Música? Ok. Pessoas? Ok. A festa estava realmente boa. Eu e as meninas só saímos da pista de dança apenas para ir ao banheiro, o que foi nesse momento. Após conferirmos a maquiagem e tirarmos mais algumas fotos, voltamos para onde estávamos. Na verdade é o que teríamos feito se alguém não tivesse esbarrado em mim propositalmente e derrubado um copo inteiro de bebida na minha roupa, que por sorte é preta.
— Você é louca, garota? – olho para a Camille, que estava na minha frente, com raiva.
— Eu te avisei para ficar longe do Pedro. – ela fala com um ar superior e sorri antes de tentar passar por mim. Eu continuo olhando para frente e seguro seu braço, a impedindo de sair.
— Você esqueceu uma coisa. – ela dá alguns passos para trás e arqueia as sobrancelhas como se estivesse perguntando “O que?”. – Você não manda em mim. – pego o copo da Bea e derramo em sua cabeça, depois jogo o meu em seu vestido azul claro. Então me viro para sair e acabar com aquilo, já que estávamos “quites”.
— Sua cachorra! – ela grita e eu sinto meu cabelo sendo puxado, fazendo meu sangue ferver no mesmo momento.
— Não toca no meu cabelo! – me viro na hora e empurro ela, que não satisfeita me arranha. Dou um tapa na cara dele, que volta a puxar o meu cabelo.
Foi o suficiente para eu dar uma rasteira nela e irmos para o chão intensificando os tapas, puxões e arranhões. Podia ouvir que várias pessoas estavam ao redor instigando a briga. Porém não demorou muito para sermos separadas. Arrumo meu cabelo e vejo o Pedro me olhando.
— Você tá bem? – olho para ele surpresa e respiro fundo por estar ofegante.
— Melhor do que ela pode ter certeza. – ri fraco e ele sorri.
— Essa é minha garota! – Felipe aparece do meu lado. – Mas é melhor a gente sair antes que acabe em mais confusão. – ele sai me puxando sem me dar tempo de falar mais nada, mas eu pude ver o Pedro e a Camille discutindo antes de sair da festa. – A Bella achou um lugar pra gente ir. Ela está pensando em fazer jogos como sempre. – ele sorri e as meninas nos encontram alguns metros adiante e disparam a falar, mas eu estava bastante dispersa em meus pensamentos para prestar atenção no que eles estavam falando.
— Melissa! – Bea para na minha frente me assustando. – Você não ouviu nada do que a gente falou né? – ela ri e volta a andar do meu lado.
— Claro que ouvi. – minto.
— Então, eu estava falando do que? – Mari pergunta e ri por saber que eu estava mentindo.
— Ok, vocês me pegaram. – suspiro rindo.
— Ela estava pensando no Pedro. – Daniel fala simples e as meninas me olham.
— O quê? Não!! – exclamo assustada, embora aquela seja a verdade.
— Esse é o motivo da namorada dele ter te jogado bebida em você? – a ruiva pergunta.
— Mas você disse que não suportava ele. – a morena fala confusa.
— Eu sabia que tinha uma vibe diferente entre vocês. – Bea sorri.
— A verdade é que ele me irrita, mas também me intriga. – mexo em meu cabelo nervosa.
— Principalmente depois de te dar o chocolate acertei? – olho assustada para o meu melhor amigo.
— Chocolate? – Bea e Bella falam juntas.
— Como você sabe? – pergunto para o Dan que parecia saber exatamente o que se passava na minha cabeça.
— Porque eu te conheço melhor do que você mesma. – ele dá uma pequena risada antes de continuar. – E eu não sei se você já percebeu, mas ele é seu tipo. – ele dá um gole de sua bebida.
— Mas eu nunca pensei em ficar com ele. O Pedro é um idiota e me irrita. – falo o que penso desde que o conheci.
— Agora é você que não para de falar de mim. – ouço a voz dele e arregalo os olhos sentindo um frio na barriga.
— Só realçando o quanto eu te odeio. – sorri irônica e me viro para encará–lo. – O que aconteceu com o seu rosto? – pergunto curiosa ao ver seu rosto vermelho.
— Eu terminei com a Camy, ela não aceitou bem isso e me bateu. – ele dá de ombros rindo. Sinto olhares e sorrisos maliciosos em minha direção, mas ignoro.
— Por que você terminou com ela?
— Ela era muito possessiva e eu odiava esse lado dela, mas ela também me traiu.
— Ainda não entendi por que ela te bateu. – nesse momento só nós dois estávamos entretidos na conversa. Ele sorri de lado, olha para cima e depois me olha.
— Ela me falou para ir atrás de você, aí eu falei que ia, então ela ficou muito brava. – ele ri como estivesse lembrando-se da cena.
— Por que você fez isso? – olho para ele sem entender.
— Você é a pessoa que mais irrita ela. – ele dá de ombros. – Ela te odeia. Então usei isso para deixar ela mal pelo menos um pouco, comparado ao que ela fez comigo. – paro de andar na mesma hora.
— Você me usou? – pergunto desacreditada e rio sem humor. – Você é um completo idiota!
— Se você prefere pensar assim o problema não é meu. – ele responde e eu não me dou o trabalho de encará–lo. As meninas que me olham sem entender o porquê de estarmos discutindo quando chego perto delas.
— E aí, gente? – Raff chega sorrindo amigável, o oposto da tensão que predominava entre nós agora. – É impressão minha ou a energia aqui está pesada? – olho para ele sem expressar reação. – De novo? Ah não. – ele resmunga.
— Chegamos! – a ruiva exclama agitada quando entramos em uma sala vazia. – Nós vamos jogar verdade ou desafio. Mas ainda tem gente chegando, então, por favor, não se matem nesse meio tempo. – Ela olha para mim e o Pedro.
— Não exagera. – bufo e mexo no meu cabelo.
— Como você faz? – o de cabelos castanhos responde e eu vou a sua direção na hora.
— Escuta aqui, você não me conhece.
— Conheço o suficiente para perceber que você faz drama em relação a tudo. – abro a boca um pouco ofendida. Ele estava conseguindo me tirar do sério hoje.
— Você é tão prepotente se achando um deus, mas não passa de um rostinho bonito. – retruco a ponto de entrar em ebulição.
— Ei ei ei parou. – Mari me puxa e o Raff faz o mesmo com o Pedro que já tinha a respiração acelerada de raiva por causa do que eu havia falado.
— Mais uma briga, Mel? Desse jeito eu não vou sair de perto. Você é a agitação desse colégio. – Julie chega com o Brad.
— Você ainda não viu nada. – falo orgulhosa jogando meu cabelo rindo.
