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Devon Sawyer and Maddox Kane have always hated each other. Their relationship has been full of fights and provocation for years, but an unexpected accident changes everything. Forced to live together after this event, the resentment between them turns into something more complicated - an electric tension that transfers desire. Even fighting against what they feel, the closeness reveals secrets and vulnerabilities that neither of them were prepared to face. Garron Park is an intense adult MM romance, full of raw emotions, hot scenes and a painful journey between hate and love.
Some lessons hurt once. Some temptations ruin you beautifully enough to come back for more. 🩷🖤🥀
CAPÍTULO 2 — A Man Who Doesn’t Flinch
(Negan’s POV)
Quando se vive tempo demais olhando o mundo de dentro pra fora, a gente aprende a enxergar nas entrelinhas. Não nas palavras, nem nos gestos, mas naquilo que as pessoas tentam esconder quando acham que estão sendo discretas. Redridge é feita disso. De silêncios longos, olhares que escorregam, frases que não dizem nada… mas dizem tudo.
Desde que cheguei, fui observado com aquele cuidado que beira o desconforto. As pessoas nĂŁo sabiam quem eu era, mas sabiam que eu nĂŁo era “daqui”. E, por essas bandas, isso Ă© o bastante para se tornar ruĂdo. Ou ameaça.
A oficina foi a minha forma de silêncio. Sanctuary Motors é a única coisa que eu construà com as próprias mãos que não tentou me quebrar de volta. É onde eu respiro entre motores e graxa, onde o barulho das ferramentas encobre qualquer lembrança que insiste em voltar. Aqui dentro, tudo tem uma função, uma lógica, uma ordem, mesmo que por fora pareça caos.
Eu estava terminando um ajuste simples num carro velho quando o rádio chiou o nome do xerife. A viatura dele tinha parado no meio da rodovia, e Logan, meu mecânico mais antigo, achou que seria bom avisar. Podia ter mandado alguém no meu lugar, mas alguma coisa me fez largar a chave inglesa, limpar as mãos no pano sujo e pegar o caminhão. A estrada até ele foi curta, mas quando estacionei e vi aquele homem encostado no capô aberto, camisa grudada no corpo e o olhar perdido no motor como se tentasse encontrar ali alguma coisa que já tinha se perdido dentro dele, soube que não era só mais um chamado.
Ele parecia exausto. Não de um cansaço comum, mas daquele tipo que a gente carrega nos ossos, mesmo quando o corpo ainda aguenta. Tinha algo nele que lembrava as vigas da oficina, retas, firmes, sustentando tudo, mesmo rachadas por dentro. Desci do caminhão devagar, sem fazer alarde e o chamei com um sorriso enviesado, daqueles que uso quando quero provocar, mas não empurrar.
— Dia bonito pra quebrar a viatura, hein, xerife? — Ele me olhou. Não sorriu. Mas também não desviou. E ali, naquele silêncio entre nós, algo se instalou no ar — pesado, denso, feito poeira fina pairando entre a tensão e o que ainda não tem nome.
— SĂł preciso que leve pra oficina — ele disse, com a voz firme, mas cansada. Assenti sem pressa, dando a volta no carro, como sempre faço, mesmo quando já sei o que esperar. A viatura estava no osso, mas o olhar dele… Esse era inteiro e doĂa de encarar.
— Posso fazer isso, claro — falei, sem tirar os olhos da lataria riscada. — Mas vou te dizer… esse carro parece tão exausto quanto você. — Ele ergueu a cabeça. Me encarou e não desviou. Por um instante, nada se moveu… Nem o vento, nem os carros, nem as lembranças. Foi como se o mundo tivesse apertado o pause só pra ver se um de nós dois seria covarde o suficiente pra recuar.
Nenhum foi.
— Quer que eu chame um guincho ou vem comigo? — perguntei, voltando pro caminhão. — O banco do carona ainda funciona. Só morde se merecer. — Ele subiu. Sem palavras, sem drama, só abriu a porta e sentou. O banco rangeu sob o peso dele, e o cheiro familiar do caminhão, óleo, couro envelhecido, fuligem, pareceu se espalhar entre nós, como se estivesse testemunhando um encontro que ainda nem entendia o que era.
A estrada até Redridge correu silenciosa pela janela. As mesmas casas, a mesma terra seca, a mesma sensação de que a cidade inteira estava presa no tempo e nós dois, de algum modo, fora dele.
— A oficina tá tranquila? — ele perguntou, sem tirar os olhos da estrada, como quem joga palavras ao vento só pra evitar ouvir os próprios pensamentos. Soltei um riso baixo. Não por sarcasmo, mas por saber que aquele tipo de pergunta só vinha de alguém que não sabe onde pisa.
— Tranquila nunca foi uma palavra que combina comigo, xerife. Mas tá viva. E isso… já é mais do que muita coisa por aqui. — Ele não respondeu, mas eu o observei pela lateral dos olhos. As mãos grandes apoiadas nos joelhos, o maxilar travado, a tensão em cada parte do corpo. Era um homem que parecia estar sempre segurando algo, como se uma vez solto, não soubesse mais como parar.
Quando chegamos, ele desceu sem pressa, mas sem hesitação. Fez um aceno rápido de cabeça, agradeceu da forma mais breve possĂvel, mas antes de entrar na viatura reserva que já esperava, olhou por cima do ombro.
