let them whisper: i am still the one they bow down to.
NOME: Seamus Amun Essaex II
APELIDO: Seamus, O Tolo
IDADE: 57 anos
TRAÇOS: imprevisível, astuto, ardiloso, evasivo, resiliente, volúvel, imprudente, extrovertido, inovador
Seamus Essaex não nasceu para governar, apesar do ter sido nomeado em homenagem a um famoso antepassado. Era filho de um segundo filho, uma criança enfermiça que viera tarde demais em um casamento fracassado, o consolo da mãe e o orgulho do pai. Ninguém acreditava que ele viveria muito, visto o histórico de morte precoce de seus irmãos já falecidos, e também não havia muita importância se o faria ou não já que era o terceiro na linha de sucessão. Tinha um primo mais velho e então seu próprio pai; teve a sorte de viver, pelo menos por alguns anos, a vida tranquila de poucas expectativas e exigências. Seamus se aproveitou disso para se lançar nos estudos de história e arte, geografia e geologia. Gostava de viajar e de estudar tudo o que se movia e não se movia, de animais a pedras. E claro, sempre também os corpos quentes que esquentavam sua cama. Era um jovem inteligente e espirituoso, porém dado a ataques de raiva e doença. Seamus sumia com frequência e voltava irritado e frustrado com a própria existência. Então retornava ao modo agradável de jovem e curioso estudante. Dono de grandes coleções de livros e roupas, Seamus era tido como um espírito livre e caótico, porém carismático e esperto na medida certa. Não se importou muito quando o pai morreu, sempre mais próximo da mãe.
Um acontecimento inesperado mudou para sempre a vida de Seamus: o primo herdeiro, Sean, faleceu em um trágico acidente de cavalo. Tudo então mudou. Seamus, que jamais tivera que prestar grande atenção a etiqueta ou ao futuro, precisou ser confinado entre paredes para aprender os ofícios que acompanhavam a coroa. Mais do que isso, tinha ganhado também um noivado! Sean já tinha firmado um compromisso com uma família poderosa, de maneira que não poderia deixar escapar o precioso enlace. Isso também o irritou, mas Meritaten era bonita o suficiente pra prender sua atenção. Era facilmente cativado por um rostinho bonito, mesmo que ela não sorrisse muito. Se casar e assumir o papel de herdeiro foi um golpe difícil em seu estilo de vida, de forma que vez ou outra desaparecida e então voltava para o palácio. Certa vez retornou rebocando consigo uma outra mulher, uma khajol que assumiu como sua concubina. O concubinato era uma prática antiga dentre os nobres — não muito popular, mas existente. Seamus não se importou em confrontar os mais conservadores para manter Tiye ao seu lado. Ele a queria consigo. E conseguiu firmar-se no palácio apenas depois que seus filhos e filhas começaram a nascer, sua razão para parmanecer e dedicar-se ao futuro.
Quando o avô morreu e Seamus subiu ao trono — mal tinha alcançado seus 30 anos —, enfrentou muitos desafios. Todos os membros do conselho eram velhos e conservadores, firmes em suas cadeiras douradas e que torciam o nariz para qualquer ideia do novo imperador. Achavam que ele era jovem e inconsequente demais. A princípio tentou se conciliar com os demais, mas nenhuma de seus gestos apaziguadores deu bom resultado. Parecia inútil tentar argumentar e tentar convencê-los de qualquer coisa. Aos poucos então os membros do conselho começaram a cair. Um adoeceu e definhou até a morte. Outro mudou-se para uma área distante. Outro foi envenenado. Ninguém ousou atribuir a culpa ao imperador, claro, mas as suspeitas repousavam silenciosamente em sua imperatriz; uma mulher astuta e poderosa, ansiosa por governar ao lado do marido. Por algum tempo então Seamus governou sozinho até que algumas de suas medidas econômicas se tornaram impopulares entre nobres e aldeões, provocando reclamações e insatisfações. Sob toda a pressão, ele decidiu que precisava inspecionar e visitar as maiores cidades do Aldanrae e partiu para uma longa viagem com sua concubina. Quando retornou, a imperatriz já tinha rearranjado um novo conselho, escolhendo membros poderosos de grandes casas.
O imperador Seamus através do tempo ganhou fama de figura complexa. Às vezes governava bem, instruindo leis e medidas benéficas para a proteção do povo; por vezes causava revolta geral com comentários estúpidos e decisões repentinas. Ora sumia por meses e deixava sua esposa na regência, ora ficava doente e então se recuperava e trabalhava até a exaustão. Até hoje é uma figura controversa, porém respeitada. Sussurros o seguem para onde vá, mas ninguém nunca diz nada diretamente. O humor do imperador é sempre um mistério, assim como sua ausência ou presença.
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A canção original foi escrita por Jester, o bobo da corte do Império, intitulada O Homem de Noite e Cobre.
