Jogue limpo antes de se relacionar com as outras pessoas
about:sentimento Nunca a efemeridade fez tanto sentido como atualmente. Se você realmente está curtindo a vibe de alguém, se você está se permitindo gostar de outra pessoa, se você quer conhecer novas pessoas e/ou aventurar-se mundo afora sem rumo e sem direção, okay, tudo bem. A única coisa que se pede é para jogar limpo. Isso mesmo! Jogue limpo! Jogue limpo com você, primeiramente, e depois jogue limpo com as outras pessoas (ou com a outra pessoa que você está conhecendo). Você não precisa pagar paixão nas três primeiras frases no Tinder, nem tão pouco parecer um “peixe fora d’água” no Grindr. Você pode ser você mesmo. A autenticidade abre muito mais portas e caminhos. Você pode sim se permitir conhecer outra pessoa, desde que seu relacionamento anterior (sério ou não) esteja bem resolvido e, preferencialmente, finalizado. O que se vê são pessoas começando a namorar no mesmo dia que se conhecem em algum aplicativo, ou ainda, em um sintoma mais genérico talvez, pessoas consumindo uma falsa ideia de relação como parâmetro de felicidade estendida (duradoura). Eita, mas como assim? Você instala o Tinder e personaliza o seu perfil com fotos de viagens dentro e fora do país para denotar uma aparência de vasto conhecimento adquirido, depois publica mais fotos e dizeres sobre “geração saúde”, “sou bem resolvido comigo mesmo”, “não busco nada em específico”. Durante os matches no aplicativo, ou você espera a pessoa vir falar contigo, ou já sai mandando “Oi, tudo bem?” pra puxar assunto e ver no que vai dar. Depois, começa o maldito interrogatório, que começa com “Fala de onde?” e termina com a ambígua, mas direcionada pergunta “você curte o quê?” Após esse melodrama, tudo se decide ou se complica. O número de Whatsapp já começa a rolar e ao chegar no outro aplicativo, numa espécie de sucessivas etapas de construção de relacionamento-namoro-sexo-pegação, rolam as famosas NUDES. E é aí que a relação desanda. O tamanho conta, a largura da barriga vai importar, o rosto padrão abnt junto com o corpo feito um todo vai contar ainda mais e o áudio será determinante para saber se vai rolar encontro real ou não. Quando resolvem se encontrar, papo de uma semana, ou menos, ou mais, dependendo da concorrência do “quem chegar primeiro…”, a conversa pode não se desenrolar muito e acabar em frustração de ambas as partes, que já foram preparados não para se encontrarem para conversar, mas para transar. Cortaram as unhas, passaram a lixa nos dedos, tomaram um banho melhorzinho e mais demorado que o costume, puseram a melhor roupa e passaram cremes, além do banho de perfume. E tudo isso pra quê? Para no final, ou transarem loucamente e saciarem o desejo de ver algo virtual e sentir no real, presencialmente, em algum motel da vida ou na casa de alguém (que fica mais em conta)?! Pois bem. No dia seguinte, não costumam dar bom dia, boa tarde ou boa noite. Após o sexo, ficam dois, três dias, uma semana inteira sem trocar mensagens. Já estão novamente nos aplicativos. E isso vale também quando já começam a namorar no mesmo dia, ou quando rola a descombinação sistemática. Mas ainda assim, há algo pairando no ar… Valeu a pena? Você jogou limpo com você mesmo ou brincou com o sentimento da outra pessoa? Creio que seja necessário sempre jogar limpo. Brincar com os sentimentos das outras pessoas e depois se afastar não é algo legal, divertido ou depreciativo. Se você se põe em um lugar de sacanagem, então, viva e curta esse momento. Tudo é válido dependendo do lugar de fala. Só não dá para jogar como A, pensando como B e almejando uma situação C. E pensar que isso tem se tornado tão comum hoje em dia… Mas qual o seu lugar de fala? Você quer alguém legal, mas sai ficando com todo mundo, se divertindo com vários ao mesmo tempo. Você quer viver algo sério, mas em aberto? Então, jogue limpo. Ponha as cartas e mostre a que veio. Só não brinque com as pessoas, pois elas tem sentimento, choram e também são sensíveis. Acho que é muito mais difícil uma pessoa se manter desligada disso e reproduzir ainda mais infantilidade e imaturidade nas mais diversas relações, ao invés de jogar limpo. Você pode ser feliz à três, à quatro, à cinco e à seis. Você pode ser feliz monogamicamente ou bigamente. Você pode ter um relacionamento aberto ou fechado. Você pode fazer quase tudo nessa vida, desde que saiba o seu lugar de fala e se posicione com relação a isso. Não há nada mais triste do que você se entregar a alguém e depois descobrir que ela tem outra pessoa, ou que você foi bloqueado/excluído no app, ou ainda que foi ignorado em uma festa para não ser visto falando publicamente com os amigos dessa pessoa… “Oi, desculpe só responder agora. Pô, eu voltei com o meu ex. Foi mal aí, cara. Te desejo boa sorte”. Não seja uma pessoa assim. Por favor, não seja. Perder a oportunidade de encontrar alguém legal e poder desenvolver uma conversa agradabilíssima, é de uma burrice sem tamanho. No sexo propriamente dito, você sacia o seu desejo, o seu tesão, a sua vontade de estar ali com aquela(s) pessoa(s) e pronto, acabou. Quando você se permite conhecer alguém sem estar limitado ao pensamento do fetiche sexual, o próprio ato em si, a transa, se dá de forma diferente. Mas tudo é um jogo e nesse jogo, é imprescindível jogar limpo.














