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Iniciante na Bruxaria e fantasias.
Sou um iniciante na Bruxaria e, como uma adolescente ainda cheia de percepções fantásticas e míticas sobre a prática, tenho me pego fantasiando sobre possuir uma "mestra", quase como uma professora anciã de Bruxaria, relação na qual eu seria sua aprendiz.
Diante disso, tenho me perguntado sobre como funcionam as relações em covens, se é algo realmente mais parecido com o que se vê em filmes e representações ficcionais, ou talvez como uma igreja evangélica, onde há uma figura de alto posto (pastor) que é amplamente respeitado pelos fiéis; no meu ver se tornando até uma figura comercial e inalcansável, se distânciando do conceito de "família" dentro de uma comunidade espiritual.
Sobre romper tabus, ou nunca tê-los
Algumas pessoas querem saber como rompi meus tabus.
Pra falar a verdade, a verdade nua, sem esmalte, sem calcinha. Eu nunca senti que tive tabus. Eles simplesmente não se instalaram em mim. Como vírus que tenta entrar num corpo que já tem anticorpos de nascença. Batem na porta. Eu não atendo.
Sempre fui mente aberta. Não desse "aberta" de gente que se diz tolerante mas quando esbarra no feio de verdade recua. Aberta de caverna escancarada. Aberta de ferida exposta que respira. Curiosidade de quem enfia o dedo no buraco só pra saber o que tem lá dentro, mesmo que seja uma aranha. Mesmo que seja um osso. Mesmo que seja um olho me olhando de volta.
Mas acredito que pra romper tabus, ou pra nunca precisar rompê-los, você precisa de duas coisas que a maioria não tem:
1. Não pode ter mente preconceituosa. Preconceito é um muro que você mesmo constrói pra não precisar encarar o que te assusta. Derrube o muro. Ou melhor: nunca construa.
2. Não pode ser sensível. E quando digo sensível, não me refiro a ter sentimentos, isso todo mundo tem. Me refiro a essa sensibilidade doentia que desmaia diante do desconfortável, que chora de nojinho, que precisa de aviso de gatilho pra tudo porque o mundo real é "agressivo demais". Sensibilidade fresca. Sensibilidade que empalidece diante do sangue.
Se sua mente é fechada, trancada com cadeado, chave embaixo do tapete, e você finge que não quer abrir, você sempre carregará tabus. Eles vão se acumular nas suas costas como corvos mortos. Você vai feder. Vai pesar. E nunca vai voar.
A morbidez de berço
Eu desde criança sempre fui meio mórbida.
Não foi uma escolha. Não foi um "vou ser diferente pra chamar atenção". Foi disposição. Nasci com os olhos virados pro que apodrece.
E o ocultismo, escuta bem, o ocultismo anda de mãos dadas com a morbidez. Com o macabro. Com o sinistro. Com o horror. O horror que tem cheiro. O que tem textura. O que gruda no sapato e você só tira raspando com faca.
Desde pequena eu gostei de coisa feia. Coisa nojenta. Não porque eu quisesse ser "dark" ou "edgy", (nem sabia o que era isso) porque simplesmente não me causava repulsa. Enquanto adultos desviavam o olhar, eu inclinava a cabeça interessada.
Sempre amei o cheiro do meu sangue. O gosto. O ferro quente na língua. O cheiro do meu corpo depois de dias sem banho, aquele cheiro de bicho, de terra, de suor seco. O gosto dos meus fluidos. Sem nojo. Nunca tive nojo de mim. Aos olhos dos outros, talvez fosse "nojento" eu lamber meu próprio corpo cortado. Pra mim, era só curiosidade. Era o corpo falando uma língua que ninguém ensina.
Eu já imaginava coisas bizarras quando criança. Coisas que hoje sei que são fetiche. Não tinha nome. Não tinha categoria. Não tinha aviso de "conteúdo adulto". Era só a menina quieta no canto, com os olhos abertos, viajando em territórios que ninguém avisou que existiam.
Eram tabus? Não pra mim. Pra mim eram só imagens. Eram só vontades. A mente não nasce com tabu, a sociedade implanta. E eu devo ter sido implantada com defeito.