— Agora que todo mundo está aqui e o mais importante: vivos, vamos fazer uma roda e começar a diversão. – minha prima fala arrancando algumas risadas e nós sentamos em seguida. Eu fiquei bem longe do Pedro obviamente. – Todo mundo já jogou verdade ou desafio, mas nesse as regras são um pouco diferentes: Cada pessoa tem direito a apenas uma verdade; se escolher desafio e não quiser cumprir, vai ter que cortar o cabelo bem curto ou pintar da cor que escolhermos. Só para o jogo ficar mais interessante. – a ruiva dá de ombros sorrindo.
— Ela tá falando sério? – ouço o Raff perguntar para o Dan.
— Claro que sim. – ele responde sorrindo e o outro engole em seco.
— Quem quer começar? – Bea pergunta colocando a garrafa no centro da roda.
— Eu! – Julie gira animada. Eu realmente me identifiquei com ela.
A tampa da garrafa aponta para ela e o outro lado para o Dan.
— Verdade ou desafio? – ele pergunta arqueando as sobrancelhas.
— Desafio, claro.
— Então eu te desafio a dar um selinho em cada pessoa da roda. – o pessoal agita e ela sorri para ele arqueando as sobrancelhas.
— Esse é o máximo que você pode fazer? – a garota de cabelos ondulados pergunta antes de cumprir o desafio e nós rimos.
Depois de cumprir seu desafio, Julie gira novamente e eu pergunto para o Brad, que escolhe verdade.
— É verdade que você tem crush em alguém dessa roda?
— É sim. – ele responde simples e me surpreende. – Em quem? – pergunto curiosa.
— Eu não vou responder isso. – ele fala rindo.
— Rosa ficaria bem nele, gente? – desafio ele a me responder.
— Ok... Beatrice. – ele revira os olhos rindo e eu olho com um sorriso malicioso para a loira que estava do meu lado.
— Agora você pode girar a garrafa. – falo satisfeita.
Ele gira e o Raff desafia o Pedro a ligar para uma garota aleatória e pedir para ficar com ela no viva voz para todo mundo ouvir.
— “Esse desafio é fácil, é claro que ela não vai me dar um fora.” – o loiro imita o que o Pedro disse antes de ligar para a garota e ela falar que nunca ficaria com ele. Todos riem e ficam fazendo brincadeiras, enquanto ele fica de cara emburrada. Eu falei que o Pedro se acha um deus.
— Acontece com todo mundo, ok? – ele resmunga antes de girar a garrafa que cai em Brad e Bea.
— Desafio. – ela fala antes dele perguntar.
— Eu te desafio a me beijar. – ele dá de ombros e começamos a ovacionar.
— Bea, você vai cumprir o desafio ou vai pintar o cabelo? – Bella pergunta para a loira.
— Eu realmente estava pensando em pintar o cabelo há um tempo. – ela fala pensativa e todos ficam quietos não acreditando no fora que o moreno de olhos azuis recebeu. – Mas, eu quero ficar com ele. – ela sorri para ele e vai em sua direção. Nós voltamos a ovacionar e eles se beijam por uns quinze segundos.
Quando ela gira a garrafa, a tampa para nela de novo, mas quem pergunta dessa vez é a ruiva:
— Verdade ou desafio, swettie? – percebo um sorriso maldoso. Típico da Bella.
— Desafio de novo. – ela responde despreocupada.
— Beija o Raphael. – minha prima fala com indiferença.
— Mas eu acabei de beijar o Brad! – Bea responde incrédula.
— Então dá um selinho só então! Eu não vou mudar mais que isso! – ela dá um sorriso enorme.
— Ok, mas prepare–se porque vai ter volta, my dear – a ruiva dá a língua pra ela, que faz uma carranca.
O selinho foi rápido, apenas um encostar de lábios, mas valeu da mesma maneira. A loira gira a garrafa novamente e é sua vez de perguntar para a Bella.
— Eu disse que ia ter volta, o karma nunca falha. – ela ri e a outra resmunga:
— Eu quero desafio, fala logo o que você quer.
— Só porque eu sou uma ótima amiga eu vou te deixar escolher entre duas opções.
— E quais são?
— Você vai ficar só de roupa íntima até o final do jogo ou dormir do lado de uma máscara de palhaço. – ela sorri com maldade da mesma forma que a minha prima tinha feito antes de desafiá–la.
— Agora você jogou baixo, Bea. Você sabe que eu tenho medo de palhaço e que eu nunca vou pintar meu cabelo! – fala agitada.
— Então é simples: tira sua roupa. – as provocações entre as duas definitivamente era algo engraçado.
— Você apelou – ela aponta para a loira rindo – Mas eu aceito o desafio, sua idiota! – A ruiva tira seu vestido colado e nós zoamos ela.
— Larguem de serem idiotas, é a mesma coisa que biquíni, vocês iam me ver assim qualquer dia mesmo. – ela dá de ombros se sentando.
— Calma aí, ruivinha. – Dan ri dela irritada.
— Eu estou calmíssima, Danny. – ela sorri com ironia para ele.
— Gira logo essa garrafa, Bella. – eu continuo rindo e vejo que a Mari tem que perguntar para mim.
— Verdade ou desafio, Mel?
— Desafio. – respondo tranquila e fico assim até ver que ela sorri maliciosa ao revezar olhares entre eu e o Pedro. O que ela está tramando e por que eu tenho a impressão que não vou gostar?
— Eu te desafio a beijar o Pedro! – eu fico imóvel e boqAi masuiaberta por uns cinco segundos após ele falar isso.
— O QUÊ?! Eu vou ter que beijar esse idiota? – aponto para o garoto de cabelos castanhos do outro lado da sala. – O que eu te fiz de mal, Mari? Me diz por favor. – falo sem me conformar.
— E depois diz que não faz drama. – Pedro provoca.
— Cala a boca! – respondo de imediato.
— Pelo visto você que vai ter que vir calar. – ele continua e eu semicerro meus olhos.
— Pelo menos você não teve que tirar a roupa, prima. – Bella dá de ombros.
— Eu preferia mil vezes ficar assim, te garanto!
— Mas você não tem escolha. Eu sei que você nunca cortaria seu cabelo curto. Então é melhor parar com o drama e ir antes que eu me levante e faça você engolir a cabeça dele. – olhei para a Mari assustada e acabo me levantando. O Pedro já estava na minha frente e aparentemente achando graça da situação.
— Vai me conceder a honra, Mel? – a pergunta transbordava ironia, principalmente ao pronunciar meu apelido.
