Estou vendo todo mundo se molhando ao passar por mim, até parecia que de mangueira eu regava um jardim, eram tantas correndo pra lá,e outras tantas correndo pra cá,nem sabiam que estavam sob o mesmo céu,a água que caia por lá era a mesma que caia pra cá,imaginava todas elas como minhas flores,que deitam de acordo com o lado que rego,fazem um dancinha sinuosa tocando umas nas outras, igualzinha as pessoas se esbarrando pra não se molhar,os homens um canteiro de cravos fortes onde por mais que se choquem,nem uma pétala há de soltar,as moças por sua vez um canteiro de rosas frágeis e multicor,mal se tocam,mas a chuva traz tanta transferência as roupas leves e finas, até parece que o vento tirou todo seu esplendor,as pétalas agora rodam com a água da chuva pra bem longe,o vermelho rosado do rosto,se sentindo semi nuas agora ainda mais apressadas no meio da rua,os cravos já não se mexem tão rápido, preferem olhar as rosas aceleradas nas velhas calçadas,com tanta chuva, tantas rosas e cravos,em breve vou ter que regar novas mudinhas.