the mood is set so you already know what’s next (POV)
Sábado à tarde, Lance e Celeste almoçaram juntos e pararam depois para tomar um drink na casa da maga de fogo, como colegas de negócios próximos geralmente faziam. Estavam em uma das salas de estar, a mais acochegante para um sábado ensolarado, ainda que frio. Com a lareira ligada, sentavam ambos no sofá com a distância de um pouco menor que um lugar vazio entre os dois, mas com os corpos virados um para o outro. Lance tinha um uisque em sua mão e ela tomava um Gimlet com uma dose pequena de álcool, apenas para passar o tempo ao seu lado.
— Os Vanderbilt vão se separar, finalmente — Lance continuou a conversa que estavam anteriormente, em que colocavam em dia as fofocas da alta sociedade. Celeste não tinha muito interesse nelas a nível saber mas saber o que que pé estava cada família poderosa de Victoria era uma coisa inestimável. Admitia a necessidade e o poder disso e o mago de terra era muito bem informado nesse quesito.
— Finalmente — ela ecoou suas palavras. O Sr. Vanderbilt era um cara detestável e em sua sincera opinião, sua esposa tinha aguentado por tempo demais. O divórcio podia ser visto a quilômetros de distância — Como ficam os negócios?
Lance bebericou o uísque antes de falar.
— Não vai ser uma separação amigável. A filha e o caçula parecem que estão do lado da mãe, enquanto o outro tomou o lado do pai.
Os Vanderbilt não eram aristocratas e começaram a construir o nome e a fortuna da família no início do casamento, sem acordo pré nupcional em vista. Seria um divórcio ligitioso e isso era muito, muito ruim para os negócios, era o que ele estava dizendo.
O mago de terra lutou contra um sorrisinho de canto.
— Estamos felizes que não investimos antes — ele falou de uma forma de uma forma que dava a entender que tinha algo mais e Celeste arqueou as sobrancelhas.
— Mas é possível — continuou, com um tom quase sonso — Que nos ajude a entrar no mercado de vez.
Celeste esboçou uma risada cúmplice, sabendo que se estavam falando de possibilidade, provavelmente já tinham discutido isso centenas de vezes em seu escritório e traçado algum plano. Ele imitou sua risadinha e tomou novamente um gole do uísque. A maga de fogo lembrou-se do que tinha dito à Cedric vários dias antes, ou pensado pelo menos, que achava que seu tipo eram homens que tinham algum projeto ou responsabilidade sob sua asa, algo que os acendesse alguma paixão em vez de apenas lazer e prazeres.
Podia ver isso em Lance. Podia ver que uma faísca de paixão pelo que fazia, ainda que fosse um jogo um pouco cruel o que jogava.
Ela tomou um gole de seu gim, enquanto pensava, também, no quanto era injusto que tivesse passado a semana pensando em outro homem enquanto Lance estava ali, bonito e disponível. O que estava fazendo perdendo seu tempo e gastando energia com um caso que não poderia sair do quarto? Uma relação que, apesar de tudo, tinha um prazo de validade certo? Com alguém que não poderia, nunca, construir um futuro? Do que adiantava ficar analisando os próprios sentimentos, querendo saber se estava apaixonada ou não, se no fim, não poderia fazer nada com isso? O que sentia não valia de nada, na prática.
Olhou para o tapete à sua frente. Realmente, tinha ficado cega. Tinha perdido o foco no que importava, que era sua família e seu futuro. Estava negligenciando o relacionamento com o homem que muito possivelmente iria casar em prol de… o que? Alguém que arruinaria sua vida se o caso dos dois vazasse. De alguém que a ignorava após uma transa, saía do quarto fugido e não a contatava fazia quase uma semana?
Celeste voltou a observar Doyle com mais interesse. Ele falava distraidamente algo sobre o último jogo de golfe com alguns investidores, mas ela não focou em suas palavras. Olhou seu rosto com mais atenção, passando os olhos pelos dele, que eram de um azul escuro profundo; pelo nariz robusto e pela boca rosada, que já tinha beijado diversas vezes. A barba rala complementava bem suas feições, dando-lhe um ar mais sério.
Tinha que concordar com Barbara, ele era mesmo bonito.
Retornou o olhar à sua boca novamente, lembrando-se como era beijá-lo. O casal já tinha se envolvido em carícias mais profundas algumas vezes desde que ele voltara a Victoria e todas as vezes tinha sido suficientemente agradável. Lance continuava a parecer interessado em colocar o prazer dela em primeiro lugar e ainda que não fosse a mesma coisa que com Cedric, poderia se acostumar com aquilo. Ambos se davam bem, também, a conversa fluia tranquilamente com as habilidades sociais aprendidas pelos dois, e não era desagradável passar tempo com ele. Aquilo poderia até ser bom, se ela tentasse fazer dar certo para além das aparências.
Inspirada, Celeste levou a mão até a esquerda dele, que descancansava no sofá enquanto o mago de terra tomava um gole de seu uísque. Ela cariciou sua mão e amansou a fala, olhando-o sugestivamente.
Lance parece ligeiramente surpreso, positivamente surpreso, e isso se mostrou em sua pergunta.