— Se você continuar fazendo gracinhas eu juro que... – fui interrompida por ele colando as nossas bocas, me impedindo de falar. Apenas fechei os olhos, envolvi meus braços em torno do seu pescoço e retribuí me deixando levar pela sensação, que estranhamente e ironicamente me trazia uma sensação de calmaria e relaxamento, o oposto que sentia quando estava perto dele. Mas ali tudo se encaixava, tudo parecia ser perfeito. Claro, até me trazerem de volta para a realidade:
— A gente quer continuar a brincadeira! Se quiserem continuar se pegando vão para outro lugar, talvez um quarto. – me afasto do Pedro após o comentário do Brad.
— O que você estava falando mesmo? – o idiota de cabelos castanhos me olha com um sorriso convencido.
— Se você continuar fazendo gracinhas eu juro que te bato. – volto para o meu lugar e reviro os olhos quando vejo o Pedro mordendo o lábio e sorrindo para mim. Ele deve estar achando que eu sou dentista para ficar sorrindo desse jeito, só pode.
A próxima rodada foi o Brad que desafiou o Dan:
— Dá um chupão no pescoço da ruivinha.
— Se ficar a marca eu vou te bater, Daniel! – ela olha séria para ele.
— Sem marca não tem graça! – a morena diz e em resposta a Bella lhe mandou um olhou mortal.
Ele chegou perto dela segurando o riso e deu um chupão demorado seguido de uma mordida no lóbulo da orelha, que a fez arrepiar. Resultou em uma marca roxa, que se destacou em sua pele branca, mas facilmente coberta pelo cabelo longo.
— Seu bastardo! Eu te avisei. – ela resmunga brava dando tapas nele, que riu sem desviar dos tapas, afinal a Bella tinha a força de um inseto.
A brincadeira continuou até a madrugada quando começamos a cansar. Os meninos nos levaram até nossos quartos e dessa vez eu não discuti com o Pedro, mas antes de entrar eu seguro sua camiseta chamando sua atenção:
— Aquele beijo não significa nada, eu ainda te odeio. – solto ele sorrindo após ter dado meu aviso e fico confusa quando ele se aproxima de mim.
— Claro que não, para mim você ainda é um leãozinho irritante. – ele fala próximo ao meu ouvido e eu prendo minha respiração. – Boa noite. – ele sorri de lado se afastando e eu solto o ar ao entrar no quarto.
— Noite. – forço um sorriso e fecho a porta. Assim que entro me jogo na cama e olho para o teto por alguns segundos. – Por que você fez isso, Mari? – jogo uma almofada nela.
— Só você que não percebeu a tensão entre vocês dois, eu só ajudei. – ela dá de ombros. – Agora vai tirar a maquiagem, colocar um pijama e dormir. Suspenderam os três primeiros períodos por causa da festa, mas ainda temos aula amanhã. – a morena diz com seu jeito mandão e eu obedeço embora esteja quase dormindo.
— Boa garota, mamãe te ama. – ela brinca.
— Ridícula. – ri e em menos de 10 minutos desligamos as luzes.
Antes de dormir me lembro do beijo do Pedro. O pior é que eu gostei, é como se ele fosse uma bebida boa, que você tem vontade de repetir a dose, só para sentir a sensação outra vez. O que é uma pena, porque se eu sou um leãozinho irritante, ele é um idiota egocêntrico que não vale à pena.
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Após algumas horas acabamos de organizar tudo, a Mari vai tomar banho e eu vou para o corredor procurar o quarto do Daniel. Além dos quartos serem separados por sexo, eram separados por corredor. Nada surpreendente para esse tipo de Colégio. Finalmente acho o quarto, tiro um lado do fone e depois de conferir o nome, dou algumas batidas na porta. Espero e nada. Tento mais uma vez, sem sucesso. Então começo a bater sem parar. Alguém tinha que atender essa porta. O que não demorou muito:
— Qual é o seu problema garota? – um garoto de cabelos castanhos um pouco bagunçados abre a porta com uma expressão visivelmente irritada. Decido ser simpática, afinal esse é o colega de quarto do meu melhor amigo e eu vou ter que ver ele direto.
— Oi, meu nome é Melissa e… – antes que pudesse continuar sou interrompida.
— Eu não perguntei seu nome, eu perguntei qual o seu problema. – Ele me olha como se fosse uma perda de tempo falar comigo. Nem preciso mencionar o quanto isso me irritou. Principalmente ao lembrar a minha boa vontade de ser simpática. Que garoto idiota! Sorri falsamente e o encaro com desprezo.
— Legal. Meu amigo está nesse quarto e eu quero falar com ele. O meu problema é que você está na minha frente. Será que você poderia fazer o grande favor de me dar licença?
— Por que não falou logo? – ele sorri com um ar de cinismo e me dá espaço. Reviro os olhos e entro esbarrando nele propositalmente. Percebo que o Daniel não estava no meu campo de vista e o chamo aumentando minha voz. – Ele está tomando banho. – o garoto fala com indiferença deitando em sua cama.
— Não me lembro de ter te perguntado alguma coisa. – cruzo os braços e fico a uma distância considerável do desconhecido lá.
— Nossa você é muito chata – sinto seu olhar sob mim e me viro para encará–lo.
— Olha quem fala. – retruco e xingo o Daniel mentalmente por estar no banho justo agora.
— Você que apareceu aqui e ficou batendo na porta sem parar. Além de chata é irritante.
— Entre pontos e vírgulas. Capítulo 1 – Leãozinho irritante.
O que você faria quando o seu passado aparece na sua frente após você finalmente ter o superado? Eu pensei que seria algo natural, mas algo me diz que não. Aquela sensação de que a pessoa vai bagunçar sua vida me atingia gradativamente. O que não era justo. Finalmente as coisas tinham se acertado após tanto tempo. Meu irmão me dizia que sempre há calmaria antes da tempestade. Bom, acho que ele está certo, e não é a primeira vez que isso acontece.
"Eu posso ser difícil de lidar, dançar pela casa sem nada além do som ligado. Eu posso ser um escândalo, falar demais e em seguida chorar no chão do banheiro"
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— E aí, gente? – Raff chega sorrindo amigável, o oposto da tensão que predominava entre nós agora. – É impressão minha ou a energia aqui está pesada? – olho para ele sem expressar reação. – De novo? Ah não. – ele resmunga.
— Chegamos! – a ruiva exclama agitada quando entramos em uma sala vazia. – Nós vamos jogar verdade ou desafio. Mas ainda tem gente chegando, então, por favor, não se matem nesse meio tempo. – Ela olha para mim e o Pedro.
— Não exagera. – bufo e mexo no meu cabelo.