Entre as flores da noite
Os servos e a corte
Concebido entre a música
Diziam, "é um deus que fabrica"
Nascido em um prostíbulo, o menino de cara fechada abria um sorriso mais largo que os próprios dentes quando pouco agradado. Não era comum o nascimento de crianças nesse meio tão infame, mas o nomeado Jagger chamava atenção pelo carisma e por falar um pouco antes da hora. A noite de seu nascimento era regada de música alta devido a uma festividade local e poucos ouviram os gritos do parto, e a mãe de Jagger, Melia, não sabia ao certo se ele era fruto da relação com um dos nobres que muito a procuravam pela beleza excêntrica ou dos viajantes que passavam para relaxar por uma noite.
Além de ser uma criança faladeira, era facilmente notado os barulhos que fazia: batucava em panelas e madeiras trazendo ritmos que aos poucos se transformaram em algum som de verdade e não podia-se deixar flautas ou qualquer instrumento de corda. As mãozinhas gorduchas iam diretamente para eles com os olhos brilhando como se aquela fosse a maior maravilha do mundo. Os olhares tortos começaram aos poucos. Sabiam que khajols nasciam de uma mulher, mas nem mesmo Melia sabia de sua origem e tampouco achava possível que a magia fosse vir para um filho não nobre.
Ainda assim, os rumores aumentava conforme a voz afinada antes e após da puberdade sobressaíam: só pode ser obra de um deus! Como alguém esquecido no meio da parte mais baixa de Aldanrae teria tantos caprichos e esmeros para serem admirados? Teve uma noite que fez mais dinheiro que a mais bela moça da casa e logo se tornou uma arma poderosa para a cafetina Elvina, mulher ríspida que, apesar de ter a dureza no olhar, era a única salvação para aqueles que não queriam viver da rua em um misto de miséria e abuso.
As cordas de som
O perfeito e tênue tom
Revelaram um grande segredo:
Este é mais que um cavaleiro
Conforme crescia, Jagger foi vítima de apostas dos clientes mais fieis. Muitos acreditavam que seria a primeira vez que o império passaria a audácia de ter qualquer um anunciado em Hexwood e até mesmo alguns nobres mais desavergonhados tinham interesse em pagar algumas moedas de ouro pelo garoto, acreditando no potencial de ter um herdeiro ligado ao império e colocar os genes mágicos na família por pelo menos uma geração.
Outros desacreditavam. Tinham a certeza de que, a qualquer instante, Wülfhere bateria na porta do lugar para levar o garoto embora e servir ao exército como acontecia com qualquer um, era o que diziam. Para Melia, qualquer destino era menos cruel que viver explorado e submetido ao trabalho, tendo uma certa ignorância sobre a formação de ambos os lugares acadêmicos. Cogitou várias vezes vender o próprio filho escondido de Elvina, sempre falhando no último momento, a culpa a irradiando por puro merecimento.
Jagger, entretanto, não era bobo. Sabia que era muito admirado com boas e péssimas intenções e tinha uma certa aversão por aquilo que estavam pretendendo. Escreveu com raiva diversas canções que trouxeram à tona a ira dos visitantes do cabaré, causando terríveis brigas entre os bêbados e violentos. Ouvia as histórias durante a noite e, durante o dia, transformava em canções que os ridicularizava e trazia até mesmo mortes.
Era absurdo! Como pode?
Um filho da noite e do cobre
Ter tanta magia nos dedos
Sem ter dos nobres o medo?
O pior dos dias foi quando Jagger se viu com tanta raiva de um nobre que insistia em provocá-lo que decidiu humilhá-lo da pior forma possível. As batidas rápidas de seus instrumentos conduziam a letra que expunha a traição de sua esposa, as dívidas incontáveis e os golpes que dava em amigos em um noite repleta dos mesmos. Para Jagger, era um desabafo; para a nobreza, era a revelação de diversos crimes que envolviam mais pessoas do que imaginava.
O que poucos sabiam, inclusive ele, é que não era um nobre qualquer. Aquele era um membro da corte que foi destruído pela reputação de uma única música e se tornava algo vil, imundo. Os rumores aumentaram por um instante de que Jagger não era apenas um músico qualquer que alegrava a noite dos infelizes, mas um verdadeiro poeta e profeta. É khajol, diziam na esperança de que ele fosse o esperado para quebrar a nobreza. Loki, Hynnin, Marte, Set... Os deuses nomeados eram vários! Qual restaria para Jagger, afinal? Nada aconteceu, no fim das contas.
Após aquela noite, a clientela de Elvina reduziu e até mesmo os demais membros dos prostíbulo se viram incomodados. É culpa dele, esse garoto sarnento!, diziam nos corredores em alto e bom som enquanto Jagger se colocava debaixo da cama gasta de Melia com o resto de lápis e folhas usadas. Demorou para que a mulher o encontrasse, mas no auge de seus dez anos, não era tão pequeno assim. O puxou pelos pés para fora e disse com uma seriedade sombria: Você precisa ir embora.
Oh lei, oh lai, oh lei, oh deuses
Feliz ele se encontrou
Oh lei, oh lai, oh deuses
E ele foi. De muito bom gosto.