Era tarde de um sábado ocupado para os dois, afinal, e eles tinham tirado apenas um momento rápido do dia para passarem juntos, com certeza ele não esperava isso. Ela também não, inicialmente.
Celeste assentiu e viu os olhos do moreno escucerecem de desejo quase imediatamente, fixando o olhar no dela.
— Você tem algum compromisso? — ela perguntou.
Com os olhos já nos lábios dela, ele respondeu quase sem pensar:
Celeste se encontrava enrolada no lençol, nua e ofegante, após o esforço que fizera nos últimos incontáveis minutos. Com Lance, tinha continuado a dominar na cama como era seu costume fazer, mas dessa vez tinha relaxado mais, aproveitado mais, se permitido um pouco mais.
Ele também estava de olhos fechados ao seu lado, com o peito definido subindo e descendo e tentando controlar a respiração. A maga de fogo virou mais o rosto para ele, analisando-o novamente e desceu os olhos por seu peito, abdômen e todo o resto, voltando para sua face ao fim da inspeção. Se não estivesse cega por causa de seus sentimentos por outro homem, teria percebido mais cedo o quão atraente ele era para ela.
— Seja honesto comigo — ela começou, em um tom divertido, e Lance abriu os olhos, olhando-na interessado. — Eu sou sou o seu tipo?
Ele praticamente bufou em um escárnio quase jocoso, esboçando um sorriso.
— Você é o tipo de todo mundo, Celeste.
A maga de fogo se remexeu na cama, virando o corpo em sua direção e tirando as costas do colchão.
— É sério, estou curiosa.
— Deuses, é claro que sim — ele se aproximou, e pegando em seu rosto, deixou-lhe um beijo rápido em seus lábios. Depois colocou uma mecha que caia na frente de seu rosto para atrás de seu ouvido — Você é linda. Deixaria qualquer homem louco.
Ela abriu um sorriso e deitou na cama novamente, enquanto ele se levantava da cama e pegava a boxer que ficou jogava ali. Olhando sua bunda firme de exercício e suas costas largas, comentou:
— Você também não é nada mal.
Lance riu, já se vestindo.
Celeste perdeu um pouco o sorriso, ficando mais séria e reflexiva, e demorou alguns segundos para respondê-lo.
— Eu estava pensando… Não estamos nos vendo tanto — falou e usou da ênfase para deixar claro sobre que tipo de encontro estava se referindo. Também não se viam fora do quarto tanto assim, na verdade, mas aquilo não era o importante no momento. — O ritmo que estamos talvez seja algo que você não está acostumado. Me perguntei se tinha algum motivo para isso, além das nossas agendas.
Desconsiderou o motivo dela não o procurar tanto, querendo saber o porquê ele não fazia. Ele devia sentir falta. Lance era, afinal, um homem muito bonito e certamente cobiçado. Opções não deviam faltar e sua vida sexual devia ser bastante ativa, como o esperado, antes de cortejá-la.
— Eu não quero que se sinta pressionada a nada — ele afirmou, também mais sóbrio e sem tirar os olhos dela, ainda que no meio de um esforço de recolocar sua calça preta.
Se não queria pressioná-la, naturalmente não iria iniciar nada. Dada a natureza da relação, fazia sentido que ele não quisesse que ela se sentisse forçada a comparecer na cama sempre. Que não se sentisse forçada a comparecer na cama de forma alguma. Ambos sabiam que aquele relacionamento que não era totalmente espontâneo e nem tentavam fingir que era. Claro, a atração estava presente, a química também, de certa forma, mas ainda assim… Se não tivessem um claro objetivo, estariam juntos, ali, naquela cama?
— Certo… — Celeste assentiu, concordando e apreciando seu zelo — Mas eu quero saber o que você quer, também. Não precisa me esperar sempre.
Entendia seu argumento, mas será que achava que seria rejeitado se tentasse algo com ela? Será que seu desinteresse anterior era tão óbvio assim? Esperava que não.
— Você quer que eu inicie mais vezes? — ele perguntou.
— Pode ser — respondeu, ainda hesitante. Podia ver em seus olhos o quanto ele a desejava nesse quesito e percebeu-se temerosa com as consequências de seu pedido. Estava disponível, mas não tão disponível assim, e por isso deixou claro: — Não posso te garantir que eu vá corresponder todas ou até mesmo muitas das vezes… Mas eu gostaria de saber, sim.
Lance pareceu tranquilo com sua resposta, o que a confortou. Ele terminou de encaixar o cinto e se aproximou, pegando a blusa social branca do chão aos seus pés.
— Sei que está muito ocupada, Celeste — disse gentilmente, ainda sem colocar a camisa — E cansada. Talvez quando as eleições acabarem e você ganhar… — ele sorriu para ela e a maga de fogo revirou os olhos divertidamente, o que fez ele rir — Agora realmente preciso ir — afirmou, com uma urgência súbita traduzida em sua voz e na pressa de suas ações. Lance se aproximou novamente da cama e alcançou na metade dela, dando um beijo rápido de despedida em seus lábios.
Quando ele já estava fora de vista, Celeste caiu novamente na cama, suspirando. Poderia ser bom, se decidisse investir no que era certo.