"A igreja alemã estava tumultuada. Alguns líderes eclesiásticos sentiam a necessidade de uma conciliação com os nazistas, já que estes eram adversários enérgicos do comunismo e do "ateísmo". Eles acreditavam na conformação da igreja em relação ao Princípio Führer e as leis raciais do nazismo. Pensavam que, pela união entre a igreja e o Estado, a antiga glória da igreja e da Alemanha, perdidas após o Tratado de Versalhes e o caos e a humilhação dos últimos vinte anos, seria recuperada. A degeneração moral da Alemanha de Weimar era autoevidente. Hitler não falara sobre restauração da ordem e da moral da nação? Não concordavam em tudo com ele, mas acreditavam que caso o prestígio da igreja fosse recuperado, poderiam influenciá-lo na direção correta".
- Bonhoeffer: pastor, mártir, profeta, espião, por Eric Metaxas.
Bastariam algumas poucas adaptações e estaríamos descrevendo o panorama atual da igreja. A necessidade de "se posicionar" tem levado inúmeros cristãos a aderirem a posicionamentos extremistas. Tudo para não poder ser acusado de se omitir. Isso porque ainda não há uma representação cristã que consiga transitar entre direita e esquerda sem se misturar, sendo sal e luz, sendo equilíbrio. Assim, a igreja optou por ser representada pelos setores mais reacionários da política brasileira, afinal, são os conservadores que, historicamente, combatem o fantasma do "demônio comunista". O perigo de se aliar com setores extremistas, no entanto, é justamente o exposto no último parágrafo do trecho transcrito: os extremistas não cedem ao equilíbrio. Extremistas te carregam junto para pontos extremos de intolerância e agressividade. E, na verdade, tenho minhas dúvidas se parte dos cristãos têm se deixado levar ao extremos ou se, desde algum tempo, já não compõem tais extremos antes de qualquer condução.