A sabedoria imensa
A revelação em palavras
Criou discórdia entre as tavernas
Ruiu entre jornadas
Jagger não parou. Não pensou antes de levar seus instrumentos consigo, ainda que fossem propriedade de Elvina, e caiu na estrada, pegando carona com carroceiros e andando em bandos como se fizesse parte deles muito antes de chegar na capital. Sempre parava em tavernas, e o mundo era belo fora do que conhecia. As pessoas o apreciavam, dançavam em suas músicas e o elogiavam por demais. Não se apresentava com um nome, mas como seu favorito bardo.
Os rumores sobre sua descendêcia morreram consigo e teve uma única oportunidade de se reconstruir. Ouvia tanto sobre um grupo específico e um membro perdido chamado Jester. Muitos diziam que ele sequer existia e que criaram o nome para chamar o público para os shows do grupo, que francamente, era menos que mediano. A mente do Jagger de quinze anos ferveu de uma só vez: Jester será o meu nome. Fácil de lembrar, fácil de se adaptar.
Se tornou o famoso Jester, querido das tavernas, e até mesmo para festas de aniversário de famílias mais ricas era convidado por sempre ter boas histórias em canções que faziam os ignorantes se admirarem sobre o que acontecia no Baixo Império. Ele se tornou uma estrela encarecida, e conforme ficava mais velho, ficava mais cansado e insustentável para si mesmo. Precisava de estabilidade.
Durante as noites frias
Com amores atravessados
Damas e cavaleiros
Curavam seus medos
Se tornou não apenas o desejo dos ouvidos, mas dos lábios e lençóis de muitos. Jester cativava corações com canções melancólicas e quebrava todos eles logo em seguida. Quem tivesse a sorte de dormir com ele, daria a ele a sorte de nunca mais vê-los outra vez. Era apenas diversão, dizia para si mesmo embora a insegurança o deixasse aflito quando ouvia sobre os comentários atrás.
Em algumas ocasiões, escreveu canções sobre filhos perdidos que não encontravam o pai, e parecia uma crítica de duas vias: a dele, que crescera com comentários maldosos pela forma que fora concebido e a das crianças, que juravam que eram suas. Se desapegou daquelas ameaças para seguir em frente até conquistar o seu verdadeiro lugar: a capital e o palácio.
Caminhando na estrada de prata
Chegou nos portões da alvorada
Bastava um único dia
Para que fizesse dali a sua morada
Causou estranhismo quando chegou ao seu destino. Pegou suas últimas moedas de ouro para implorar a uma costureira um par de vestes que o deixariam à altura da capital. Cativada e, claro, apaixonada pelo jovem, os fez de graça desde que ele escrevesse canções sobre ela. Mesmo sem afeto, Jester era um ótimo escritor e um ótimo mentiroso. Saberia reciclar músicas antigas para satisfazer uma mulher sem perspectiva de casamento e se aquilo bastasse para ela, ele estava bem.
Esperou quieto pela noite do festival de verão para se apresentar pela primeira vez. Todos eram cultos, serviam aos nobres com canções que enalteciam aos deuses e ao império, mas não Jester. Deixou a multidão espantada quando cantou sobre dragões e cavaleiros, prostíbulos e guerreiros e até mesmo lançou algumas de suas canções de escárnio para a nobreza. E eles amaram. Amaram tanto que o convidaram para todos os eventos possíveis, enchendo seus bolsos de dinheiro: casamentos, aniversários, jantares simples, bailes incontáveis.
Se tornou O Grande Bardo Jester, e ele estava deslumbrado. Tão deslumbrando que não conseguiu se importar muito com as notícias que ouvia sobre o famoso prostíbulo de Elvina nos extremos. Uma onda de tuberculose avassalou a casa e levou muitos à morte, e haviam boatos que ele nem mesmo funcionava mais. Pensou na mãe com tristeza pela primeira vez, depois de tantos anos com raiva. Ao mesmo tempo em que lhe partia o coração imaginar sua morte, preferia que tivesse morrido para encerrar o ciclo de uma vida indigna. No fim, preferiu não saber. Suas emoções se afloraram e fez a mais bela apresentação romântica e melancólica em um casamento, com a presença ilustre do imperador e imperatriz em pessoa. Mal sabia ele que estava diante do homem que comandava sua vida.
Dizem que não há trono para ele
Dizem ainda que é um estorvo!
Como pode, um filho da noite e do cobre
Ter também cheiro de ouro?
Jester foi chamado para o castelo após alguns dias para se apresentar em um jantar para amigos e conhecidos. Aceitou imediatamente, mas ao chegar no grande salão, o sangue gelou. O nobre que havia insultado estava lá, irreconhecível, e para sua sorte, o mesmo também não o reconheceu. Jester havia mudado até o nome, além dos modos! Como poderia ser acusado de algo? Cativou o público e deixou a noite mais mágica, e alguns diziam que as palavras de Jester causavam até ilusões quando combinadas com um bom vinho.
Ao fim da noite, o representante do imperador e sua imperatriz comunicou o músico que ele tinha um trabalho no castelo e teria um lar por perto, junto de outros funcionários escolhidos a dedo pela família por quererem sempre por perto. O convite não parecia um convite e sim uma ordem. No fim das contas, era tudo o que queria. Estabilidade, uma família. Não conseguiu tudo de primeira, mas se adaptou rapidamente aos termos com uma condição: seria permitido que continuasse fazendo seus shows fora do castelo.
