu trabalho por um tempo limitado.
Mais tarde, um grupo de colonos rebeldes, pensou a Estatuto de Anne era uma boa ideia, resolveram então, digamos, copiar e colar o Estatuto em sua própria Constituição, dando poder ao Congresso:
"Para promover o progresso da ciência e das artes úteis, garantindo, por tempo limitado, aos autores... o direito exclusivo sobre seus escritos".
The Copyright Act of 1790 in the Columbian Centinel
Basicamente, o direito autoral é um contrato entre os autores e sociedade: se você prometer fazer mais coisas, nós prometemos não copiá-lo ou recriá-lo por 28 anos.
Aqui está um exemplo tomado dos dias de hoje: apenas imagine que você está tentando ser um diretor e procura um projeto para começar.
Conjunto completo dos sete livros da série Harry Potter
Harry Potter é uma história que você adoraria recriar. Mas desde que JK Rowling publicou "A Pedra Filosofal" nos Estados Unidos, em 1998, ela ainda tem a proteção dos direitos autorais, então, você não poderá recriá-lo.
Em vez disso, precisa encontrar algo de muito tempo atrás, como, por exemplo:
O logo Star Wars como é visto nos filmes.
Star Wars: Uma Nova Esperança!
George Lucas lançou Star Wars: Uma Nova Esperança, em 1977! Isso é mais do que 28 anos atrás! Ótimo, excelente! Comece a filmar!
Opa! Infelizmente, não.
Embora Star Wars tenha perdido proteção de direitos autorais em 2005, na verdade os direitos autorais sobre a obra se estendem até 2072!
O que dá 95 anos após a publicação, e não 28!
Então, você não pode usá-lo, a menos que George Lucas permita.
Por que os direitos autorais duram eras?
Bom, porque desde que existe copyright existem autores argumentando que a proteção dos direitos autorais é muito curta.
E, talvez estejam certos. Como é que um cara pobre como George Lucas poderia ter lucro por apenas 28 anos, entre 1977 e 2005?
Havia apenas a primeira exibição em cinemas de "Uma nova esperaça",
E o relançamento em salas de exibição em 1978.
e 1979,
e 1981,
e 1982,
depois vieram os videocassetes VHS e Betamax lançados em 1982,
a exibição em circuito de televisão em 1984,
o lançamento do laser disc em 1985,
o do laser disc de tela ampla em 1989,
DVDs da trilogia - original e prequela
o relançamento no formato VHS em 1990,
a versão de tela ampla no mesmo formato VHS em 1992.
o relançamento do laser disc em 1993,
a terceira edição do formato VHS em 1995,
e a reexibição especial em salas de cinema em 1997.
Han Solo atirou a primeira pedra, otário.
e a edição especial de 1997 em formato VHS,
além do lançamento do DVD, em 2004.
E agora você, caro candidato a cineasta, vem e quer fazer sua própria versão de Star Wars: Uma Nova Esperança? Se enxerga!
Está querendo tirar o pão da boca de George Lucas?
Por 4 vezes o Congresso norte-americano concordou com os autores no argumento de que a duração do copyright é muito curta para ser lucrativa, e assim, ampliou:
Primeiro, em 1831, estenderam de 28 para 42 anos, em seguida, novamente, em 1909, para 56 anos, e, em 1976, para toda a vida do autor mais 50 anos, e, em 1998, para a vida do autor, mais 70 anos.
Países signatários da convenção de Berna (em azul).
Isso é muito bom para autores que já fizeram coisas. Mas isso realmente ajuda a sociedade obter mais filmes e livros?
Primeira página do Copyright Act 1911 bitânico,
também conhecido como Imperial Copyright Act de 1911.
É difícil imaginar, por exemplo, que Edgar Rice Burroughs tenha começado a escrever "A Princesa de Marte" e "Tarzan" em 1911 porque as leis de copyright tinham acabado de ser estendidas, e que não os teria escrito se não fosse de outra forma.
Ou que JK Rowling, enquanto vivia de rendas na Escócia, estivesse ocupada demais fazendo contas e não teria escrito Harry Potter se a proteção de direitos autorais fosse só para toda a sua vida e não houvesse um adicional de sete décadas depois.
Quem precisa de incentivos depois que estiver morto? A morte é o ponto em que, literalmente, nenhum incentivo em todo o universo pode motivá-lo a escrever mais uma obra. Justamente porque morto está.
