Acho que estou cansada do amor. Não de amar, que são coisas diferentes. Estou cansada daquilo que chamam de amor enquanto mantêm a mão na maçaneta, prontos para partir ao primeiro desconforto.
É exaustivo ser uma romântica incurável em tempos de afetos descartáveis.
Logo eu, que sempre encontrei abrigo nos romances, que cresci acreditando que duas pessoas poderiam escolher permanecer, mesmo quando já não houvesse novidade alguma para distraí-las da realidade uma da outra.
Talvez eu tenha nascido alguns séculos atrasada. Enquanto o mundo coleciona despedidas como quem troca de estação, eu ainda procuro alguém que saiba ficar.
Nunca desejei um amor extraordinário. Sempre quis um amor consciente. Mas vivemos tempos líquidos. Tudo escorre entre os dedos. As pessoas se apaixonam pela ideia de amar e se cansam no instante em que o amor exige presença.
E eu, que ainda paro diante de uma livraria para procurar romances como quem procura provas de que o amor, em algum lugar, ainda sobrevive. Talvez eu seja ingênua. Talvez apenas me recuse a tratar o coração como algo descartável.
Se isso faz de mim antiquada, aceito o diagnóstico. Pior seria deixar de acreditar. E eu tenho tentado. Tenho tentado matar o amor dentro de mim, sufocá-lo até que deixe de respirar. Mas descobri que não se mata o amor sem ferir também quem o abriga. Talvez seja essa a dor que tenho carregado.