Zine é Compromisso: Thiago Mello, do Broken Strings
Uma porção de bandas interessantes surgiram no underground nacional entre os anos de 1990-93. Rolava aquela pira de misturar hardcore com alguma coisa - skacore, forrócore, rapcore -, uma pá de bandas "guítar", crossover e, mesmo a molecada que não curtia muito grunge, tinha um jeitão de ser meio grunge. Nessa vibe Plano Collor tresloucada, teve um festival em Campinas, interior de São Paulo, que serviu de marco ilustrativo daquela geração, o Juntatribo. O que nem todo mundo sabe - ou se recorda - é que o evento era nada mais nada menos do que um apanhado de bandas que passavam pelas páginas do fanzine Broken Strings, editado pelo Thiago Mello, o Ivan Christo França e o Sergio Vanalli. O impacto do Broken Strings foi tão representativo para o público e os artistas que, quando saiu a segunda edição, os caras já nem davam mais conta de despachar as cópias e responder as cartas que chegavam do correio. Segundo o Thiago, meu interlocutor para mais este capítulo da série Zine é Compromisso, eram mais de 20 cartas todos os dias. O carteiro até virou brother, tanto que a avó dele inclusive desenvolveu o hábito de servir cafezinho pro sujeito.
Algumas pautas que ajudaram na repercussão positiva do Broken Strings tratavam de temas que ofereciam um olhar alternativo sobre coisas até comuns de se ler na grande imprensa, no entanto carregadas daquela linguagem cheia de ressalvas. Uma delas foi a resenha do Reading Festival, que uma amiga deles, a Márcia Bortolosso, fez para a segunda edição direto da Inglaterra. Pô, todo mundo tinha curiosidade de saber como era o clima daqueles festivais na Europa, a que poucos tinham acesso. Outra foi uma extensa biografia do Velvet Underground, que preencheu cinco páginas (o zine tinha formato A4 em paisagem, vai vendo…) do número #3, em letra miúda. Na discografia, eles se esmeraram tanto que listaram até alguns LPs piratas. "O pessoal elogiava muito os textos e isso deu uma boa credibilidade ao zine", comenta Thiago.
Uma das matérias mais emblemáticas saiu também na terceira edição. Foi a cobertura do lendário Hollywood Rock 1992. Aquele que teve Nirvana, L7 e Red Hot Chilli Peppers. A Alexandra Briganti, então baixista do Pin Ups, conseguiu acompanhar toda a passagem por São Paulo do casal Kurt Cobain e Courtney Love. Daí que ela e o João Gordo deram um depoimento colhido em áudio pelo Thiago numa entrevista na loja Zoyd, da Galeria, onde o Zé Antônio Algodoal, guitarrista do Pin Ups, trabalhava. Eles contaram em detalhes tudo que o Nirvana e seus amigos aprontaram por aqui, sem censura, e o relato culminou em um artigo publicado na íntegra.
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