Se você é o tipo de pessoa que só sente motivada por planos do que fazer após o seu desaparecimento, ou você é uma pessoa incrível ou um demente.
Mas e daí? E daí que uma obra de arte que qualquer criança pode fazer esteja protegida por direitos autorais há 175 anos
Que importância têm?
Ah, porque os beneficiários dos direitos autorais após a morte, não são os autores, mas empresas ou corporações. Como a ... Disney.
Da esquerda para a direita:
Snow White, Pocahontas, Belle, Cinderella, Rapunzel, Tiana, Aurora, Jasmine, Ariel e Mulan.
Lembra-se dos bons filmes antigos da Disney? Sim, todos eles saíram de obras que não estavam mais sob proteção de direitos autorais na época em que foram feitos.
Todo o império da Disney e toda a magia de infância que ele produz, só existe porque não havia para Walt Disney - vocẽ sabe quem é - trabalho de autor protegido por direitos autorais, ficando ele livre para refazer e recriar.
Estados Unidos - 1937 • cor • 83 min
Mas esta corporação, a Disney sem o Walt Disney, impulsionou muito a extensão da vida do copyright para 70 anos depois da morte do autor em 1998. Pra ter a certeza de que ninguém mais poderia fazer versões mais populares de seus filmes, da mesma maneira que eles fizeram uma versão mais popular de Alice no País das Maravilhas de Lewis Carrol.
Ilustração de Alice cercada pelos personagens do País das Maravilhas, Peter Newell. (1890)
Este controle quase infinito subverte todo o propósito dos direitos de autor, que é promover a criação de mais livros e filmes. Só para dar às corporações o poder de impedir que as pessoas possam fazer novos trabalhos criativos, com base nos mesmos esforços que seus fundadores, há muito mortos, fizeram.
Novos diretores e autores têm a necessidade da liberdade de tomar o que veio antes, de refazer e recriar (Romeo & Juliet, Emma). E, ao fazê-lo, devem ser capazes de usar o material criativo de sua própria vida, e não apenas limitar-se à cópia do trabalho de gerações anteriores.
Na virada do século, George Lucas forjou uma nova palavra: anticipointment (prologogia).
Foi tremenda a decepção da nova trilogia: preguiçoso, sem graça, sem alma.
George Lucas mergulhou completamente dentro de seus direitos autorais para fazer esses novos filmes para a estéril comercialização de brinquedos em que se meteu. Era dono de Darth Vader e poderia contar a história de origem como ele desejava - e essa é a única versão que você verá.
Mas, imagine por um momento, se o autor ainda trabalhasse como fez ao tempo da primeira inspiração.
Em 2011, toda a trilogia Star Wars original - toda a sua obra, seus personagens, sua música - teria perdido a proteção dos direitos autorais e está livre para que novos diretores e aspirantes a escritores pudessem desenvolver e criar suas próprias versões.
Haveria um tesouro de novas histórias de Star Wars para os fãs pudessem desfrutar.
Mas, enquanto as leis de direitos autorais permanecem como estão, nenhuma pessoa viva vai conseguir contar uma história de Darth Vader, ou de um Harry Potter, ou de um Hobbit, ou outra história qualquer, quando o autor ou, após sua morte, quando a corporação que comprou tais direitos, se oponha.
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Copyright: Forever Less One Day
The origin of copyright law takes us back to the 1710 and Queen Anne, the Monarch who had just overseen the Unification of England and Scotland into then, brand-new Great Britain.
Also on her busy schedule was the Statute of Anne: the very first copyright law. It gave authors control over who could make copies of their books or build on their work a limited time.
Later a group of rebellious colonists, thought the Statue of Anne was a good idea, and so copy/pasted it into their own constitution giving congress the power:
“To promote the Progress of Science and useful Arts, by securing for limited Times to Authors… the exclusive right to their respective Writings”.
Basically, copyright is a contract between authors and society: if you promise to make more stuff, we promise not to copy it or build on it for 28 years.
Here’s an example from the modern day: let’s say you’re trying to be a director and you’re looking for a project to get started.
Harry Potter is a story you’d love to remake. But since J. K. Rowling published ‘The Sorcerer’s Stone’ in the United States in 1998 it still has copyright protection, so you can’t use it.