— Como você faz? – o de cabelos castanhos responde e eu vou a sua direção na hora.
— Escuta aqui, você não me conhece.
— Conheço o suficiente para perceber que você faz drama em relação a tudo. – abro a boca um pouco ofendida. Ele estava conseguindo me tirar do sério hoje.
— Você é tão prepotente se achando um deus, mas não passa de um rostinho bonito. – retruco a ponto de entrar em ebulição.
Entre pontos e vírgulas: Capítulo 2 – Verdade ou desafio?
Uma mecha do meu cabelo estava quase ficando lisa porque eu não parava de mexer nela. Confesso que paciência não é uma das minhas virtudes. Não entendo qual é a dificuldade em achar meu nome no banco de dados. Me apoio no balcão da secretaria quase me deitando e fico esperando, já que não me restava outra opção. Depois de uns dois minutos verificando meus documentos e me fazendo assinar alguns papéis, a recepcionista finalmente levanta, vai até o painel de chaves e me entrega uma com a numeração do meu quarto.
— Aqui está a sua chave. Tenha um bom dia! – ela diz e eu agradeço forçando um sorriso. Logo me direciona ao meu novo lar. Se é que um Colégio interno pode ser considerado com um lar.
Entro no elevador com as minhas malas gigantes e cheias de coisas, aperto o botão do segundo andar. Olho meu reflexo e sorri ajeitando meu cabelo. Em pouco menos de um minuto saio e chego até o quarto que até então estava vazio. Olho no papel do lado conferindo os nomes. Minha colega de quarto é uma das minhas melhores amigas. Tivemos sorte de estarmos no mesmo quarto, já a Beatrice e a Isabella não tiveram essa sorte.
Abro a porta e dou de cara com a cena mais previsível: a Mariana limpando e organizando suas coisas.
— Mari! Você já está aqui! – entro com minhas malas e deixo no cantinho da parede para pular nela dando um abraço antes de me jogar na cama vazia.
— E eu pensei que você não ia chegar nunca, agora pode ir levantando porque a gente vai arrumar esse quarto – ela sorri enquanto guarda alguns objetos pessoais.
— Mas eu tô tão cansada! – tento protestar.
— Não está não. Sua cara está amassada e eu tenho certeza que você dormiu no carro – ela sorri convencida e me joga um pano.
— Okay, senhorita perspicaz – ela apenas ri com o meu comentário e eu resmungo desanimada indo desfazer minhas malas, já que discutir com ela sobre isso seria inútil. A Mari é aquele tipo de pessoa super organizada e que planeja tudo o que tem que fazer.
Conecto os fones de ouvido no meu celular e coloco no modo aleatório. Vou guardando tudo e aproveito para falar com o Daniel que também havia acabado de chegar ao colégio. Ele me passa o número do quarto dele para eu passar lá para irmos à cantina. Eu precisava de doces pra melhorar meu humor.
Após algumas horas acabamos de organizar tudo, a Mari vai tomar banho e eu vou para o corredor procurar o quarto do Daniel. Além dos quartos serem separados por sexo, eram separados por corredor. Nada surpreendente para esse tipo de Colégio. Finalmente acho o quarto, tiro um lado do fone e depois de conferir o nome, dou algumas batidas na porta. Espero e nada. Tento mais uma vez, sem sucesso. Então começo a bater sem parar. Alguém tinha que atender essa porta. O que não demorou muito:
— Qual é o seu problema garota? – um garoto de cabelos castanhos um pouco bagunçados abre a porta com uma expressão visivelmente irritada. Decido ser simpática, afinal esse é o colega de quarto do meu melhor amigo e eu vou ter que ver ele direto.
— Oi, meu nome é Melissa e… – antes que pudesse continuar sou interrompida.
— Eu não perguntei seu nome, eu perguntei qual o seu problema. – Ele me olha como se fosse uma perda de tempo falar comigo. Nem preciso mencionar o quanto isso me irritou. Principalmente ao lembrar a minha boa vontade de ser simpática. Que garoto idiota! Sorri falsamente e o encaro com desprezo.
— Legal. Meu amigo está nesse quarto e eu quero falar com ele. O meu problema é que você está na minha frente. Será que você poderia fazer o grande favor de me dar licença?
— Por que não falou logo? – ele sorri com um ar de cinismo e me dá espaço. Reviro os olhos e entro esbarrando nele propositalmente. Percebo que o Daniel não estava no meu campo de vista e o chamo aumentando minha voz. – Ele está tomando banho. – o garoto fala com indiferença deitando em sua cama.
— Não me lembro de ter te perguntado alguma coisa. – cruzo os braços e fico a uma distância considerável do desconhecido lá.
— Nossa você é muito chata – sinto seu olhar sob mim e me viro para encará–lo.
— Olha quem fala. – retruco e xingo o Daniel mentalmente por estar no banho justo agora.
— Você que apareceu aqui e ficou batendo na porta sem parar. Além de chata é irritante.
Quando vou responder o menino de cabelos castanhos, ouço uma porta abrir, olho na direção vendo o Daniel passando a mão no cabelo e bagunçando um pouco os fios. Depois disso ele coloca uma blusa, já que o mesmo estava apenas de bermuda. Ri nasalado e vou até ele sorrindo.
— Você gosta de se mostrar né – abraço ele e recebo um beijo na bochecha.
— Não posso fazer nada se você tem uma queda por mim – ele brinca e eu ri fraco.
— Tá sonhando demais já – brinco também e mexo no meu cabelo.
Acho relevante mencionar que além de ser meu amigo de infância, Daniel foi meu namorado por 3 meses. Pois é, mas às vezes nem parece que aconteceu nada, já que nossa amizade continua sendo a mesma, ou até mais forte que antes.
— Então você já conheceu o Pedro? – fico com cara de tédio na hora.
— Infelizmente. – percebo que o garoto me olha com as sobrancelhas franzidas, dou de ombros e volta a olhar pro meu melhor amigo. – Vamos logo Dan, eu tô com fome! – resmungo e ele coloca os tênis.
— Você é muito apressada – o de olhos azuis ri enquanto vai até a porta comigo – Já volto – Ele fala pro colega de quarto dele que fala um “okay” baixo sem desviar a atenção do celular.
Saio com o Daniel do quarto, suspiro frustrada e começo a reclamar.
— Nossa, esse Pedro é um pé no saco. E ainda me chamou de chata e irritante. Odiei ele.
Ouço risadas e me viro com olhar mortal na direção do Daniel.
— Não achei graça…
— Eu achei. Você conseguiu arrumar intriga com a primeira pessoa que conheceu Melissa. Deveria receber uma faixa de Miss Simpatia – ele simula estar agradecendo o título e eu o empurro bufando.
