O amor que eu procuro parece não existir mais
Cresci ouvindo uma história de amor tão bonita que talvez tenha mudado a maneira como eu enxergo relacionamentos
Eu acho a história dos meus avós uma história de amor muito linda, que supera qualquer filme de romance. E quando eu era pequena, obviamente, quando eu tinha oito anos, eu não me importava com essa merda. Mas é muito lindo o fato de um cara da Itália sair de lá e escolher morar no Brasil com 18 anos, largando família, largando tudo, por causa de uma mulher. E até o último momento de vida, essa mulher ficou com ele.
Isso é exatamente o que eu busco: companheirismo.
E é tão difícil achar isso atualmente, porque todos os homens agora querem trair, eles acham bonito isso. Ou eles só querem transar com você e ir embora, ou simplesmente só se importam com a droga da sua aparência. Então acaba que eu não me encaixo nesse padrão, porque eu não tento agradar homem, eu não tento ter uma aparência bonita e eu nunca vou tentar fingir que eu gosto de algo pra agradar um homem.
Então eu sou tudo que um homem não quer.
Por isso que eu desisti de procurar um namorado. Mas não quer dizer que eu não quero, eu só não fico indo atrás. Porque, cara, o meu avô, toda vez que ele ia ver minha vó, ele levava o sorvete preferido pra ela. Eles se encontravam em uma sorveteria. O meu avô escrevia cartas pra ela tão românticas, e quando a minha vó contava, tipo, tudo que ele escrevia na carta ele fazia.
E a minha vó não precisava se preocupar com traição, porque todo tempo livre do meu avô ele tava com ela.
O meu avô foi dentista e a minha vó tinha uma casa aqui em Belo Horizonte chamada Palacette Bizzotto. Foi onde ela e o meu avô moraram por muitos anos. Meus tios e minha mãe foram criados lá. E a minha mãe contava que dentro desta casa era cheio de imagens deles juntos, no caso fotos. E tinha uma em específico que foi roubada, mas era lindo de se observar.
E tipo, o meu avô sempre fez tudo pela minha vó e a minha vó segurou a mão dele até a última vez que ele respirou. Minha vó estava lá no hospital com ele.
É exatamente disso que eu estou falando. Eles foram leais um com o outro. Teve bastante coisa nesse relacionamento deles que foi o que fez tudo ficar lindo. E é exatamente isso que eu estou buscando. Só que isso que eu estou buscando só é encontrado em filmes, e a gente sabe que nitidamente filme não é realidade.
Eu sou completamente doente naquele filme The Space Between Us. Naturalmente eu já sou fascinada por filme de romance, mas eu sou doente na Inglaterra desde criança. Eu nunca entendi por quê.
E teve um dia que eu decidi matar aula na casa da minha amiga e a gente viu esse filme, com um ator britânico. E, poxa, esse filme é lindo porque, pra mim, foi muito simbólico: uma pessoa de Marte vindo pra Terra, obviamente pra conhecer o pai, e acabou se apaixonando. E no final essa mulher quis ir pra Marte ficar com ele.
Então acabou que esse filme foi muito simbólico pra mim. Esse filme tem uma grande importância na minha vida. E ele é muito bonito como mostra dois adolescentes que só seguem juntos. Duas pessoas com propósitos diferentes, mas caminhando juntas.
Obviamente, na época eu não sabia disso, porque eu fiquei fascinada no ator até hoje. Mas a questão é que eu não quero entrar sobre eu ser fã dele. Tecnicamente, esse filme é um filme marcante pra mim.
Tem outro filme, A Rainy Day in New York, que todo mundo que me acompanha sabe que eu sou apaixonada. Mas o que eu quero entrar em questão é que o amor que eu quero não existe. E eu cansei de esperar por esse amor. Mas eu ainda amo ler histórias de amor, ouvir histórias de amor.