Instead you need find something from a long time ago, like, for example:
Star Wars: A New Hope!
George Lucas released Star Wars: A New Hope in 1977! That’s more than 28 years ago, So great! Get filming!
Alas, no.
While Star Wars should have lost copyright protection in 2005 it’s actually copyrighted until 2072!
That’s 95 years after publication, not 28!
So you can’t use it unless Lucas lets you.
Why does his copyright last for ages?
Well, as long as there has been copyright there have been authors arguing that it’s too short.
And perhaps, they’re right. How’s a poor guy like George Lucas supposed turn a profit in the mere 28 years between 1977 and 2005?
There was only the first theatrical release of ‘A New Hope’,
And the theatrical re-released in 1978
and 1979
and 1981
and 1982
and then there was the 1982 VHS and Betamax releases
the 1984 broadcast television release
the 1985 Laser disc release
the 1989 widescreen Laser disc release
the 1990 VHS re-release
the 1992 widescreen VHS release
the 1993 Laserdisc re-release
the 1995 VHS re-re-release
and the 1997 special edition theatrical release
Han shot first, you bastard.
and the 1997 VHS special edition release
and the 2004 DVD release
And now you, dear filmmaker, come along and want
make your own version of Star Wars: a New Hope? For shame!
That like stealing food right out of George’s Lucas’ mouth.
Four times Congress has agreed with authors that the length of copyright is too short to turn a profit and so extended it:
First in 1831 from 28 years to 42 years, then again in 1909 to 56 years, in 1976 to the lifetime of the author plus 50 years, and in 1998 to the lifetime of the author plus 70 years.
That’s a great deal for authors who have already made stuff, but does it really help society get more movies and books?
It’s hard to imagine, for example, that Edgar Rice Burroughs started writing ‘A Princess of Mars’ and ‘Tarzan’ in 1911 because the copyright laws had just been extended and would not have done so otherwise.
Or that J. K. Rowling, while living on benefits in Scotland, was busy doing the math and wouldn’t have written Harry Potter if the copyright protection was just for her whole life and not an additional seven decades thereafter.
Because, exactly who needs incentives after they’re dead? Dead is the point at which literally no incentives in the whole universe can motivate you to write one more screenplay. Because you’re dead.
If you’re the kind of person who is only motivated by plans that unravel after your demise, you’re either amazingly awesome or deranged.
But so what? So what if every kindergartner’s macaroni artwork is protected by copyright for 175 years?
Why does it matter?
Because the main beneficiaries of copyright after death are not the authors, or society but companies. Companies like… Disney.
Remember all the good old Disney movies?
Yeah, all of them came from works no longer under copyright protection at the time.
The whole of the Disney Empire and all the childhood magic that it produces only exist because there was copyright free work for Walt Disney – you know the guy who actually started the whole company – to rework and update.
But the corporate, Waltless Disney was the big pusher of the 1998 life +70 years copyright extension. It made sure that no one could make more popular versions of their movies in the same way they made a more popular version of Alice in Wonderland.
This near-infinite control subverts the whole purpose of copyright which is to promote the creation of more books and movies, not to give companies the power to stop people making new creative works based on the efforts on their long-dead founders.
New directors and authors need the freedom to take what came before to remake and remix (romeo & juliet, emma). And they should be able to use creative material from their own lifetime to do so, not just be limited to the work of previous generations.
At the turn of the century, George Lucas wrought upon civilization a new word: anticipointment.
The tremendous let-down that was the lazy, bland, and soulless new trilogy.
George Lucas’s was completely within his rights to make those movies into the sterile, toy-marketing vehicles they were. He owned Darth Vader and could tell the origin story as he wished – and that’s the only version you’ll ever get to see.
But, imagine for a moment, if copyright still worked as first intended.
In 2011 the whole of the original Star Wars trilogy – all of its artwork, its characters, its music – would have left copyright protection and been available to aspiring directors and writers to build upon and make their own versions of.
There would be a treasure trove of new Star Wars stories for fans to enjoy.
But as long as the current copyright laws remain as they are, no living person will ever get to tell a Darth Vader story, or a Harry Potter Story, or a Hobbit Story or any other story that matters to them, that the author or, when after their death, their company, disagrees with.
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This video is released under a creative commons BY-NC license.
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