— Você é ridículo. – olho para ele com cara de tédio.
— Quer uma coroa também? – ele continua brincando, então eu simplesmente ando mais rápido e o deixo para trás.
— Okay, okay, desculpa Mel – ele me abraça e eu acabo soltando uma leve risada.
— Eu não consigo ficar brigada com você de qualquer maneira. – dou de ombros.
— Eu sei – ele sorri e chegamos à cantina. – A Bella já chegou? – ele pergunta enquanto olha as coisas. Isabella é a minha prima, mas sempre a chamamos pelo apelido. Eu, ela e o Daniel somos amigos de infância, praticamente criados juntos, então somos bem próximos.
— Ainda não, ela ainda estava terminando de arrumar as coisas dela quando eu vim pra cá. Mas logo ela chega com mil malas – ri fraco e peço balas e cookies. O Daniel pede salgadinho e refrigerante, que eu obviamente ia comer também. Ficamos conversando, lembrando das férias, até que uma certa ruiva vem em nossa direção agitada e sorridente.
— Vocês viram que amanhã vai ter uma festa? Já estou gostando daqui – ela senta do meu lado e joga o cabelo ondulado para trás.
— Oi Bella – falo com sarcasmo por ela ter chegado do nada sem falar nem “oi”.
— Oi oi! – ela dá uma risada e pega o refrigerante do Daniel.
— Não fala comigo, mas pega minha bebida? Nossa a que ponto chegamos? – o de olhos azuis finge estar decepcionado, mas logo sorri.
— Desculpa gente, mas eu realmente precisava falar disso. Onde estão as meninas? – ela se refere à Mari e a Bea. – Eu tô com sede ô coisa chata – ela resmunga para o Daniel e continua bebendo o refrigerante dele, que apenas dá de ombros.
— A Mari estava no quarto, a Bea não apareceu ainda.
— Na verdade eu tô aqui – me assusto com a Bea sentando do Daniel e a Mari do lado da Bella.
— Nossa avisa na próxima vez por favor, eu quase caí aqui – falo com a mão no coração.
— Drama Queen – a Bea cantarola me zoando.
— Me diga algo que eu não sei – ri e logo sou acompanhada.
E ficamos conversando até tarde quando começamos a ficar cansados. Não demorei muito para dormir já que amanhã teria que voltar a rotina de acordar cedo, que confesso que não estava preparada.
(…)
Acordo com um barulho estridente e repetitivo. Definitivamente não era o meu despertador. Pego meu celular e vejo que são 6 horas da manhã. As aulas começam apenas às 7:30.
— Você tá brincando?! – olho para a Mari desacreditada.
— Desculpa, eu acordo todo dia às 6 – a morena dá de ombros e levanta indo para o banheiro.
Desligo a luz, me cubro e durmo por aproximadamente 30 minutos até o meu despertador – que era mais calmo tocar. Mas mesmo assim eu não queria levantar e me arrumar. Quando viro para me aconchegar, ouço a voz da Mari autoritária:
— Eu te dou 5 segundos para levantar dessa cama e ir se arrumar ou eu te derrubo e te coloco no chuveiro frio.
E não foi preciso mais tempo para eu entrar no banheiro para tomar meu banho. Uma vez eu achei que a Mari estava apenas blefando quando falou isso. Nunca estive tão errada. Até hoje não sei de onde ela arrumou força pra me arrastar daquele jeito. Depois de tomar meu banho e lavar meu cabelo, o penteio logo após sair do box. Em seguida visto o uniforme: uma camiseta branca com mangas vermelhas e uma calça bailarina cinza, ambas com o brasão do Colégio no lado direito. Faço um delineado, que poderia facilmente ser considerado como uma marca registrada minha, além das argolas e do meu cabelo cacheado, embora às vezes eu mude um pouco quando fico entediada. Saio pronta do banheiro faltando apenas calçar meu tênis. Depois de pronta, saio com a Mari em direção o refeitório.
Quando chegamos lá, encontramos a Bea e a Bella conversando. A Mari chega animada e falando “Bom dia!”, já eu chego com a cara emburrada e só falando “Oi”. Meu humor de manhã é péssimo e às vezes melhora quando eu como, o que no caso eu ainda não fiz. O que significa uma Mel rabugenta e chata.
— Já estão de olho em alguém? – a ruiva pergunta interessada.
— Não, o único garoto que eu conheci até agora é um chato. – resmungo me sentando de braços cruzados.
— Pelo menos você conheceu algum – a Bea fala e eu dou de ombros antes de mudar de assunto.
— Preciso comer. Quem vai comigo? – a Bella se levanta.
— Eu! Quero conhecer os garotos desse colégio – ela sorri animada e eu reviro os olhos.
— Não pode esperar para fazer isso na sala ou na festa? – olho para ela com cara de tédio.
— Você quer comer sozinha? – ela sorri ironicamente e eu suspiro me levantando.
— Ok! – concordo porque a Mari já tinha comido uma barra de cereal no caminho e a Bea não come de manhã.
Vamos para a fila e a minha prima começa a falar sem parar. Parece que essa garota tem energia própria.
— Onde será que o Dan tá? – ela pergunta pensativa.
— Manda mensagem e fala para ele encontrar a gente. Simples. – dou de ombros e compro um suco de maracujá e um misto quente.
— Eu já fiz isso, mas ele não me respondeu – ela suspira encolhendo os ombros.
— Daqui a pouco ele aparece – voltamos para a nossa mesa e assim que sento, começo a comer.
— Não vai oferecer? – a ruiva fica me encarando.
— Não. Só divido comida quando estou com o humor muito bom.
— Grossa – ela resmunga rindo e começa a conversar com as meninas enquanto eu como.
Assim que eu termino meu café da manhã, percebo três garotos indo a nossa direção. Era o Dan, o colega de quarto chato dele e um garoto loiro de olhos azuis e piercing no lábio.
— E aí garotas? – Dan chega sorrindo fazendo charme e eu fico com a cara emburrada.
— O que ele ta fazendo aqui? – aponto para o Pedro, que acaba rindo daquele jeito cínico dele.
— É um prazer te ver de novo, Melissa. – ele sorri de lado ao pronunciar meu nome e me manda uma piscadinha para me provocar. O que ele tem de bonito, ele tem de babaca.
— Não para mim. – falo ainda com a cara fechada e o encaro, até que o Dan pigarreia e desvio o olhar.
— Esse é o Pedro, meu colega de quarto e esse é o Raphael, amigo dele. E eu chamei ele para conhecer vocês – me levanto e vou na direção deles.
