Te olhava pelas frestas da porta e via um mundo que eu sabia... já não era mais meu.
Uma porta que eu não devia mais abrir.
Janelas de lembranças que já deveriam ter sido esquecidas.
Pelas manhãs observava seu reflexo no espelho, em total silêncio. Juntos e, ao mesmo tempo, tão distantes.
Quando nossos olhares se cruzavam, sua alma era refletida e nela eu via apenas tristeza.
A frieza da sua alma me dava calafrios toda vez que suas mãos gélidas me tocavam... Sabia que eu não a tinha causado, mas o sentimento de falha dominava todo meu corpo.
Mais uma noite que não consegui te alcançar.
"Estou saindo", "não me espere"... Sei que te perdi há muito tempo, mas sabe o que é pior? Mergulhei em ti quanto te vi partir, e desde então morri também, e mesmo morto, ainda te amo.
O sabor da minha bebida preferida não queima tanto quanto suas palavras solitárias demais. Desce amarga, incomoda, repondo o líquido que vai escorrer pelos meus olhos.
Me doeu fechar a porta, trancar as janelas... apagar as luzes.
Só não doeu mais que ver seu mundo se expandir sem mim. Borboleteca & Desonestos; azul marcava o nosso desespero.

















