A filha da Rainha da Noite estava destinada a segir os mesmos passos maléficos que os seus antepassados, mas agora como princesa ela sabia que era apenas uma nota em uma canção muito maior, só esperando ser salva para depois torna-se a própria melodia. Ela entendeu isso logo na infância.
Antes de ir para Ever After High Primrose estudava tradicionalmente em casa, exatamente como deveria ser! Bom, ela até poderia estudar em uma escola com as outras crianças, mas era melhor não, ela nem ousava pensar nisso antes. Principalmente para não atrapalhar os sonhos de sua mãe, que vivia inteiramente pela arte e acreditava que todos deveriam escutá-la e reconhecê-la como rainha, por isso elas viviam viajando em turnê mundial pela Terra dos Contos de Fadas. Esse era o jeito mais doce de explicar para a filha as inúmeras tentativas de trazer a noite eterna e usurpar o trono de diferentes reinos pequenos, até ser derrota e forçada fugir em busca de outro reino para dominar, depois outro e mais um... Foi assim por quatorze longos anos, até que um dia, a Rainha descidiu se aposentar e comprou a maior parte das terras da família Lockes, sendo rapidamente aceita pela comunidade de moradores farta dos caprichos de seus antigos senhores. A vide contínuo, mas com o tempo todos notoriam que Primrose era despreparada...
Alguns anos antes, ela e sua mãe viajaram veloz pelos céus em uma carruagem puxada por pergasus imponentes. Toda a extensa corte seguia em um cortejo alado e confiante logo atrás, formando um rastro negro que poderia ser facilmente confundido, por olhos desatentos, com o início de uma tempestade impiedosa.
A Rainha acordou bruscamente, como se as horas de sono profundo tivessem levado toda sua paciência, também acordando acidentalmente a pequena Prim, de nove anos, que ainda fingia dormir. Ela pulou de seu assento e foi até a janela gritando para o cocheiro — Pouse agora, agora mesmo! — A carruagem obeceu as ordens da Rainha, descendo suavemente até aterrissar em uma clareira verdejante de solo amolecido.
Já em terra, sercados pela natureza banhada em crepúsculo, todos os membros da corte começaram a armar um acampamento suficientemente digno para realeza. Todos, menos as três damas da Rainha — que além de mensageiras e backing vocals, eram responsáveis pela educação da única herdeira de sua senhora — que tinha acordado completamente inspirada pelos sonhos tidos, sonhos esses que nem ela mesma sabia exprimir. Falava incansavelmente em projetos megalomaníacos, estava mais do que disposta a organizar novos shows, ver novos reinos, conquistar mais subordinados. Era certo que ficariam muito ocupadas.
Enquanto isso Primrose aproveitou a oportunidade única para fazer tudo aquilo que dificilmente faria sozinha. Penteou os volumosos cachos negros e as raras mechas azul profundo, reforçando também duas tranças presas uma em cada lado da cabeça com laços prateados. Escolheu um vestido apropriado para a ocasião, preto com capuz embutido, sem tantas anáguas como de costume, com colo e mangas decoradas por strass. Ela partiu sorrateiramente em direção ao coração da floresta, deixando a carruagem e todo resto pra trás. E cada passo dado na terra era anunciado pelo tilintar suave dos sinos magicos presos à coleira, da única e discreta companhia que tinha agora, seu bixinho de estimação aninhado embaixo do capuz, a pombinha Pip Colaratura. A caminhada foi vivênciada com atenção total à natureza e as suas formas, que nesse ponto, revelaram-se maiores e cada vez mais encantadoras, quase sempre se inclinando em direção aos últimos raios de sol do dia.
Primrose olhou curiosa para trás e ao perceber que alcançará uma distância considerável não pode deixar de rir sozinha de sua própria aventura particular, e por um momento ela se permitiu cantar de maneira despreocupada, perdendo o fôlego ao mesmo tempo que corria em círculos pela grama alta e afiada que delicadamente arranhava suas pernas.
Na meio da distração ela escorregou em uma pedra coberta por limo. Ela caiu. Diretamente em um arbusto. Pip voo para um lado e Primrose pro outro, tudo escureceu por um instante mínimo, mas ainda sufocante. Depois de muito espernear e se debater ela percebeu que tinha o atravessando por completo e caído de joelhos às margens de um lindo lago em que se passava uma cena incomum.
Uma menina da mesma idade dançava solitária. Ela flutuava sobre a água com naturalidade e delicadezas típicas de uma prima ballerina, Primrose duvidou de seus próprios olhos.
Primrose duvidou de seus próprios olhos, ela não sabia por onde começar, embora tudo fosse escrito de forma bem clara ela ainda se sentia socialmente perdida, carente de orientação. Conforme os dias na escola foram se passando ela se tornava mais fria e alheia, tudo fruto do medo que sentia, medo de que tudo que sua mãe havia dito antes de sua partida fosse uma verdade escondida dela por anos.
"Você poderia ser uma grande rainha, mas é covarde...Covarde, como pode?"
Por muito tempo ela manteve aquelas palavras queimando em seu coração, os sentimentos frágeis foram enterrados com a mais bruta indiferença, assim ela se sentia, indiferente na tentativa desesperada de não ser infantil — Ah.. a carta! — Ela jogou os pergaminhos de lado, o mais longe possível, para abrir o envelope. Deixando-se afundar na cama entre lençóis e travesseiros ela se perguntou poderia que fazer para provar o que nem ela mesma sabia o que.
Começou assim," Querida Prim, ...", as letras seguiam um estilo clássico e ao mesmo tempo excessivamente ornamentado, o papel exalava um aroma de lavanda familiar, preenchendo o coração de Prim com sentimentalismo. "Quero que você saiba que, embora eu e seu pai sempre estejamos discordando, concordamos que a nossa prioridade máxima agora é que garantir que você cumprirá seu destino com excelência. E quando ouvi as noticias sobre o que aconteceu em Ever After High senti um aperto no coração e não tive dúvidas que deveríamos incentivar o diretor Grimm a lhe dar um pouco mais de atenção. Cuide muito bem da flauta e não diga nada a ninguém! Ela concede ao portador uma vantagem sobre os outros, isso concerteza ira te ajudar, me impressione! Com amor, sua mãe."