A morte espreita a vida todos os dias
Ela estĂĄ ali aguardando um vacilo entre o limite e a fĂșria.
Ela aguarda um deslize de atenção e pega motorista e pedestre de surpresa.
Ela espera ansiosamente aquele ser muito machucado cruzar com um apåtico para que a indiferença seja o convite necessårio para ela vir!
A morte anda tranquilamente nos hospitais aguardando alguém esquecer de calcular uma medicação corretamente, ou não higienizar leito ou as mãos ao lidar com um ser com a imunidade muito baixa.
A morte aguarda o desespero daqueles que estĂŁo desenganados da vida e que esperam qualquer motivo para matar ou morrer!
A morte Ă© paciente em esperar o inesperado ou impensĂĄvel para furtar sorrisos, acabar com festas, frustrar sonhos!
A morte aguarda a desinformação virar doença!
A morte espera a indiferença virar estatĂstica!
A morte espera o viciado gradativamente ir se perdendo até que perca a vida!
A morte espera o soberbo cruzar com alguém que não teve oportunidade alguma!
A morte espera ansiosamente por pessoas que tiveram criaçÔes, culturas e pensamentos diferentes se cruzarem, para que o contraste vire intolerùncia e morte.
A morte ela Ă© paciente e obsessiva.
Como um stalker, observa articuladamente os detalhes e fragilidades de cada ser, para ali se infiltrar como um espião, e se aproximando silenciosamente até que só reste as histórias de alguém que jå foi muito e deixou de ser!
A morte tem fascĂnio pelas faltas, pelas lacunas, pelos jogos, pela obsessĂŁo, pelo fanatismo, pelo resto, sobras e sangue.
A morte se retroalimenta de sangue como uma sanguessuga! Um parasita pronto pra tirar de vocĂȘ o que a ela for conviniente!
A morte detesta sol, luz, cores, aromas, qualquer coisa que lembre a vida!
A morte adora trends: assim ela pode brincar com a presença e a falta, seja literal ou figurada.
A morte tem prazer em roubar as possibilidades da vida, dos encontros, aprendizados e sonhos!
A morte Ă© hoje como aquele vĂrus presente que ninguĂ©m quer ver, mas sabe que existe!
Ninguém sai de casa presumindo em ter uma fatalidade, uma doença ou acidente letal!
A morte ama escancarar na cara dos que gostam dela e a chamam, de ignorĂĄ-lĂłs, mas com certa frequĂȘncia lhes tiram algo pra que aprendam. Ela tem seu prĂłprio anseio!
A morte Ă© obcecada pela vida! EntĂŁo, tenta atrair para si os cheios de luz atĂ© que consiga lhe furtar o brilho, a saĂșde, o sorriso, os movimentos, os encantos e encontros.
A morte ama destruir tudo que gera vida e saĂșde no planeta, ama vencer batalhas, destruir paraĂsos!
A morte engana todos os dias quem pensa que a morte anda mais prĂłxima de idosos!
Ela vigia pessoas de todas as idades, esperando uma fragilidade, um espaço, uma lacuna, uma palavra mal dita ou nĂŁo dita, para entĂŁoâŠadicionar a sua coleção pessoal de figurinhas as vidas e histĂłrias de quem um dia foi e deixou de ser!