Frevo da Razão by Do Amor (featuring Arnaldo Antunes) from the album Fodido Demais
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Frevo da Razão by Do Amor (featuring Arnaldo Antunes) from the album Fodido Demais

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Minha dor vai passar, o pesar vai passar. O amor vai viver e é água que você sempre vai poder beber.
Se tanto me dói que as coisas passem É porque cada instante em mim foi vivo Na luta por um bem definitivo Em que as coisas de amor se eternizassem.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Frenquência boa essa, hein meu filho?
Grata por recompor esta canção aqui comigo. Porque, afinal, parece então que o breu não é mais ausência de cor. E também talvez ainda não possa ser todas as cores. (Quais, afinal, não é mesmo?)
Teu corpo livre em medos meus, e vertemos para o mundo um apurado caldo quente, mas até que colorido… e tudo mais lançamos numa ainda hermética e muito gostosa vibração. Olha aí. É que no fim, tu é grande, eu sou pequena. E vice-versa, se é que visse o verso. E assim, diante de todas as distâncias tão imensas e variadas que existem por aí, neste passeio agradável, talvez a proximidade de dois corpos às vezes um pouquinho diferentes nem seja assim tão tão abaladora. Venha, então. Luz-pulsar. Quasares e jaguares para Gal.
Alguém que me conhecia então um pouco ao longe veio até mim e tirou as medidas exatas da minha loucura. Veja só, por uma simples pupila. Vê se pode. Viu assim que servia. Me pegou pela mão e levou pela rua a passear. Muito agradecida a todos os envolvidos. Pra frente é que se anda (sim, aqui, vocês sabem…). Isso deixa aqui de ser um sequestro, na medida que vocês, envolvidos, podem perfeitamente compreender. Livres? Sim. E nem tanto. Vamos agora colorir por aí, se é que me entendem.
Deu bom, hein?
Foi em sonho que você me veio hoje. Nós ali diante do mar. Fazia quase noite, vínhamos de um dia pleno de praia e o sol se punha naquele horizonte a nós tão familiar. A praia larga, a maré tranquila sobre a areia total. As ondas vindo beijar nosso pés e em seguida levar nosso gosto pro fundo. Nossas mãos entrelaçadas respondiam pela tranquilidade de todos os pulsos que resistiam em nossas artérias. Conexão orgânica. Imagem que me rasga maravilhada o peito e todos os outros sentidos para me compor. Devorar-se é isso.

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Os bichinhos, eles roubam nosso coração, você não acha? Como podem ser tão entregues assim, quase sem receios, mesmo aqueles que já sofreram tanto? Estou com saudades dos meus. Queria beija-los todos, fazer cafuné e carinhar. Ir carinhando assim até que adormecessem tranquilos ao meu lado. Daquela tranquilidade que se recebe pela respiração amena entremeada de um único suspiro inesperado, que vem de sobressalto de milésimos de segundo da entrega ao desarme despreocupado que representa o sono. Quase sempre acompanhado de um leve tremelique. Em seguida, novo silêncio entrecortado por respiração quase muda. Tudo em baixa frequência, suficiente para embalar também o meu próprio sono satisfeito de observá-los com calma. Uma cama plena deles pro meu coração pulsar na exata medida do amor. Uma vez ouvi que dividir a cama com alguém durante o sono é confiar completamente. É abandonar-se à sujeição de qualquer coisa, entendendo que o outro é tamanha extensão de si que não se corre risco de nada que possa vir de perigo. Eu hoje só queria meus bichinhos aqui comigo em meu coração que é vasto, mas já se ocupou deles.
