Fernanda tinha seis anos e queria brincar, mas precisava decorar a tabuada. Queria muito, mas seus pais diziam que “querer não é poder”. Fernanda tinha dez anos e queria comer batata frita, mas a janta era apenas frango e arroz; e querer de nada adiantava, pois querer não é poder. Fernanda tinha quatorze anos e queria ir à festa de aniversário de uma amiga, mas o pai a achava muito nova e repetia o mantra: “querer não é poder”. Fernanda então fez dezessete anos e se decidiu professora de artes, mas seus pais acharam melhor que fosse arquiteta. Fernanda desistiu de querer, e passou a poder muitas coisas que nunca quis. Seguiu até os quarenta querendo pouco, podendo menos ainda; deram-lhe, em seu aniversário, o segundo livro de sua vida, mas o primeiro de auto-ajuda.
Leu a máxima: “basta querer para conseguir”. Lembrou-se então de sua infância, não entendeu mais a vida e percebeu que só podia querer.