Fascínio pelos escombros
Sou fascinada por crimes. Por serial killers. Não como fã (alguns sou fã sim), como estudiosa do abismo. Quero saber o que faz uma mão girar a faca. O que passa na cabeça de quem vê o sangue e não desvia. O que acontece ali, naquele segundo entre o antes e o depois.
Eu amo gore.
Não o gore fake de filme com maquiagem e ketchup. O gore real. Aquele que você hesita antes de clicar. Aquele que faz seu estômago dar um nó na primeira vez. E eu te digo: se eu não aguento ver, eu me obrigo. Não tem choro. Não tem "não estou pronta". Não tem terapia preparatória.
Obrigo minha mente a suportar. Encaro até o olho parar de piscar.
Ou eu vejo e supero e minha mente fica mais forte ou eu vejo e desmorono. Mas desmoronar não é uma opção. Eu me recuso a ser frágil para o que a vida já mostrou que existe.
Não negocio com gatilhos.
Gatilho é desculpa que a mente fraca inventou pra não precisar se expandir. Eu não fujo. Eu mergulho. De cabeça. Com os olhos abertos debaixo d'água suja.
Eu gosto de ver sujeira. Imundice. Quanto mais nojento, mais poesia eu enxergo. Porque na podridão há uma verdade que o limpo não alcança. No lixo há nuances que ninguém nota... texturas, cores, histórias que morreram e ainda estão ali, se decompondo em camadas.
E pra mim, o ocultismo está aí. Ele se manifesta aí. Mas ninguém percebe, porque é tabu. Porque quase 100% da população mundial tem tabu. Porque a maioria prefere acender incenso e falar de amor incondicional do que sentar no chão do matadouro e ouvir o que o sangue tem pra dizer.
Se você quer romper algum tipo de tabu, seja ele qual for, você literalmente não pode ser fresco. Não pode ser mimizento. Não pode ser moralista. Nem "ain, que pesado". Nem "isso me ofende". Nem "isso é doentio".
Você tem que apenas ver. E aceitar.
Aceitar que existe. Aceitar que não vai sumir porque você fechou os olhos. Aceitar que o mundo é mais fundo do que seu medo permite enxergar.
O método: encarar ou morrer
Se eu tenho tabu com alguma coisa, e sim, talvez ainda tenho bem fraco, porque sou humana, eu absolutamente obrigo minha mente a encarar.
Não é confortável. Não é bonito.
Há muito tempo, li uma história da deep web. Sobre bonecas sexuais. Só digo que aquilo perturbou minha mente por meses. Eu conseguia ver as vítimas no meu quarto. Penduradas em minha parede como chaveiro e elas estavam ali, não como fantasma, como memória. Como imagem que não pedia licença pra entrar. Se é verdade ou mito não faço ideia, mas sei que me traumatizei.
Hoje, se eu for procurar aquela história de novo, meu psicológico não vai ser tão abalado. Porque eu forcei. Eu obriguei a mim mesma a suportar o que é hediondo. Macabro. Pesado. O que faz gente normal vomitar
Não sei se isso é algum tipo de masoquismo. Talvez seja. Talvez não seja nada além de treinamento. Mas pra mim funciona.
E por ser assim, por não ter véu, por não ter frescura, por não ter "não consigo", minha espiritualidade é fluida. Fácil de lidar. As respostas chegam fáceis.
Elas não encontram portas trancadas. Não encontram "isso eu não quero ver". Encontram uma mente que já disse sim antes mesmo da pergunta ser formulada.
A primeira vez que vi gore na vida real
24 de março de 2026.
Acidente na pista.
Pela primeira vez, vi gore em vida real. Não em tela. Não em foto. No asfalto. Na luz dos postes sem filtro.
Passei de frente. O corpo do homem já tinha sido coberto, jogaram uma lona, de pressa, como quem tapa o que não pode ver. Mas eu torci. Torci muito. Torci pra estar sem cobertura. Torci pra ver.
O corpo se destroçou no impacto.
Todos os órgãos saíram do lugar onde deveriam ficar aquela ordem anatômica que estudamos nos livros, aquela arrumaçãozinha do corpo humano. Tudo espalhado. Metros e metros longe.
Carne. Sangue. Vísceras quentes no asfalto frio.
E eu achei lindo
Ficaria horas encarando. Observando. Estudando cada textura, cada tom de vermelho que vai do vinho ao laranja sujo. O que sobra de um homem quando a carne vira paisagem. Poesia involuntária.
