Ele era corajoso, intrépido, explorador e a motoca representava uma nova fase da sua vida. Durante seu dia, passava diversas vezes por ela, namorando e balbuciando palavras de carinho. O dinheiro que ganhava, invariavelmente, ia parar na motoca. Seu coração pulsava quando dela se aproximava.
Porém, aos que o cercavam, havia preocupação. Todos temiam como ele se portaria com a motoca em suas mãos. Desencorajavam-no, tentando mostrar a ele o quão perigoso poderia ser aquela "brincadeira".
Já a motoca, se perguntada, iria preferir permanecer lá, no alto. Mesmo sendo pressiona pelo passado e o futuro. Mesmo sendo incansavelmente questionada pelo tempo, que disparava por segundo: - O que você está fazendo agora?
Era melhor assim, continuar a ele inacessível. Melhor que em suas mãos, pois assim, antes da virada do ponteiro, aquela motoca frágil, poderia acabar quebrada, ao ser lançada no chão.