No fim do ano passado, com resultado das eleições, houve quem dissesse, eu disse, que seria difícil. Seria necessário uma retidão de propósitos e uma firmeza na maneira de se conduzir como cidadão, como pessoa. 'Força', foi o que eu disse e desejei a mim e aos meus.
Eu não sei vocês, mas para mim está sendo difícil. A gente não chegou à metade do ano e é um massacre a que somos submetidos.
É preciso sempre repetir óbvio, e transcrevo trecho do que a Milly Lacombe disse recente: "[...] É preciso qualificar o bolsonarismo pelo que ele é: totalitarista, fascista, racista, lgbtfóbico, apioador de milícias, de torturadores e da tortura."
Não há meio termo, votantes ou não votantes em Jair. Ou compactuamos com esses fatos, ou nos opomos a esses fatos, fazendo, cada um a seu modo, com seu alcance, no seu fazer diário, algo para que isso seja modificado.
Há duas coisas que quero chamar atenção:
1. A tática consagrada por Trump no jogo político. Chama, pelo que ando lendo, de 'Firehosing'. Termo em inglês que significa mangueira de incêndio. Basicamente, Jair faz isso quando 'vazam' notícias, denúncias, escândalos, medidas, etc, sobre seu governo(?). A imprensa repercute, ele volta atrás. E acusa de 'fakenews'. A ideia é, claro, descredibilizar a mídia em geral, sendo ele o protagonista e detentor solitário da pauta, sobretudo, da Verdade. É tática que, a um só tempo, o deixa sempre nos 'trending topics', bem como com o controle da narrativa. Com isso, ele é o que apaga o incêndio das cizânias - incêndio, claro, que ele mesmo causa.
2. O controle da narrativa é essencial. Não importa se é verdade, afinal, fakenews tornou-se basicamente notícias que desagradam o bolsonarismo e seus asseclas. Verdade não importa, a história deve ser contada somente por Jair. E para isso usam de uma tática do próprio jornalismo - e talvez do mundo dos esportes: 'Flood the zone'. Trata-se de expressão que indica conduta de sempre ser a pauta dos noticiários, jornais, portais, etc. Qualquer pessoa minimamente informada ou que busca se informar não vê nos veículos outra coisa que não se relacione a Bolsonaro, seus filhos, Olavo de Carvalho, militares, além de todas as pautas morais requentadas ciclicamente - Damáris está aí, comprovando a ideia.
Juntando esses dois fenômenos do jogo político, reforço o que já disse: Jair ainda está em campanha. E não sairá dela.
Não podemos conceder o benefício da burrice a Bolsonaro. Ou os burros somos nós - que nos opomos a ele e tudo o que representa. Ou pior, estaremos sendo ingênuos.
Esse massacre a que somos submetidos, nesses menos de seis meses, é proposital. E ó: não adianta esperar 'autocrítica' dos arrependidos que votaram em Jair. Não vai acontecer de maneira relevante.
A base de Jair tende a encolher até os 28%, 30%, sua base fiel. Essa base ainda é barulhenta, cansativa e fanática. Fanáticos estão muito mais interessados no outro do que em si mesmos. Ou não são fanáticos.
Não tem piada, não há parcimônia, é o tempo todo um massacre que nos cansa, exaure e esgota. Falem com os seus, abracem os seus, apontem os erros, coloquem-se pelo diálogo, mas não esperem autocrítica. Não virá.
E quando não houver mais como, quando tudo parecer sem saída e caminho, lembremo-nos: não precisamos ficar encabulados com nossa intolerância em relação ao adeptos do bolsonarismo olavista. O falso paradoxo que desejam nos confrontar de que somos intolerantes, quando sempre defendemos a tolerância é falacioso, sofisma debiloide.
Não tenho nenhum compromisso em tolerar fascista (sim, FASCISTA), racista, sexista, auotritário. Não tenho compromisso com quem acaba com a Educação, com a Saúde, com toda a classe assalariada trabalhadora com essa Reforma da Previdência destruidora. Não tenho compromisso em tolerar quem deseja meu extermínio e o dos meus.
Não há diálogo com quem passa pano para Jair. Só falta a coragem de quem o apoia se assumir sem o escudo de algoritmos e ondas de publicações das fazendas de likes que o elegeu em grande medida. PUNCH THE NAZI É O LEMA.
Filipe Oliveira
maio/2019