— Prazer, Melissa. Essas são a Mariana, Beatrice e Isabella – sorri cumprimentando o Raphael e as meninas fazem o mesmo.
— Então você é o Leãozinho irritante? – ele ri parecendo surpreso.
— Desculpa, mas o que? – pergunto confusa.
— Pedro te chama assim, mas você não parece nada com o que ele falou. Quer dizer, você é realmente bonita, mas não parece ser chata, igual ele fala toda hora. – então olhamos para o Pedro, que dá de ombros, como se não fosse nada demais. Eu o encaro pensativa e depois dou um pequeno sorriso de lado. Agora é minha vez de afrontá-lo.
— Você já é tão obcecado comigo assim, Pedro? – falo com deboche.
— Não sei do que você está falando. – ele me olha com a mesma expressão de quando me viu pela primeira vez: como se eu estivesse desperdiçando seu tempo.
— Você não para de falar de mim e apenas me viu duas vezes. Cuidado para não se apaixonar. – falo de forma provocante pisco para ele.
— Então é melhor eu evitar que isso aconteça né? – ele fala com o mesmo tom que eu, acena e sai andando, o que me faz semicerrar os olhos.
— Que idiota! – resmungo e me viro para meus amigos e vejo que o Raphael ainda estava lá conversando com as meninas.
— Ele não é tão ruim assim, ele só é assim com você porque você irritou ele – o loiro fala rindo e eu fecho a cara.
— Verdade – o Dan concorda e eu me viro pra ele com um olhar mortal. – Até eu me irritei com o barulho na porta e olha que eu estava tomando banho na hora.
— Eu acho que você tá exagerando, Mel. – a morena diz.
— Ou está com raiva de garotos em geral por causa do que aconteceu verão passado. – a loira dá de ombros e eu tenho vontade de matá–la.
— O que aconteceu no verão passado? – Dan pergunta confuso.
— Nada! – respondo de imediato.
— Parece que algum garoto quebrou o coração dela – o loiro parece me analisar.
— Vocês podem parar? Eu não sou uma bola de cristal para vocês tentarem adivinhar o que tem dentro. – falo um pouco irritada, levanto pegando minha mochila e saio do refeitório.
Eles estavam certos, mas aquele era o assunto proibido. Eu só contei para as meninas e para o Alex o que aconteceu. Não poderia contar para o Daniel, porque o garoto que quebrou meu coração foi o seu primo que é como um irmão para ele. E por tudo ainda ser recente, eu tenho certa resistência a qualquer aproximação.
Continuo andando e procurando a sala da primeira aula até alguém puxa meu braço. Olho pra frente e vejo uma garota com cabelo loiro, ondulado e com gloss rosa nos lábios.
— Se eu fosse você eu ficaria longe do meu namorado. – Ela me olha com raiva e eu me irrito mais ainda. Quem esse projeto de garota mimada pensa que é para falar comigo desse jeito?
— Primeiro: solta meu braço. Segundo: Eu não sei quem é você, muito menos quem é seu namorado. – ela solta o meu braço e eu semicerro meus olhos.
— Meu nome é Camille Adams e meu namorado é o Pedro Bauer. E você estava dando em cima dele. – começo a rir.
— Então eu não poderia me importar menos. – me refiro ao fato do namorado dela ser o Pedro. Até parece que eu vou querer algo com aquele estúpido.
— Eu estou te avisando. Você não sabe do que eu sou capaz. – ela fala apontando o dedo na minha cara. Eu seguro sua mão e abaixo ela abruptamente.
— Você está mexendo com a pessoa errada. E se eu fosse você nunca mais apontaria o dedo na minha cara, a menos que queira se machucar. – forço um sorriso e a loira puxa seu braço.
— Isso não vai ficar assim! – ela fala com raiva.
— É claro que não, isso apenas começou. – resmungo de volta intensificando o “isso” e saio esbarrando em seu ombro.
Quando penso que já estou perdida, acho as meninas e vamos juntas para a sala. Sentamos em uma mesma fileira, que ficava encostada na parede perto da porta. Alguns minutos depois os meninos chegam e sentam do nosso lado. Uma garota com cabelo ondulado na altura do ombro senta do lado da Bea e um garoto de cabelo escuro e olhos azuis senta atrás dela. Pouco antes de a aula começar, a loira que eu tinha discutido entra com mais duas garotas e senta ao lado do Pedro – que a propósito estava sentado perto de mim –, mas antes ela me encara como se estivesse me queimando com os olhos, o que me faz revirar os olhos.
— O que foi isso? – a Mari vira para trás me encarando confusa.
— Quem é aquela garota? – a Bella me cutuca.
— A namorada do Pedro sendo paranóica. – falo baixo.
— Ele namora? Mas vocês estavam flertando há alguns minutos atrás. – a Bea exclama surpresa atrás da ruiva. Olho para ela como se ela tivesse vindo bêbada pra aula.
— Você tá louca? Eu não sei quem de nós odeia mais o outro. – antes que pudéssemos continuar, recebemos uma bronca e ficamos quietas.
A primeira aula foi de química, o professor aparentemente tinha menos de 30 anos e era bonito até, o que provocou alguns comentários. As próximas aulas foram de matemática e gramática. Eu acabei cochilando na última, até ser acordada por um tapa na nuca do Dan, que estava sentado do meu lado. Olho para ele com um olhar mortal que é retribuído por um sorriso. Saio bufando da sala e vou direto para o refeitório, só que para a minha infelicidade a cantina tinha uma fila um pouco grande, o que me faz chorar por dentro.
Assim que pegamos nossos lanches, juntamos duas mesas para todo mundo sentar. Agradeço mentalmente quando a namorada do Pedro passa direto e vai para outra mesa com o nariz empinado, mas então fico confusa e curiosa. Primeiro me ameaça, e agora nem olha na cara dele. Alguns segundos depois Pedro senta bufando, então entendo o que aconteceu. O que eu faço? Nada, não é problema meu de qualquer forma e ninguém também tocou no assunto durante o intervalo.
A próxima aula foi de artes, a professora tinha um estilo hippie e fez uma dinâmica com relação aos sentidos. Nós tínhamos que passar em um corredor com os olhos vendados, pra usar todos os sentidos menos a visão: A audição, o tato, o olfato e o paladar. Esse último foi o mais gostoso, porque nos deram jujuba. Mal terminamos a dinâmica e tivemos que ir para o vestiário trocar colocar a roupa de educação física, que era um short legging vermelha e uma regata branca. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e vou para a quadra com a turma.