A condição fora aceita e Jester se tornou a grande estrela. Era admirado por vários e sua fama passou a avassalar o país, ainda que tivesse um título ridicularizado dentro do castelo. As grandes fofocas sobre si surgiram novamente: um ótimo homem de cama, provavelmente tem vários filhos por aí, sabe todos os segredos de todo mundo... E ele não ligava, porque sabia que ninguém tinha a mesma coragem que ele, e tampoco o principal: o talento.
Oh lei, oh lai, oh lei, oh deuses
Feliz ele se encontrou
Oh lei, oh lai, oh deuses
Os maiores dez sucessos musicais de Jester:
Flor de Giz
O Homem de Noite e Cobre
O Corvo e a Rosa
O Prazer é Meu!
Deus do milagre
A Feiticeira e O Cavaleiro (controvérsias, e possui versões trocando os gêneros conforme descobre fofocas)
el·dritch | ˈel-drich. : estranho ou não natural, especialmente de uma forma que inspire medo; sinistro. (escute ao ler)
O texto a seguir, adaptado do idioma feérico, só existe em registro na língua comum. O manuscrito original, de autoria desconhecida e anterior à fundação de Aldanrae, se perdeu no incêndio de Wülfhere. Todas as versões disponíveis em livros foram editadas por khajols. Como costume entre changelings, a história segue sendo contada junto às fogueiras em tradição oral, com cada narrador mudando um ou outro detalhe ao repassá-la.
(...) Em sua graça, Erianhood presenteou o mundo: quatro ovos de dragões, feitos de seu sangue e forjados de chamas, deram origem a quatro diferentes espécies. Escolhendo cuidadosamente o lugar de cada ninho e sobre eles derramando uma lágrima em adeus, a deusa os imbuiu com o glamour elementar.
Água. Fogo. Terra. Ar.
Eldritch foi o primeiro a chocar. Saído do solo como uma semente, sua coloração o rico marrom do tronco de um carvalho envelhecido, nada mais que um broto com uma vida inteira por desabrochar. Seus olhos, de um laranja vivo como o do pôr-do-sol, pareciam guardar todos os segredos antigos do Universo.
Como se fosse viva, a terra parecia responder ao seu chamado, e todos os dragões que vieram depois o reconheceram como hahren*. Diferente dos demais, nunca se vinculou a um montador: escolheu a própria raça como a única companhia, e transformou a caverna em que nasceu em seu lar. Sua consorte lhe deu seis filhos, e sua linhagem dracônea estabeleceu um coronado** no vale que veio a se tornar a cidade de Powys, onde terradores prevalecem como a espécie dominante até hoje. [trecho censurado]
Cresceu mais rápido que os demais dragões, tornando-se o maior entre os Quatro Primordiais, e o único dos quais os feéricos e seus descendentes parecem lembrar até hoje.
Ao redor de fogueiras e como história para dormir, pais e mães contam aos filhos a história do dragão gigante que se alimentava apenas de crianças, e que foi responsável pela destruição do vilarejo de Vhen'alas. [trecho censurado] Integrado ao folklore, é usado como ameaça para os pequenos, com a promessa de que os maus comportados serão entregues como oferenda para o apaziguar. Eldritch foi eternizado como um guerreiro que nunca caiu em combate–seu corpo nunca foi encontrado, o que o elevou ao status de imortal pela lenda, o concedendo a alcunha de Eldritch The Undead.
Seis séculos após o seu tempo, ainda há relatos inebriados em tavernas de que foi avistado à distância, por muito que ninguém nunca tenha sido capaz de o provar.
NOTAS DE NARRAÇÃO:
*Hahren: Palavra do idioma feérico, cujo significado foi perdido com o tempo.
**Coronado: Um tipo de organização política dos dragões, sobre a qual nada se sabe.
Eldritch foi o primeiro dos terradores, e todos os dragões de terra até hoje são seus descendentes. Sua consorte era a primordial amphiptere, cujo nome supostamente se perdeu para o tempo–é possível que os descendentes de Eldritch sejam também dragões de ar.
Eldritch realmente existiu e está morto há séculos. Como uma lenda urbana, há quem jure de pés juntos que o viu recentemente, e quem sequer acredite que tenha sido real.
As ruínas de Vhen'alas existem até hoje, e são um ponto de interesse para os arqueólogos do Império; o antigo vilarejo fica ao sul de Mercia, no estreito que a separa de Powys, e só o que resta de pé é o esqueleto das construções de pedra, com runas em alto relevo esculpidas após terem queimado.
Os dragões não esqueceram a verdadeira história–entre eles, o primeiro terrador é conhecido como Eldritch the Kinslayer. É uma pena que dragões não possam falar.
O Museu de História Aldareana, localizado na capital de Ânglia, atribui um de suas peças centrais a Eldritch: a casca fossilizada de um ovo de dragão, rotulada como O Primeiro.
