Até mesmo a meia-noite que corria pelos dedos Parara em sua presença Aos sinais respeitáveis de deidades Nomearam-lhe algo entre pele alva e cabeça rubra Onde-se vai, meu coração fugaz? O teu amor não está nessa terra A tentativa e erro seria arrancar pedaços de si E arriscar a sorte com garrafas ao mar Confesso: Desfiz-me em lágrimas aos pares de noites Enquanto entalhava versos Que gorjeavam uma saudade plena Colares os desatei de Átis E os pus em minha língua No beijo que voltara a meu amor Embedido nas regalias do tempo Ditos e paraninfos que nos norteiam Seriam os deuses dessa paupérrima era O ardil incêndio que perdura idades Recicla-se entre espera, comitiva e destino Mesmo que minha carne se desfaça E ela irá! Meu amor estará impávido Não sei se será caldo ou gritará Mas, o fruto terá teu cheiro nele Clamem pelo doutor Faça-o soletrar trinta e três já nos corredores Vi-me a imagem em tuas andanças sob meu peito E estou eu pálido, um eufórico contagiante febril Atrás de mim surge uma enorme porta de mármore Seria a morte me chamando, contudo sem sinal do barqueiro A indago se posso adentrar o recinto, sou respondido assertivamente Sou recebido por Psique na pele de meu amor, prometendo a eterna morte e vida entre deleites...
Eros Ébrio Nos Lábios de Platão, Pierrot Ruivo