Isso me torna má? Não sei. Me torna realista. A morte não é limpa. Nunca foi. Não vou fingir que é só flores e vela branca. A morte tem cheiro de ferro e tripa aberta. E eu não vou desmaiar diante disso.
Existem várias formas de romper um tabu
Talvez eu traga mais conteúdos falando disso. Talvez não. Depende do vento. Depende...
Mas por enquanto, fica isso: um começo. Um começo sujo. Sangrento. Escancarado.
Se você quer romper seus tabus, não espere um método bonito. Encare. Sofra. Se perturbe. E depois de perturbado, encare de novo.
Até que o que te assombrava vire apenas mais uma coisa que você viu. E você siga em frente. Mais leve. Mais vazia. Mais cheia.
Porque nem sempre o véu é proteção. Talvez o véu é uma mentira.

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Eu tenho uns textos e pensamentos absurdamente íntimos na minha conta pessoal aqui do tumblr que às vezes sinto vontade de trazer pra cá. Coisas que eu sei, com toda certeza, que muita gente daqui gostaria de ler. Reflexões pesadas, viscerais, profundas… pensamentos que não nasceram de livro nenhum, mas da vivência, da paranoia, da observação constante da vida e das pessoas.
Mas eu sou extremamente fechada. Paranoica mesmo. Odeio me expor. Tenho sol, mercúrio e plutão em escorpião e não vou falar a casa porque já basta o estrago disso por si só. É posicionamento de gente que vive em alerta, que não confia em ninguém, que acha que tudo e todos podem atacar em algum momento. E sinceramente? Eu sou exatamente assim. MALUCAAA! Sinto que todos são meus inimigos e preciso fugir ou derrotar.
Muita gente me pergunta se um dia eu lançaria um livro. Livro, livro mesmo, eu acho difícil. Mas um ebook… talvez. Porque desde que comecei no instagram eu penso em escrever algo sobre meu caminho no ocultismo. Não pra ensinar “magia” ou essas coisas mastigadas. Seria mais como uma biografia fragmentada. Reflexões, pensamentos, experiências, obsessões, formas de enxergar a espiritualidade, a natureza humana, o desejo, a podridão, o medo, a beleza e tudo aquilo que normalmente as pessoas reprimem.
E eu fico nesse conflito constante. Porque, ao mesmo tempo que eu acho injusto despejar pensamentos tão pessoais gratuitamente sem receber nada em troca, também existe a parte de mim que odeia a ideia de estar vulnerável, de gente demais lendo coisas tão íntimas minhas. Só que aqui… aqui parece diferente. Aqui já existe um filtro natural. Quem está aqui geralmente também enxerga o mundo por essa lente mais crua, mais profunda, menos moralista. Então talvez fosse um dos poucos lugares onde eu realmente não me sentiria julgada.
Eu realmente tenho dúvidas. Não sei se transformo tudo isso em algo maior ou se continuo deixando esses pensamentos apodrecerem só dentro de mim, escondidos em textos soltos perdidos no meu tumblr. Porque uma parte minha sente que nasceu pra expor essas ideias ao mundo, enquanto a outra quer trancar tudo sete palmos abaixo da terra e nunca deixar ninguém tocar.
Talvez eu ainda esteja tentando entender até que ponto compartilhar a própria mente é libertação… e em que momento isso começa a virar autodestruição.
Porque no momento em que eu transformo isso em um ebook, de certa forma deixa de ser meu. A pessoa que comprou vai ter acesso àquilo pra sempre. Pode salvar, espalhar, compartilhar com outras pessoas que nunca passaram pelo filtro daqui. E isso mexe muito comigo, porque meus pensamentos são uma das poucas coisas que eu realmente protejo.
E ao mesmo tempo, postar tudo gratuitamente aqui também é estranho. Porque não são pensamentos rasos ou coisas prontas que qualquer pessoa encontra em vídeo curto de tiktok. São reflexões que levei anos observando, vivendo, digerindo dentro da minha própria cabeça. Coisas que a maioria das pessoas nem consegue enxergar porque ainda vive presa numa espiritualidade estética, domesticada e superficial.
Talvez seja egoísmo meu querer guardar isso. Ou talvez seja só instinto de preservação. Ainda não sei.
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