Feeling 22. (cap 7.)
Os dias passaram mais rápido do que eu imaginava.
Na maior parte do tempo, minha rotina se resumia a uma combinação de aulas, biblioteca, cafeteria, trabalho e dormitório. Entre uma leitura obrigatória e outra, eu tentava me convencer de que aquela quantidade absurda de páginas era perfeitamente normal para uma semana de aula.
Não era.
A Faculdade de Direito claramente tinha um acordo secreto para acabar com a saúde mental dos alunos antes do primeiro mês.
Ainda assim, eu estava gostando.
Cansada? Muito.
Arrependida? Nem um pouco.
O único problema era que, conforme os dias passavam, uma pequena informação insistia em voltar para a minha cabeça.
Sexta-feira.
A festa que eu havia concordado. Ou, pelo menos, tinha dado ao Felix algo muito parecido com uma confirmação, e toda vez que lembrava disso, meu estômago dava uma cambalhota.
Respirei fundo e voltei a olhar para o livro aberto sobre a mesa.
"Concentra, Daniela."
Li o mesmo parágrafo três vezes. Não fazia ideia do que ele dizia.
Meu cérebro tinha decidido discutir assuntos muito mais importantes.
O QUE DIABOS EU VOU VESTIR?
Fechei os olhos.
Meu guarda-roupa inteiro cabia em três malas.
Três.
Malas.
Eu tinha roupas para assistir aula e para trabalhar; para enfrentar o inverno, uns vestidos que minha mãe insistira para que eu trouxesse "caso aparecesse alguma ocasião especial", e outros looks que servem para shows, talvez?
E era isso.
O que as pessoas usavam em festas universitárias?
Vestido? Calça jeans? Saia? Salto? Tênis?
Será que alguém realmente usava salto?
Meu Deus...
Será que existia um código de vestimenta que eu desconhecia?
Peguei o celular e abri o navegador, digitei:
"O que vestir em uma festa universitária nos Estados Unidos?"
Apaguei. Que vergonha.
Imaginei o algoritmo me julgando, e fechei o navegador antes mesmo de pesquisar.
Voltei para o livro.
"Artigo 12..."
Não.
Meu cérebro continuava na festa.
Fechei o livro com um suspiro.
— Você definitivamente não vai conseguir estudar mais nada hoje.
Levantei os olhos.
Felix estava parado do outro lado da mesa da biblioteca, equilibrando dois corpos de café e um sorriso convencido.
— Você tem um talento impressionante para aparecer exatamente quando eu estou em crise.
Ele colocou um dos cafés na minha frente.
— Eu sei.
Sentei-me melhor na cadeira.
— Como você sabe que eu estou em crise a final?
— Porque você está olhando para esse mesmo parágrafo há uns quinze minutos.
Pisquei.
— Você está me espionando? - pergunto em tom de brincadeira.
— Eu prefiro dizer que sou observador -responde ele, dando de ombros
— Isso é assustador.
Ele ignorou completamente meu comentário.
— Então...
— Não.
— Mas eu nem perguntei nada.
— Eu já sei o que você vai perguntar.
Felix cruzou os braços.
— Ah, é?
— Você vai perguntar se eu estou animada para sexta-feira.
— Eu ia perguntar se você já escolheu a roupa.
Suspirei dramaticamente.
— Pior ainda.
Ele começou a rir.
— Você ainda não escolheu?
Olhei para ele como se tivesse acabado de me fazer a pergunta mais absurda do mundo.
— Felix.
— Hm?
— Eu não tenho roupa.
— Claro que tem.
— Não tenho roupa de festa.
— Dani...
— Eu tenho um casaco térmico.
Uma calça térmica.
Outra calça térmica.
E mais um casaco.
Felix morde o lábio para não rir.
— Estou falando sério.
— Eu também.
— Minha roupa mais bonita provavelmente parece uniforme de bibliotecária!
Felix finalmente perdeu a batalha e caiu na gargalhada.
Algumas pessoas na biblioteca ergueram os olhos em nossa direção.
Ele abaixou o tom da voz.
— Você é inacreditável! - ele exclama.
— Obrigada! - digo fingindo um sorriso.
— Isso não foi um elogio.
— Eu escolhi interpretar como um - rebato.
Ele balançou a cabeça, ainda sorrindo.
— Relaxa Dani, você vai ficar linda usando qualquer coisa.
Revirei os olhos.
— Essa é a resposta que todo homem dá quando não faz ideia do que está falando.
— É uma resposta excelente, considerando que jogamos no mesmo time - ele da uma piscadinha.
— É uma resposta inútil!
Ele apoiou os cotovelos sobre a mesa.
— Então faz o seguinte: depois da aula, vamos para o dormitório, vou ver o que você tem no guarda-roupa, combinado?
Olhei para ele por alguns segundos.
Era ridÃculo. Completamente ridÃculo. Mas... Talvez ele tivesse razão.
— Tudo bem.
O sorriso dele apareceu imediatamente.
— Sério?
— Não se empolga. É só uma olhada - falo com determinação.
— Conheço essa frase, e tenho certeza que acharemos um look arrasador! - ele da uma piscadinha.
Sorri pela primeira vez desde que começara a pensar naquela festa.
Talvez...
Só talvez… Não fosse tão assustadora assim.














