Carta aberta ao presidente Jair Messias Bolsonaro e à nação:
Bolsonaro é um capitão perverso que com seus discursos midiáticos, feições ásperas e palavras cheias de ferrões venenosos, usa o medo de perder tudo contra uma nação que só tem a vida como bem.
Vida vendida nos mercados e estações, em saquinhos de oito em oito, mês a mês, por cada um de nós - quando não vemos por aí fazendo promoção de dois por quinze! - para que possamos comprar uma parcela de vida embrulhada em churrasco e cerveja um domingo por vez.
Que vida é essa que se clama?
Há meses tudo que nos ronda é o terror e a morte que escorrem feito saliva da boca de um cão faminto e voraz. Bolsonaro tem fome de nós, e vai nos devorar aos montes, mastigar-nos com seus dentes podres e então serviremos de alimento - mortos - para sua alma pútrida.
“O Brasil está quebrando.”, ele diz. E segue: “E depois de quebrar não é como alguns dizem ‘a economia recupera’. Não recupera. Vamos ser fadados a viver um país de miseráveis, como alguns países da África subsaariana”
Mais uma vez ele escancara sua boca e cospe seu ódio sobre nós, povo brasileiro. O pânico - sentimento que ora paralisa, ora nos leva a decidir precocemente pelo que parece óbvio - trabalha como fiel escudeiro e carrasco de nosso ilustre comandante e incide sobre as almas como um manto longo e pesado, fazendo com que urgentemente nos vejamos forçados a responder como, ó céus, será possível viver miserável.
O pânico nos tira os sentidos, nos tolhe a razão e muito eficientemente atua em seu papel nos deixando esquecer que a vida que há tanto tempo vendemos ainda é nossa e que somos nós que temos dever e direito de decidir sobre ela.
E portanto, senhor presidente, pois falo agora diretamente com você:
Governe. Faça de uma vez por todas o que o peso de seu cargo exige e pare já de colocar na conta do povo a responsabilidade de arcar com uma crise econômica. É quase como se te parecesse pouco estarmos morrendo de crise sanitária. Quase.
Saia de sua toca imunda e emporcalhada e aja! Arque com as consequências criadas por você e os seus, seja o homem que canta ser, presidente!
Não é de nossa responsabilidade pressionar o congresso para que se extingua a quarenta e é menos ainda dever nosso deixá-lo agir como o canalha que és, ludibriando-nos com a ilusão da escolha. É muito pelo contrário, estimado patife.
Se ainda não sabe, Jair, somos um povo livre. É com a liberdade que corre em nossas veias latino-americanas de sangue muito vermelho e quente que vamos prezar pela vida, para que se possa fazer dela o que quiser em segurança.
Saiba que o terror que busca, incansável, instaurar nos espíritos já não nos acossa. O que importa a nós agora é que se salvem as vidas, nosso precioso bem, e saiba que se morrermos todos, morre você também.