Eu não sei. Eu também acredito que talvez o meu amor esteja na Inglaterra, porque desde criança eu sou apaixonada pela Inglaterra. E esse ano eu decidi que eu vou pra Inglaterra de todo jeito. Até meus 30 anos eu garanto que eu vou estar na Inglaterra.
E também os meus Guias já falaram que o meu amor não está no Brasil.
Acho que, se um dia eu for pra Inglaterra, eu nem vou conseguir prestar atenção na minha vida amorosa, porque eu vou estar na porra da Inglaterra. Tudo lá me fascina. Eu sou doente na Inglaterra.
Só que eu não sei, todos os caminhos me levam à Inglaterra.
Foi muito engraçado porque eu descobri que esse ator do filme The Space Between Us era britânico porque eu tava com 15 anos assistindo esse filme — eu não sei a idade exata, mas isso não importa — e eu percebi que ele falava estranho. Aí eu mostrei isso pro meu professor na época e questionei. E o meu professor falou assim: “olha, ele provavelmente é britânico”.
E aí, com o tempo, a escola me passou outro filme onde ele estava, que foi The Boy in the Striped Pyjamas. E eu percebi que eu já tinha assistido outros filmes onde ele estava, que era Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children, onde eu adoro Tim Burton.
Sei lá, a Inglaterra de um certo modo sempre me chamou. Só que quando eu tentei intercâmbio na época da escola era muito caro um intercâmbio pra Inglaterra. Depois eu fui tentar através da faculdade e eu nunca fui uma aluna com boa nota, ainda mais em uma faculdade capacitista, então também não funcionou.
Tanto é que o meu caderno da faculdade era com a capa da Inglaterra.
Aí eu fui fazer uma outra faculdade e eu até consegui uma oportunidade de intercâmbio pra Coreia do Sul, só que tipo: eu adoro assistir dramas coreanos, mas eu nunca quis ir pra Coreia. E aí eu desisti da faculdade porque eu acho que não conseguir ir pra Inglaterra parece que, tipo, eu quero a Inglaterra, mas a Inglaterra não me quer.
E de fato eles não querem, porque eu não tenho nenhum diploma. Tipo, eu administrava um centro de informação pra esse ídolo britânico, mas não é o suficiente.
Então sei lá, talvez a Inglaterra fique eternamente como um sonho. Talvez o amor que eu esteja sonhando que eu vá achar lá esteja, na verdade, nesse país.
Sei lá. Eu acho que algum dia eu vou chegar na Inglaterra de alguma forma, nem que seja só por cinco dias.
Eu sempre fui apaixonada pela Inglaterra e talvez, não sei, eu acredito que tenha alguma ligação. Eu sou doente por cinema, por filmes, e lá é um lugar muito bom pra isso. E, acredite ou não, eu só tive noção disso esse ano.
Eu tentei entrar pra área do cinema — não como atriz, mas na parte de roteiro, porque eu entendo muito disso — só que, cara, o nicho do cinema é muito fechado, é literalmente só indicação.
Mas sei lá. Eu sei que eu postei um texto que os sonhos às vezes mudam de forma, mas eu acho que talvez tenha uns que só são fora de alcance mesmo. Talvez só pra gente sonhar.
É duro, mas eu não sou rica, então é isso que temos pra hoje.
Tipo, eu fui brincar no LinkedIn de mandar currículo pra alguns lugares do UK e cheguei até a fazer entrevista. E todos falam que eu tenho um inglês excelente, mas eu não sei me expressar. E aí que tá o problema, porque isso impacta muito.
Eu não sei me expressar. Eu nem sei como me comportar numa entrevista de emprego, porque eu nunca fiz isso. Eu nunca precisei, porque eu sempre fui autônoma.
E eu não gosto de alguém mandando em mim, então tenho plena consciência que não daria bem com chefe. Mas eu preciso disso, então tecnicamente é impossível uma sponsorship me ver.