Eram duas quadras, uma para as meninas e outra para os meninos. A modalidade da aula era vôlei, e eu amo jogar vôlei. Eram 4 times, eu era a capitã de um. No meu time ficou eu, a Bea, a Mari, a Bella, a garota de cabelos ondulados e outra garota de cabelos escuros, que eu só tinha visto agora.
— Oi meninas, qual o nome de vocês? – pergunto para as duas que eu não conhecia.
— Eu me chamo Juliet, mas me chamem de Julie, por favor. – ela fala como se odiasse o próprio nome.
— E eu sou a Amy – ela sorri fraco.
— Eu sou a Melissa, essas são: Isabella, Beatrice e Mariana – falei apontando pra cada uma – Agora que estamos apresentadas, vamos dar o nosso máximo, porque eu realmente estou a fim de ganhar hoje. – dou uma pequena risada.
— É claro que vamos ganhar! – a loira fala convicta.
— E principalmente daquele grupinho de patricinhas sem sal. São um bando de frescas. – olho na hora para a Julie.
— Eu gostei de você! – sorri e ela ri.
Juntamos as mãos e soltamos um grito de guerra. Camille e suas minions que nos aguardem.
O primeiro time a jogar era o delas contra um da outra sala, que ganharam mesmo com a Camille fugindo quando bolas fortes iam nela, só que para a sorte dela sempre tinha alguém para defender. Mas infelizmente ela é a melhor sacadora do seu time. Depois jogou o nosso e outro time que ainda não tinha jogado. Ganhamos por 14 pontos de vantagem.
E agora? Sim é a “grande” final contra as bonecas, e sim, elas se intitularam com esse nome. O primeiro set nós ganhamos, elas o segundo, e o terceiro iria decidir, porque a aula estava acabando.
Estávamos empatadas com 19x19. E nessa hora chegou a minha hora de sacar, ou seja, mostrar todo o meu talento que eu escondi um pouco nesse jogo, incluindo meu saque especial que vou deixar pro final. Saco por baixo apenas para me aquecer e me surpreendo quando ninguém consegue pegar.
20x19
Saco por baixo de novo e dessa vez uma rebateu, eu dei manchete, a Amy levantou e a Julie cortou por cima do bloqueio triplo. Essa menina tem uma força que dá medo às vezes.
21x19
Outro saque, elas rebatem e a gente de volta, mas elas não conseguem passar a bola da rede.
22x19
Saco por cima, elas dão manchete, levantam, mas na hora de cortar bloqueamos, e elas não conseguem passar.
23x19
Continuo sacando por cima, uma das amiguinhas da Camille dá uma manchete forte, mas que acaba indo pra fora.
24x19
Como era o último saque, eu iria fazer o meu especial para fechar com chave de ouro. Faço contato visual sorrindo de lado. Se preparem queridas, porque eu tenho uma surpresa pra vocês, principalmente para o projeto falhado de garota mimada, vulgo Camille.
Faço um “saque viagem” e a bola acerta bem no rosto da minha querida amiguinha, o que fez ela gritar e começar a chorar. Achei um exagero, já que nem foi tão forte como ela diz! Okay, talvez tenha sido um pouco.
A Julie me olha sorrindo como se tivesse aprovado o que eu fiz. O nosso time foi comemorar, mas a professora e a maioria da sala foram ajudar a outra, que foi levada por alguns meninos do para a enfermaria. E já que faltavam uns 10 minutos para acabar a aula, fomos liberados.
Os meninos vieram na nossa direção, espero que não seja para nos abraçar, porque eles estão suados.
— Wow! O que foi aquilo? Vocês jogam muito bem! – Raff falou rindo e vindo abraçar a gente.
— Para trás! Para trás! Eu não vou abraçar nenhum de vocês, porque vocês estão suados. E a gente sabe disso – falei me afastando e depois sorri convencida.
— É verdade – a Mari fala fazendo uma cara de nojo.
— Será que a Camy se machucou muito? Acho que eu vou lá ver como ela está. – Pedro fala preocupado e olhando para a enfermaria.
— Mas eu achei que vocês tinham brigado ou algo parecido. – o loiro fala confuso. É eu acertei.
— É, mas eu acho que ainda estamos juntos, então até daqui a pouco. – ele sai praticamente correndo.
— Nós vamos tomar uma água, porque tem mais uma aula ainda, depois a gente conversa mais. – a ruiva falou e todo mundo assentiu indo para os vestiários. – E a propósito, essa é a Julie. – a Amy saiu assim, que o jogo terminou. – Ela senta do lado da Bea se eu não estou enganada. – Os meninos cumprimentam ela e então vejo que o moreno de olhos azuis também estava na rodinha.
— E qual é o seu nome? – aponto com a cabeça para ele.
— Brad Sandford – ele estende a mão e eu cumprimento ele.
— Okay, vejo vocês depois. – entro com as meninas no vestiário.
A última aula era de música, que como todas as outras disciplinas, tinha uma sala própria. A tarefa proposta foi uma demonstração de talentos relacionados à música. Me surpreendi com a variedade. Havia uns dois compositores, alguns cantavam, metade das garotas dançava, mas a maioria tocava algum tipo de instrumento.
Grupos, trios, duplas e solos se formaram. Olho para a Mari e a Bella, que rapidamente entendem o que eu estava sugerindo. Nas férias ensaiamos diferentes coreografias e uma delas era a de Why da Sabrina Carpenter, que foi a que escolhemos para apresentar. Coloco o instrumental da música, já que além da dança eu iria cantar. Já que o limite máximo da apresentação era 2 minutos, performamos apenas o refrão e alguns trechos. A Bea e a Julie se juntaram para fazer um cover de Chained to the rhythm da Katy Perry. Elas têm conversado mais desde a aula de educação física e descobrimos que elas são colegas de quarto. Enquanto a Bea tocava, a Julie cantava, o que acabou sendo uma ótima parceria, porque o resultado foi ótimo. A Camille e as outras duas amigas dela apresentaram uma coreografia de Down do Fifth Harmony. Era uma coreografia mais sexy e confesso que elas dançavam bem. Já os meninos apresentaram um cover de That’s what I like do Bruno Mars. O Pedro e o Daniel cantaram e tocaram, o Raff apenas tocou e o Brad ajudava na harmonia. Com todas essas apresentações, o tempo passou voando e quando menos esperávamos, o sinal tocou.
Fomos para o refeitório e a fila estava bem maior que no intervalo, já que era horário do almoço. À tarde tínhamos que escolher nossas atividades complementares, que iriam começar na próxima semana. Então tínhamos as tardes praticamente livres por algum tempo.