Me olhou. Direto. E foi aà que soube. Que ele tinha sentido também, mesmo que ainda não soubesse o que era.

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Thank me later.
CAPÍTULO 1 — Rust in the Air
(Rick’s POV)
O calor naquela manhĂŁ parecia ter saĂdo direto do ventre da terra — denso, abafado, o tipo que se arrasta pelas costas e finca os pĂ©s na alma. O cĂ©u de Redridge, sempre indiferente, ostentava aquele azul estourado demais, como se estivesse Ă beira de explodir em algo que jamais seria chuva.
A viatura engasgou uma, duas vezes, antes de morrer de vez no acostamento da Highway 54. Nada de novo. A mecânica já vinha avisando há semanas, mas assim como muita coisa na minha vida, eu empurrei com a barriga. Rangido seco, fumaça amarelada, um silêncio cortante que veio logo depois. Desci devagar, como quem já sabe que não há o que fazer, e levantei o capô com a frustração resignada de quem entende que não adianta brigar com o inevitável.
O motor era um emaranhado de promessas vencidas. Peças queimadas, peças corroĂdas, cheiro de ferro cansado. Olhei para aquilo com a mesma expressĂŁo que usava diante do espelho nos dias em que acordava mais homem do que pai, mais vazio do que xerife. Fingi que entendia o que via, mas a verdade Ă© que aquilo era sĂł mais um reflexo, uma estrutura ainda de pĂ©, mas que já tinha quebrado por dentro há muito tempo.
— Que maravilha. —  Respirava fundo ao ver que eu estava sem sinal no celular. O rádio? Morto. Tudo calado ao meu redor, exceto o peso na cabeça e o zumbido persistente daquilo que a gente tenta ignorar. Quarenta minutos passaram com a lentidão dos dias longos. E então ele apareceu.
O som do caminhĂŁo chegou antes dele, um motor antigo, grave, como se cuspisse lembranças com cada rotação. O logo desbotado na lateral dizia Sanctuary Motors, e atrás do volante vinha um homem que parecia ter saĂdo direto de outro tempo: jaqueta jogada no banco, Ăłculos pendurados na gola, botas empoeiradas e um andar sem pressa, sem pedido de licença, como se o mundo abrisse espaço para ele sem que precisasse falar uma palavra.
Negan Smith.
Desceu com a calma desconcertante de quem já viveu o suficiente pra nĂŁo se apressar por nada. Limpou as mĂŁos num pano encardido, deu uma olhada rápida na viatura como se já conhecesse cada falha antes mesmo de tocar. E entĂŁo sorriu, aquele tipo de sorriso que nĂŁo pede permissĂŁo, que nĂŁo suaviza, que chega inteiro e se instala feito faĂsca no peito.
— Dia bonito pra quebrar a viatura, hein, xerife? — A voz era rouca, mas segura. Não respondi de imediato. Só fechei o capô com força, respirei fundo e disse, já farto daquele jogo que nem tinha começado:
— Só preciso que leve pra oficina. — Ele assentiu com um gesto leve, já circulando o carro como quem patrulha território conhecido. — Posso fazer isso, claro… — respondeu. — Mas vou te dizer… esse carro tá com a mesma cara de exaustão que você. Se quiser, dou um trato nos dois. —
O comentário veio acompanhado de um olhar direto. Firme. Eu o encarei de volta. NĂŁo por orgulho. Mas porque nĂŁo sabia como desviar. Aqueles segundos esticaram no ar, carregados de algo que nĂŁo dava nome. A cidade parecia distante naquele instante, como se nĂłs dois estivĂ©ssemos numa redoma construĂda de poeira e nĂŁo-ditos.
— Quer que eu chame um guincho ou vem comigo? — Ele perguntou, já subindo no caminhão. — O banco do carona ainda funciona… só morde se merecer. —
Subi. Sem responder, sem pensar muito. O banco rangeu sob meu peso, o couro quente grudando na camisa como se avisasse que, dali pra frente, nada ia passar despercebido. O interior do caminhão era um retrato fiel do homem que o dirigia: cheiro de óleo, couro velho, fumaça antiga e algo mais, algo cru, bruto, que gruda na pele feito poeira fina que se aloja em lugares que a gente nem sabe nomear. A estrada de volta se estendia à nossa frente, reta e vazia. Redridge desfilava pelas janelas com suas casas de madeira quase todas iguais, sua rotina que nunca mudava, suas fachadas que escondiam mais do que mostravam. Tudo ali era conhecido demais. Repetido demais. E, de certo modo, sufocante.
— A oficina tá tranquila? — perguntei, num tom mais leve do que pretendia. Ele soltou um riso curto, mas não debochado, parecia mais um cansaço que aprendeu a se disfarçar de sarcasmo.
— Tranquila nunca foi uma palavra que combinou comigo, xerife… Mas tá viva. E só isso já é mais do que muita coisa por aqui. —O silêncio voltou a se acomodar entre nós, mas dessa vez ele parecia menos incômodo. Olhei pela janela, fingindo distração, mas, por dentro, algo se agitava. Havia um peso diferente naquele caminhão, e não era o do motor. Era o dele. Ou talvez fosse o meu.
E o que mais me incomodava… é que eu queria entender aquilo.
"NĂŁo sei o que vocĂŞ Ă©, Negan. Mas vocĂŞ me faz esquecer o que eu sou."