Por fim perdi o sono. A tanto tempo não perco o sono que estatisticamente as aparições da insônia se tornaram raridade.
Como me era de costume a esses surtos, eu me prestava a escrever textos durante toda madrugada até, por fim, minhas pálpebras selarem e eu interromper a escrita pelos mais variados sonhos. Era exorbitante a disponibilidade de temas que me surgiam a mente e tamanhas eram as inspirações que me forçavam a digitar incessantemente no qual as palavras se costuravam sem o mínimo esforço de minha parte. Hoje, simples e claramente não é assim que o dom de expor com tamanha leveza e desenrolar de palavras me prestigia. Acredite, isso tornou-se uma das tarefas mais difíceis exercidas por mim. Uma forma de facilitar a escrita é tocar uma trilha sonora que aflore qualquer sentimento.
Qual será o tema abordado hoje? Minha vida não tem passado pelos maiores perrengues, tenho saído, criado histórias, tenho estudado, basicamente a universidade tomou mais da metade do meu tempo enquanto estou acordado. Certo, pelos perrengues que passei durante os últimos meses nada foi além de desilusões amorosas – para variar –, e o problema que passo pelo resquício que tenho em ainda me preocupar com o que os outros pensam sobre a minha pessoa. Quanto as saídas e histórias vividas por mim, devo confessar que são simplesmente experiências que não esquecerei e que me ajudam a crescer como pessoa e amigo, pelo exclusivo teor de autoconhecimento. Porém reconheço que são encontros que só acontecem dentro de uma zona de conforto que, por mais que tenha aumentado em extensão depois que me mudei da casa dos meus pais, ainda é muito pequena.
Tudo o que faço acontece, cotidianamente, nos mesmos lugares e praticamente da mesma maneira. É óbvio que não farei coisas que ultrapassem minhas expectativas diárias, infelizmente temos que seguir um cronograma para alcançar o que a sociedade julga como sucesso, ou seja, uma boa condição financeira. Enfim, isso me incomoda, tudo o que é padrão, programado, organizado, em condições estudadas e assim esperadas me causa imenso desconforto, a ponto de me sentir sufocado pelo dia a dia. Eu quero ser diferente, quero viver o que a maioria não vive por temer demais. Metade de mim busca certa entropia, quero me surpreender..., mas como isso é difícil.
É complicado sair da rotina, pois qualquer coisa que eu procure fazer terá uma consequência cabível à situação. Lembramos a todo instante que temos alguém por aí zelando por nós, e devemos certo grau de responsabilidade para compensá-los. Qualquer ação que saia do comum é sujeita a alguma punição seja social ou familiar, aliás estamos presos em nossas casas pela falta de segurança que somos sujeitados. É triste querer viver e encontrar empecilhos pelo caminho, do início ao fim.
Portanto, essa é a forma que encontro para desabafar e expressar o que alguns possam sentir. Eu só quero demonstrar minha vontade de VIVER. Mas eu quero viver AGORA, durante minha juventude, pois daqui a pouco não terei mais tempo e posteriormente energia. Quero viver sem me preocupar com as críticas dos covardes, sem me preocupar com consequências, desde que essas não afetem a vida de outro de forma negativa, criar coragem para inovar minhas histórias e principalmente ter uma trilha sonora especial, afinal preciso aflorar meus sentimentos durante esses eventos.
Diria que esse é um bom conselho aos meus leitores...