Lembra-se dos meus beijos em tuas securas ?
Lembre-se, porque memória é o que há de sobrar. Pó e heresias; poesias. As cartas que tenho na manga. Sobre você. Para recordar os escritos do nunca mais.
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Lembra-se dos meus beijos em tuas securas ?
Lembre-se, porque memória é o que há de sobrar. Pó e heresias; poesias. As cartas que tenho na manga. Sobre você. Para recordar os escritos do nunca mais.

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Sustos e sutilezas.
Minha tristeza espanta outras lÃnguas. O gosto gasta e o des atrapalha. Ninguém sente os detalhes do sabor. São os prefixos. O prazer é tão vão, mas eu amo percorrer as pernas da minha menina. O chão, o ferro, o chefe. Tudo é visÃvel. Mas meu mel, minha melancolia : não. As papilas miúdas, sentem o gosto minucioso do estrago. Todo gosto trás desgosto. Acordo assustado, desço do metrô. Sinto o sabor de cansaço, me desgasto sento sutil. Não gosto de rotina, e ainda sim, as palavras seguem sendo repetitivas.
Olhares risonhos e ares sonsos.
Sentia o corpo dela contra o meu em uma eclosão de artifÃcios. O gosto de pavoneio difÃcil, apurado, tanta falta sinto do deleito de nossos seios roçando, em uma conjunção imperfeita e lenta. Meu rosto geme contra a parede clara, sombra escura. Ausência de certeza, meus escritos estão tortos - eu sóbrio. Atrito meus delÃrios e martÃrios, em delitos e suspiros. A tortura e a longevidade acabam dando lugar as damas. Posição dura, inclinação de 90 graus, toques frios. A textura da parede, apertos, dispenso pensamentos. O concreto guardou meus segredos e eu fiquei assim, abstrato.
No triscar da alma No enroscar do cacho No voz tão calma Na volta do mercado No sol de meio-dia No beijo devorado No dengo da monotonia Na flor vermelha e mucha Na rua da sua casa vazia No olho do furacão No perigo da saÃda Em todos os lugares Em todo desaguar No ponto de partida De cada rosto antigo Das vozes ao incomodar O verso inconcluso, Eu vi você lá. Eu te vi nos meus braços Na pele de animal Nas flores de aço Nos olhos do mal Na nuvem sob o sol Na atração do inverso Na rua que faz eco No pé travesso Um menino em medo Da queda espacial No sorriso amarelo Dos astros espaçados Das galaxias sem elo Nas coisas que não falo Na musica repetida Em um paÃs distante No apertar do laço Na costura do vestido No grito do final No sino de alarde No passo que insisto No gosto de tarde Na leitura igual De olhos cuspidos Do sol de meia-noite Na maldade do adeus. Se nesse tempo todo em meu peito arde Você esteve lá mas não falou comigo Acho que já vou tarde de um detalhe antigo.
Eu errei. Eu Ana, logo eu. Acredita ? Nunca pude. Nunca tive medo. Nunca tive vergonha. Nunca tive você. Abracei meus prezados amigos. Os baús de nãos, nadas e vãos. Eu gritei em desmedida. Chorei tendo pavor, Escondi o rosto. Você acredita? Nunca fui de fato eu. Mas ainda assim, eu te amei e você nunca vai saber.

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AntÃstrofe.
Elaborei algum ode incompleto, capaz de chegar ao intimo do seu sono. Seus sonhos. SonÃfera por demais aos enfermos. Foi a intencionalidade da composição, hidrocarbonetos e calor, ela não é apropriada. Caro fascÃnio, deixando-me todo miserável de outras riquezas. Jamais cantarei, grafarei ou repousarei sobre nós. Sabiá inalcançado ao ar de agosto. Destina-se ao boreal, cá coisa alguma lhe compete. Na sua face tramontana inspirada, para acabar liquida. Do que tracei na falseta, não prenda-se nem ao que realizei por você. Na canastra, na alta-roda, a brandura, a vaidade. À procura de cólera, você criou asco ao meu alheamento das emoções. Nesse instante, um ar de disposição me toma, mas posso, devo dizer ? Melancólica chona, negrume banhado por éter. Eu derreti, simbólica, indisposta, alucinada. Mande-me um sinal de bondade, você triturou meu coração, meu âmago. O amor da cor de um pedaço de plástico. Afaste-se das minhas flores no canteiro de bom grado, para que nos tornemos abstêmicos.Você arrastando-se de quase derreter, é coisa que já vi acontecer comigo. Prefiro fechar os olhos e cuidar das flores. Tédio dos seus subterfúgios, de sufocar-me com seus ciclos nocivos. Já ansiei suas gargalhadas, quando o amor era tudo o que me regia e tu inclinou-se de minhas aspirações. Não me chore essas lagrimas ficticiosas. As sobras atormentam mais do que o vazio. Não há mais você desmantelando seu padecimento de consideração, dolorido meu peito vendo-te em um leito. Leito de damas, sacanas e de adeus. Mas eu criei um ode junto a um ódio teu.
Esvair - a menina do último vagão.
Estava cansada dos meus vazios - e se foi. Não quis a aborrecer, lancei para longe toda saudade e aprendi sobre idas.
Se encheu de pessoas novas e amores vãos. Questiono-me se não esgotá-lá no fim, foi tão bom quanto pensei que seria. O que será dela, quando estiver já cheia de todos?
Paciência.
Deslizam pelo meu corpo suado os horrores calados, calorentos - infernais. Derreto devagar os desejos, anseios e partes ectodérmicas. Lanço uma afiada navalha nos cabelos, cortando os excessos, a audição e cerca de dois dedos de decepção. Então, lentamente retiro a sola grossa dos pés, e piso delicadamente nos canteiros de flores; meus sentimentos. Quando já me faltam forças, despida e inerte, sarro meus bÃceps contra a parede espinhosa do meu estado e assim os ralo. Ficando sem movimentos mas calma, tão calma, tão calada. Omissa, espero que as larvas e vermes gritem por mim, demonstrem o que senti por entre minhas sobras. Enquanto pregam-me na boca os sabores das pragas na horta, os bichos sorrateiros devoram meus restos. E quando penso que já não tenho nada, engano-me outra vez. Tenho vida. Um nada com vida. E estou aqui.