Foi um aniversário difícil. “O mais reflexivo da sua vida”, disse meu pai logo pela manhã. Entristecida por ausências de pessoas, de capacidades, de imaginações, passei o dia junto de meus amigos que foram muito dedicados em torná-lo em lugar um pouco mais agradável. Depois vim pra casa e me postei frente a todas estas pessoas que tenho encarado nas últimas semanas. Grandes nomes por grandes ideias que gestaram e pariram, grandes desafios os meus em compreendê-las com alguma qualidade. Processos. Difíceis, mas são o que atribuem valor à vida também. Uma vida sem transformação é uma vida desperdiçada. Mais cedo achei que tudo estaria perdido porque não seria capaz de me modificar. Neste instante acredito um pouco mais sobre as possibilidades que podem se abrir. With a little help from my friends.
Hoje tenho novos remédios a tomar. Tentar remédios que me deem alegria. Depois coisas dessas da chatice da vida pra resolver. Sem amor tranquilo por hoje, também sem veneno antimonotonia. Eu acho. Mas tenho visita com alguma poesia e trocado pra dar garantia. Tenho pensado muito sobre a arma armada e apontada para a cara do sossego. Sem juízos valorativos por hora, só pensando mesmo. Daqui a dois dias serão trinta e sete anos os anos, entrando no trigésimo oitavo, e nenhum problema resolvido. Trinta e oito, essa a arma. É logo ali. Espero que não tanto. Não tenho problemas em envelhecer, desde que não seja muito pra mim. Não tenho problemas com o passar do tempo desde que você esteja comigo. Não quero morrer antes. Também não quero que você vá antes de mim. Dizem que quando isso acontece a pessoa se indigna porque a outra foi e a deixou aqui, depois da promessa da eternidade. Leminski. Um bom poema, uma vida inteira. Penso muito nisso também. É madrugada, estou agitada e por isso menos poética, eu acho. Estou urgente. Assim também será você gosta junto de mim? Remédios pra dormir, parece preciso também. Sempre fui contra porque nunca precisei. Eu acho. Agora vivo sobressaltada a esta hora da madrugada. As noites sozinhas não me agradam tanto. Talvez seja muito racionais pela cabeça. Pode sempre ser madruga como um homem na estrada. Ou ouvindo alguém me chamar. Sei lá, resolvi que não, não tão rápido, mas ainda assim me parece que não tem precisão. Gosto mais quando o dia amanhece e a luz entra, mesmo quando entra rasgando as retinas. Cerro os olhos e tudo se resolve. De novo penso sobre os trinta e sete, iniciando o ciclo dos trinta e oito… como será? Tanto a fazer, tanto pra estar e a vida passa tão rápido. Agora são outros os poetas. Aquele que diz que aos quinze tem saara na ampulheta, depois não. Rápido como um cometa. Manter tudo organizado, aqui dentro, como o que vem de fora também. Indigestão. Tive ontem algo dessa ordem, antes de me alimentar, e isso é difícil acontecer. Alguma coisa pelo caminho não me caiu bem. Inicio o fim de semana com muitas promessas de encontros mas não me bastam porque não tem você aqui. Reclamo demais é verdade. Vai me aceitar assim mesmo? Tem certeza? Ainda está em tempo de desistir. Você pode pensar bem e, bom, você sabe. É que às vezes eu ainda não acredito, sabe? - mesmo acreditando muito. Muito mesmo. Já vejo quase tudo. Não vejo tudo e é bom porque não estraga o que tem de surpresa. E eu sou muito afeita às surpresas nesses casos exclusivamente. Perdoa se estou objetiva de muito, é a ansiedade. Essa agitação que me sobressaltou. Três minutos pra tocar o despertador. Banho, alimento, e depois resolver tudo o que se mostra necessário hoje. Por querer eu ficava aqui só em nós hoje. Sempre. Por que mentir se não é preciso? Eu conto os dias de um futuro que não faço ideia - faço um pouco - de quando irá se fazer presente. O alarme tocou. Já te contei que detesto alarmes? Por mim, eles não existiriam. Tudo acordava no ritmo natural das coisas. Mas pra que mentir se não é preciso? Alice te parece um bom nome também, na colcha que temos a fazer nossos pontos? Agora eu ri um pouco. Boa sexta pra nós.