(…)
Os inspetores fizeram um tour nos mostrando tudo, como onde seriam as aulas complementares e entre outras coisas. Admito que fiquei um pouco surpresa ao ver o tamanho do colégio. Quando voltamos aos dormitórios ainda eram 16 horas, mas mesmo assim eu acabei dormindo e só acordei com alguém mexendo no meu cabelo. Ainda de olhos fechados dou um tapa na mão da pessoa, mas a mesma não para e eu resmungo abrindo meus olhos.
— O que você quer Daniel? – sento sonolenta na cama e olho pra ele brava por ter me acordado.
— Nós viemos chamar você pra comer – ele dá de ombros e continua sentado na minha cama.
— Nós? – pergunto confusa e vejo o Raff e o Pedro, o que me faz arregalar os olhos.
— Oi babona – o moreno acena rindo e o loiro o acompanha.
— O que? Eu não estava babando – resmungo e me levanto.
— Claro que não – sinto um tom de ironia na voz do Pedro e olho pra ele semicerrando meus olhos. Só paro quando ouço alguém, vulgo Dan pigarrear.
— Vamos logo – abraço a cintura dele sorrindo e saio com os garotos. – Alguém sabe que horas são? Eu acabei perdendo a noção do tempo.
— São 20:37 – o Raff responde.
— Obrigada! – agradeço toda fofa.
— Sério que é só comigo que você não é educada? – me viro pro Pedro com as sobrancelhas arqueadas.
— Você implicou comigo de propósito e você sabe que eu já tentei ser educada antes. Então a culpa é só sua – me solto do Daniel.
— Você está esperando um pedido de desculpas? – ele para na minha frente e eu paro de andar.
— No mínimo. – falo como se fosse óbvio e o Pedro se aproxima mais.
— Pode esquecer. – ele sorri.
— Eu odeio você. – empurro ele e fico entre o Dan e o Raff.
— A recíproca é verdadeira. – ele continua sorrindo e eu reviro os olhos.
— Vocês dois são como cão e gato. – Dan ri e eu olho para ele com cara de tédio.
— Ou tigre e leão. – agora olho para o Raff, que ri do próprio trocadilho por causa do apelido que o Pedro me deu.
— Por favor, parem. – bufo irritada.
— O que foi leãozinho irritante? Ficou brava? – sinto meu rosto ficar vermelho de raiva quando ouço o Pedro falando com aquele tom debochado que me tira do sério. Respiro fundo para me acalmar e não socar a cara desse idiota.
— Quer saber? Eu vou comer sozinha. – começo a andar na frente e conecto meus fones já abrindo meu aplicativo de música.
— Mel! – o moreno de olhos azuis segura na minha mão e me faz olhar pra ele.
— Por favor, Dan. Eu quero ficar sozinha – peço calma apenas para ele me deixar em paz e ele encolhe os ombros.
— Me manda mensagem depois okay? – aceno positivamente e coloco uma playlist aleatória para tocar.
A música sempre foi meu ponto de fuga, é através dela que eu consigo me expressar e acalmar. E era exatamente isso que eu precisava no momento: acalmar. Ando pelos corredores até que finalmente vou à cantina.
Pessoas vêm e vão, músicas começam e terminam e eu continuo lá mesmo depois de ter terminar de comer. Alguém deixa um chocolate na mesa que eu estou, o que me faz olhar para cima e ver a última pessoa que eu esperava encontrar.
— O que você tá fazendo aqui? – o moreno de olhos castanhos mexe em seu cabelo e me olha.
— Daniel me disse que você gosta de chocolate, então eu pensei em te dar um por causa do que aconteceu mais cedo. – arqueio minhas sobrancelhas e esboço um pequeno sorriso de lado.
— Isso é um pedido de desculpas, Pedro?
— Não, eu não peço desculpas. – ele pisca e sorri. – Te vejo na festa?
— Okay. – acabo sorrindo e aceno enquanto ele sai com as mãos no bolso. Olho para o chocolate e percebo que era o meu favorito. – Foi um pedido de desculpas.
— Agora tá falando sozinha? – me assusto com a Mari sentando na minha frente.
— De onde você surgiu? – pergunto com os olhos ainda arregalados.
— Eu estava conversando com o Raff, ele estava meio perdido. – ela dá de ombros. – E eu acabei de ver que o Pedro acabou de sair daqui. O que tá rolando entre vocês dois? – ela sorri e eu sei que ela está querendo bancar o cupido.
— Nada e nem vai. Primeiro: Eu não suporto ele. Segundo: Ele tem namorada.
— Se você não suporta ele, por que estava sorrindo então? – ela continua com aquela expressão e eu reviro os olhos rindo.
— Ele me deu chocolate para se “desculpar” embora não queira admitir. – volto a sorrir e mexo na embalagem.
— E o seu favorito. Humm… Por que ele tem uma namorada mesmo? – ela resmunga.
— Mari! – exclamo e bato no seu braço. – Pode parar! Agora vamos que precisamos nos arrumar para a festa. – levanto e puxo–a em direção aos dormitórios.
— Só se você me der um pedaço do seu chocolate. – ela me segue.
— Sorte sua que agora eu estou de bom humor agora. – dou uma pequena risada e ela dá uma mordida assim que eu estendo o chocolate.
(…)
— Eu juro que se você demorar mais cinco minutos nós vamos te deixar para trás, Isabella! – falo irritada para a minha prima.
Acontece que as meninas resolveram se arrumar no meu quarto, o que claramente virou uma bagunça. Agora nós três estamos esperando a Bella acabar de se maquiar, o que faz meia hora.
— Calma, eu acabei! – ela pega o celular que estava em cima da minha cama e vai para a porta.
— Finalmente né! – a Bea fala o que eu e a Mari estávamos pensando.
— Vocês me conhecem. Eu não saio sem maquiagem – ela dá de ombros. – E me agradeçam, porque eu trouxe algo para animar essa festa – ela mostra um cantil dentro da bolsa.
— Eu pensei que só eu tinha pensado nisso – sorri mostrando o meu na bolsa.
— Vocês duas são loucas – Bea nega com a cabeça surpresa.
— É de família – eu dou de ombros sorrindo.
— Vocês estão falando sério? – Mari nos olha como se estivéssemos sequestrando uma criança.
— Claro, eu tenho muito mais disso no meu guarda roupa se quiserem – a ruiva pisca.
— Vocês vão me ferrar tanto nesse colégio – a morena resmunga.
— Não seja tão dramática, Mari. Na festa de 16 anos da Mel você bebeu uns dez copos de batida, subiu em cima da mesa e começou a dançar. – a loira ri lembrando.
— Numa festa. – ela fala como se fosse óbvio.
— E é exatamente para onde estamos indo. – falo animada e puxo as três para o elevador.