Passado arado, presente contente.
Imagine algo que você quer muito. Se alguém, hoje, te der o que você pensou, você ocupará o seu tempo olhando para quando ainda não o tinha recebido ou aproveitando o presente? Por alguns anos, eu quis muito um tablet; quando juntei dinheiro para comprar um e ele esteve em minhas mãos, nada podia me separar dele. Corri para ver todas as suas configurações, ferramentas, funções... O tempo de múltiplos cadernos em cima da mesa ficou para trás, sem deixar saudades. Isso pode parecer óbvio: claro que vou querer desfrutar do que ganhei! Mas é isso que acontece quando recebemos presentes divinos?
Um dos maiores presentes divinos que podemos receber, segundo uma lista muito inteligente feita por alguém muito inteligente (eu), é o perdão. Nós sabemos que Deus perdoa os pecados daquele que os confessa (1Jo 1.9) e que, para Ele, eles não são mais levados em consideração (Hb 10.17). Por que razão, então, insistimos em olhar para o perdão e virar o rosto em direção ao passado?
"Ah, como eu era bom...", "Ah, se eu tivesse feito isso, seria diferente..." Ora, "quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino dos Céus" (Lc 9.62). É claro que temos bênçãos em nosso passado — afinal, nosso Pai não se cansa de cuidar de nós (Lm 3.22-23; Fp 4.19) —, mas desperdiçar o tempo (que deveria ser usado para agradecer a Ele) olhando para o passado e pensando em como não merecemos este presente — o que, de fato, é verdade — é burrice.
O retrovisor serve para uma coisa: nos mostrar de onde Deus nos tirou. Olhar para quem você foi e para o que você fez com o intuito de agradecer pelo que você é — filho de um Pai misericordioso e salvo do antigo pecado (Rm 8.15) —, sim, faz sentido. Perceber quão poderoso e misericordioso é o Senhor, que te libertou da antiga criatura, é encorajador! O que é mais poderoso do que Ele, para que Ele não consiga te libertar? NADA! Ele não só liberta, mas dá forças para passarmos por qualquer provação. Como a alegria transborda ao nos lembrarmos de uma verdade dessas!
Agradeço a Deus porque Ele não muda (Ml 3.6), e agradeço porque eu mudo. Assim como a bateria do tablet diminui, podemos passar por batalhas nas quais orar, louvar, agradecer e ler a Palavra são ações difíceis. Nesses momentos, é fácil ter inveja do nosso antigo "eu", de uma época em que essas coisas eram naturais como respirar. Acredite: se "mudou" para se tornar difícil, "mudará" para se tornar fácil. Basta se apoiar em Cristo, independentemente da situação, e lembrar que a vida é dura; o Senhor é bom. Deus continua conosco em todas as nossas versões, nos ajudando a superar e mudar o que for necessário em cada uma delas. Que o amor ao Senhor seja a nossa prioridade em todas as fases! Se o amor a Cristo for constante, todas as inconstâncias constantes serão superadas, sem necessidade nem vontade de olhar para trás.