Os trechos censurados do manuscrito existem na íntegra em uma outra versão do texto, guardado sob os cuidados da Curadoria na seção restrita do Acervo Imperial.
É conhecido por entre as gerações os feitos e importância das irmãs de Ardan, a maneira como influenciaram a história e os primeiros anos da construção do império de Aldanrae, utilizando magia sagrada e ancestral para garantir a soberania daquele que acreditavam ser o escolhido dos deuses para guiar uma nova nação.
Não é conhecida, tendo sido apagada dos registros da família real, a história de Seraphina Essaex, a prima de Ardan. Sua história é sabida apenas através da tradição oral, por cânticos que atravessam os séculos.
Sera, como era conhecida entre os familiares, se junto ao resto da dinastia pouco após os Essaex terem se estabelecido como líderes, tendo conseguido fugir de uma Northumbria dominada por Uthdon. Khajol, sendo hospedeira de Marduk, ela sabia que encontraria seu final em Aldanrae. Só não sabia quando, porque suas visões proféticas proporcionadas pelo deus não eram muito específicas. Embora sabendo que estava velejando para a sua morte, Sera não se importou. Ainda era jovem e cheia de vida, com vontade de existir e se aventurar.
Foi isso o que fez quando primeiro pisou nas areias escuras do porto de Ânglia. Haviam ali seres que nunca tinha conhecido, lugares para explorar, coisas para ver, comer e beber. Era abraçada pela genuína curiosidade e sede de adrenalina, logo percorrendo pelas ruelas e estabelecimentos que tudo tinham a oferecer para uma jovem nascida e criada com uma colher de ouro na boca.
O novo império também tinha algo novo a presentear para Sera Essaex: amor. O sentimento veio na forma de uma féerica charmosa que conquistou Sera na primeira dança. Ao tocá-la, soube que ela era a concretização de suas visões mais antigas e que o fim estaria nos braços dela. Não se importou. Seraphina, apaixonada a primeira vista, só desejava a companhia de sua amada e nem céu ou terra, estrelas ou terremotos poderiam afastar ambas.
Um casamento logo fora arranjado, mas não havia força capaz de afastar Sera de sua feerica. Um conto tão antigo pelo tempo, a família real descobriu sobre o caso de amor e se intrometeu para impedir que as fofocas se espalhassem. Não poderiam permitir em hipótese alguma que Seraphina fizesse um escândalo ou sujasse o nome da família. Relacionamentos entre feéricos e humanos, principalmente khajols, não eram aceitos em nenhuma hipótese.
A feérica, cujo nome se perdeu no tempo, pereceu em uma ruela qualquer envolvida pelo veneno. Os olhos outrora brilhante perderam o brilho assim como a vida de Seraphina perdeu a cor. Devastada, partiu para a ilha de Ardosia, buscando se afastar da capital, levando consigo o mesmo veneno que tinha consumido sua amada. Ali, Sera provou do doce líquido que levaria sua vida, desejando poder se reencontrar com a sua amada... o que não aconteceu, nem mesmo no pós vida. Jamais retornariam a se encontrar.
Erianhood, toca pela tristeza com a história do amor trágico, transformou Sera em uma árvore, que atualmente fica em um dos pátios de Hexwood. A árvore que chora é conhecida por entre os khajols, pela seiva que derrama toda vez que alguém se aproxima. Não apenas isso, todos são invadidos por uma profunda tristeza assim que perto, por isso a árvore é evitada pro muitos, apesar de ser grande e oferecer boa sombra.
A família real até hoje não toca no assunto, muitos sequer conhecendo o nome de Seraphina. Outros acreditam ser apenas um conto popular mentiroso, uma propaganda maligna para estragar o nome da família real. Seja o que for, a árvore existe em Hexwood e chora, proclamando tristeza para todos aqueles que ousam se aproximar.
Construída frente a um enorme Cedro Vermelho de centenas de anos, num vale, tendo as montanhas cobertas de neve logo atrás de si, a Casa de madeira branca e detalhes esverdeados e tons terrosos surge como se escapasse de uma pintura. Com campos de flores ao redor, a construção rústica de acabamentos elegantes conta com três andares, imensas janelas, varandas, e a frente da casa possui uma enorme porta maciça. Com corredores escondidos e várias entradas, é perfeita para um estilo de vida junto da Natureza, e por vezes abriga Changelings feridos no Fronte. Ainda que o Duque Niall tenha inaugurado uma enfermaria no vilarejo, há quem prefira ser tratado na casa. O barulho das asas de dragão cortando o céu é comum, bem como sirenes que indicam a necessidade de retirada. Juntamente ao vilarejo que fica a menos de 100 quilômetros da fronteira com Uthdon, por ali passam centenas de Changelings buscando asilo do Imperador.
PASSADO.
Brincar na floresta era o passatempo preferido de Carissa. Ouvir os pássaros. Sentir as pedras sob os pés, a textura da grama. Passar os dedos de criança nas pétalas, nas folhas. Nos troncos de árvore. O clima frio e a floresta temperada desabrochavam naquela época do ano, trazendo cor aos pés da montanha que cercavam Sommerset. Imponente, o casarão branco e verde se misturava à paisagem, tão ornado de plantas e vegetação nativa que poderia muito bem ter nascido ali, daquele jeito. Carissa tinha a imaginação fértil, como bem dizia a sua mãe. Vaelith ouvia a menina conversar aparentemente sozinha sempre que ia até a floresta. Ao chegar em casa, geralmente com os pés sujos de terra e as mãos cheias de flores, lhe contava tudo sobre as aventuras com sua amiga de olhos dourados e cabelos brancos. Com o passar dos anos, as histórias começaram a se tornar mais elaboradas, o que acendera certo alerta em Vaelith--- decidindo, portanto, acompanhar a filha em uma de suas caminhadas até o lago. Carissa parecia triste ao não encontrar sua amiga, uma esperança visivelmente amassada pela quebra de expectativa. No caminho de volta, ambas seriam atacadas por soldados de Uthdon que atravessavam a fronteira com seus monstros domesticados.
Carissa Lysithea Byaerne mais tarde se tornaria mãe do duque Niall, e avó de Zara. Daquele dia em diante, jamais seria a mesma. Vaelith e ela presenciaram a graça de um Feérico em ação, sendo defendidas do ataque por um homem alto e esguio montado a cavalo com nada mais do que um arco e um punhado de flechas, que carregava consigo uma garotinha de idade semelhante à de Carissa em sua garupa. Ela tinha cabelos brancos e olhos dourados, orelhas pontudas e pinturas espalhadas por todo o corpo: Vaelith percebeu que nada era imaginário. Essa criança tão pequena andava ensinando a Carissa a língua dos Fae, contando suas tradições e lhe explicando sobre a floresta. Depois disso, eles nunca mais foram vistos outra vez. Tudo o que restara para Carissa de sua querida amiga de infância, Saenyth, fora uma última troca de olhares.
Como uma das famílias poderosas naquele novo império, na recém-fundada Terra, Vaelith tornou-se porta-voz dos feéricos da região no conselho. Da última prova de vida, carregava apenas uma pequena cicatriz no braço. Poderiam estar mortas. Poderiam ter sido capturadas. Poderiam não mais estar naquele mundo. Advogando pelos mais fracos e escorraçados, a fama dos Byaerne começou a crescer no Império. Contos de um local não hostil à vida Changeling, em que todos poderiam prosperar, ecoavam aos quatro cantos de Aldanrae atraindo e incitando o êxodo. Foi-lhe garantido o poder de exército pelo Imperador anterior, uma vez que o Ducado se estendia por grande parte do Fronte na guerra com Uthdon, mas os Byaerne sempre foram contrários aos desperdícios de vida e derramamento de sangue.
Aos 18 anos, Carissa recebeu a benção do Deus Loki, e mais tarde, quando assumiu o Ducado, após o falecimento dos pais, uma grande legião de Changelings já havia se formado e criado raízes. Desde os combatentes, curandeiros, a pesquisadores e talentosos escribas: todos unidos por uma terra mais igualitária.
O PRESENTE E INTEGRANTES.
Atualmente a Casa Byaerne conta com a presença do Duque Niall Sigmund Byaerne, Duquesa Callista Spencer Byaerne e seus cinco filhos. São eles, por ordem de nascença: Lady Zara e Lordes, Ivar, Cassian, Rowan e Soren.
Duque Niall Byaerne.
Idade: 58 anos.
FC: Jason Isaacs.
Personalidade: Um intelectual nato. Quando mais jovem, com a bênção de Carissa, percorreu grande parte do território de Aldanrae e países vizinhos para aprimorar seus estudos. É um pai semi-presente, que concede certas liberdades aos filhos, mas que não hesita em traçar com ferro e fogo seus destinos (se assim achar melhor). Niall não costuma a invadir as opiniões de Callista em relação à criação dos filhos, mas quando o faz é de maneira certeira. Gosta de analisar as situações com paciência, e, como a mãe, cultua e fomenta o pensamento de que a distinção entre humanos e Changelings a ninguém agrega absolutamente nada.
Duquesa Callista Byaerne.
Idade: 48 anos.
FC: Kelly Reilly.
Personalidade: Nascida e criada em Zelaria, conheceu Niall por meio de uma de suas viagens. Eles se apaixonaram ali, e o Duque a pediu em casamento logo em seguida. São complementares, muitas vezes gerando dúvidas a quem lhes vê sobre o verdadeiro sentimento por trás do relacionamento. Não veio de uma família nobre, e por isso gera olhares acusatórios fora do Ducado. Compensa a falta de nobreza a todo momento querendo deixar os filhos apresentáveis. Pega mais pesado com Zara, porque vê imprudência na primogênita. Callista é cheia de vida e energia. Gosta de animais, e compartilha a visão do Duque Byaerne a respeito dos Changelings.
Os Byaerne, apesar da má-fama em abrir as portas de casa para qualquer um, são uma família unida, mesmo com diferenças entre si. Niall e Callista são o completo oposto, o primeiro sendo mais intelectual e centrado, e Callista, por sua vez, expansiva e por vezes fútil. Zara irá assumir o Ducado após casar-se, uma vez que Niall apresenta problemas de saúde ainda escondidos da família. Zara é hospedeira do Deus Loki, assim como Carissa, com quem teve uma grande conexão em vida. Hoje sente carregar, além da divindade, um pedaço da avó. Ivar nutre certo rancor por Zara assumir o Ducado, uma vez que em Aldanrae o comum é que os homens o façam. As más línguas dizem que Niall está ficando senil em deixar tamanho poder nas mãos de sua filha mais velha, que sempre teve seus interesses egoístas prevalecerem frente à seriedade e bons costumes.
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Através das estátuas, conversamos com o passado e inspiramos gerações.
Aonde quer que olhe, Aldanrae saúda seus habitantes com alguma estátua. Em palácios, instituições, escolas, bibliotecas, templos, praças e memoriais, há uma estrutura de pedra que lança seu olhar gélido para todos aqueles que passam. Para a cultura do império, as estátuas são um espelho do passado e lembrete do futuro, guardando a memória de heróis e mitos, preservando a memória coletiva. São testemunhas silenciosas da história e do talento, eternizando valores e acontecimentos. É a forma como os imperadores através do tempo encontraram de abraçar os seus próprios feitos e lançar-se na prepotência de serem lembrados para sempre. Antes mesmo da chegada de Ardan, as estátuas eram valorizadas como símbolo do sagrado e até nos dias atuais restam resquícios de pedra que foram valorizadas naquele momento. São firmes e fortes, resistindo ao tempo e a erosão.
Além da história, existe o lado artístico — Aldanrae, principalmente na parte mais nobre no império, valoriza a arte e a beleza. É comum que homens encomendem estátuas de sua esposa e filhos, que changelings construam arte para ser recordada com as próprias mãos. Em um mundo de quadros, as estátuas encontram espaço pela capacidade de resistir ao tempo e pelo apelo da arte e educação. Tanto em Hexwood quanto Wülfhere foram agraciadas com estátuas de seus fundadores, de deuses e deusas importantes para a religião alheia e como instrumento de ensino, auxiliando no aprendizado de histórias e no contar dos mitos. Todos cresceram observando, as vezes até se tornando amigos das pessoas e seres de pedra que se espalham aos milhares por toda Aldanrae. Um diálogo de passado e futuro, de história e arte, que simboliza o quanto os cidadãos valorizam as estátuas para representar aquilo que adoram e acreditam, como um reflexão duradouro de seus valores.
𝐀𝐋𝐆𝐔𝐌𝐀𝐒 𝐄𝐒𝐓𝐀𝐓𝐔𝐀𝐒 𝐂𝐎𝐍𝐇𝐄𝐂𝐈𝐃𝐀𝐒.
A MÃE QUE ABRAÇA.
Localização: Hexwood
Idade: aproximadamente 150 anos
Significado: a imagem representa um jovem Ardan chorando no colo de sua mãe. O príncipe sempre buscou conforto nas figuras femininas ao seu redor e elas foram essenciais para a construção e estabilização do império. Foi a maior das khajols, a que espalhou sua influência e fé.
O GUERREIRO QUE NÃO CAIU.
Localização: Wülfhere
Idade: aproximadamente 110 anos
Significado: um guerreiro se apoia em sua espada, recusando-se a cair. Ele simboliza todos aqueles que deram a vida para o império em nome da guerra, que lutaram até o último suspiro. Essa estátua especialmente representa um heroi sem nome que faleceu ainda sentado, apoiado em sua espada, recusando-se a cair. Um grande símbolo de força e honra.
O HOMEM CAÍDO.
Localização: Zelaria
Idade: desconhecida
Significado: uma estátua caída, restando apenas parte da cabeça e corpo. O homem tem os olhos fechados e parece dormir tranquilamente; ninguém se sabe de quem se trata, sendo um mistério anterior a fundação de Aldanrae. Muitas histórias o cercam, mas ninguém sabe a veracidade de fato.
A PROTETORA DE ÂNGLIA.
Localização: Ânglia
Idade: aproximadamente 190 anos anos
Significado: Minerva olha para o porto da capital, abençoando com sabedoria aqueles que chegam e aqueles que partem. É considerada uma das patronas da cidade, portanto há muitas estátuas da deusa pela cidade.
O DRAGÃO DEFORMADO.
Localização: Wülfhere.
Idade: desconhecida
Significado: a pedra representa o esqueleto de um dragão jamais visto e documentado antes, conhecido como deformado devido ao formato peculiar de sua cabeça. Não se sabe se foi a criatividade do artista ou a experiência real que o levou a esculpir um dragão diferente. A estátua, antes em ruínas, foi levada e restaurada junto a outras para o Instituto Militar.
Entre os moradores da região mais pobre da capital parece quase que irônico valorizar tradições com veas. Mas é costume ter velas para diversos tipoia de situações. As crianças são ensinadas pelos seus pais como fabricar e o significado de cada vela a partir dos cinco anos usando materiais naturais e acessíveis.
As velas comemorativas do baixo império fabricadas pelos moradores não são comercializadas, qualquer um que tente comprar será negado. Acredita-se que as vezes devem ser apenas presentes ou feitas para si mesmo. O dinheiro desvirtuaria o sagrado do significado.
Velas doces: feitas para acalentar o espírito dos que se foram. Devem sempre ser feitas de frutas, e não podem ser adornadas com flores.
Velas cítricas: alegres, usadas em comemorações como aniversários. Feitas com cascas e devem ser adornadas com a mesma.
Velas amadeiradas: usadas para força e determinação. Acendidas em momentos difíceis. Devem ser simples e ter tonalidades escuras.
Velas florais: consideradas do amor, dadas como presentes para pessoas amadas e acesas em casamentos. Geralmente adornadas com flores.
O pavio também pode ser um determinante na vela. As velas fúnebres costumam ter pavios de queima rápida como panos banhados a óleo, enquanto as velas de momentos felizes costumam ter pavios amadeirados para uma queima mais lenta.
Quando uma vela não acende em um momento especial da vida, como um nascimento ou um casamento, é um sinal de que aquilo não será duradouro e deve se perder.
A morte tem várias causas, seja por natureza ou pelo destino de condenação a uma guerra. Ainda que aconteça por força maior, não deixa de ser algo que não aconteceria a qualquer momento. É imprevisível, dolorosa e, às vezes, necessária. Com os anos, os khajols aprimoraram o rito sagrado da passagem deste plano para o plano divino, onde haverá um descanso, redenção ou cobrança ao lado dos deuses. Seja qual for o caso, é necessário a preparação para que o falecido tenha uma boa viagem para enfrentar o que se crê que vá ser o fim da vida.
Os familiares e entes queridos próximos ao khajol falecido fazem um voto de silêncio por completas 24 horas com a intenção de respeito, calmaria e demonstração de luto. Falar qualquer coisa só acontece em casos extremos, como em casos de guerra, onde não há como haver o silêncio e, mesmo assim, o voto deve ser realizado em algum momento quando a turbulência passa.
A família deve receber dádivas de consolo e todas devem estar ligadas aos deuses da morte, seja em objetos, alimentos ou flores. A crença é que os deuses da morte se sentem agradados pelas ofertas aos que passam pelo luto e garantem não apenas a amenização dos débitos que não foram pagos em vida e um descanso mais rápido, mas também, uma chance de que os consoladores sejam recompensados pelo respeito ao que os deuses representam. O único deus que pode ser cultuado nesse dia é o deus do próprio khajol falecido, além dos da morte.
É proibido o uso de joias, brilho e cores, direito reservado apenas ao falecido para que ele possa chamar a atenção e receber o poder, beleza e claridade que esses artefatos atrarem.
Mausoléus únicos para cada família devem existir para um enterro, e o tamanho é feito não pelo tamanho da família, mas pelo poder que emanam, financeiramente e por tudo o que marcaram na história da magia. Para imperadores, imperatrizes, príncipes e princesas, os túmulos são lado a lado, mas cada um tem o próprio individualmente com a imagem do deus que hospedaram no topo, e o deus da morte do mesmo panteão em baixo.
Flores não podem ser vermelhas, pretas ou roxas porque atraem a tristeza. Qualquer flor entregue nessas cores são imediatamente murchadas ou queimadas. Como as cores devem ser vivas ou claras ao falecido, as flores em homenagem também precisam ser.
O falecido é preparado graciosamente com joias, a veste mais cara que deve ser do próprio e não de algum parente, e são colocadas pedras preciosas sobre os olhos e pequenas sobre os cabelos com a intenção de iluminar os olhos para o outro plano e a cabeça para a aceitação de que o fio da vida foi cortado.
Todas as casas e lugares onde o falecido era mais visto são iluminadas com uma tocha na porta com fitas brancas em sinal de respeito pelos que conviviam no mesmo lugar, e também para guiar o falecido para o caminho de volta para a eternidade final.
O velório pode ser visitado apenas por familiares e pessoas que os familiares listarem. Em caso de realezas, todos os membros da corte devem visitar e deixar as suas condolências, acendendo uma vela no lugar do velório. Se forem poucas pessoas, cabe a família acender as velas uma a uma, e se apagarem, não podem ser acesas novamente, pois o pedido ou oração feito àquela vela foi cumprido.
Todas as casas de pessoas khajols devem ter uma vela à janela.
O Lantern Waterfield fica inteiramente apagado para indicar o encerramento de um ciclo, e deve ser acendido no dia seguinte com pedidos para que o deus que perdeu seu hospedeiro encontre novamente um que faça justiça a seu nome.
É proibido consumir bebidas alcoólicas e carnes, com uma dieta estritamente vegetariana e sem qualquer alimento que sangre antes de ser consumado como alimento.
Os objetos favoritos do khajol devem ser colocados em uma caixa de prata, selados com um aon e colocado aos pés do falecido quando for enterrado. A ideia é que o falecido possa partir aconchegado de suas coisas de conforto para ter uma passagem próspera e carregar sua personalidade consigo.