Os romances não são fáceis de se escrever, principalmente quando há muita chance da obra cair no clichê água com açúcar. Mas afinal, como se inspirar para escrever romances arrebatadores de corações?
O principal ingrediente para um bom romance é saber conduzir seu personagem para um arco sólido e colocar personalidade nele. Construir um romance requer um pensamento além das cenas românticas e fofas, é preciso organizar uma trama em que se desenvolva um tema, que você autor irá propor. A partir desse tema você estrutura os conflitos e desenvolve a história com pontos interessantes ao seu leitor, fugindo das cenas melosas que somente vão servir para encher de palavras o livro.
Contudo, para conseguir criar os conflitos, você precisará de inspiração, certo? E é aproveitando o clima de Valentine’s Day que vamos te mostrar algumas ideias para sair do bloqueio e criar o seu romance!
Além do clássico “leia histórias de romances”, uma boa opção para fermentar a cabeça com ideias é ler letras de músicas que falam sobre amor (ou sofrimento por ele). Dessa forma, você vai além do “ouvir” e percebe os conflitos descritos na letra, dando aquela luz de ideias! Ah, também vale pesquisar sobre como o cantor(a) criou a música, pois há tantos arcos que podem ser desenvolvidos através desses relacionamentos de famosos. Temos exemplos de Seether e Evanescence, Justin Timberlake e Britney, Camila Cabello e Shawn Mendes, etc…Porém, lembre-se de que é para se inspirar, a não ser que você queira criar uma fanfic, mas para fins comerciais, nem pense em colocar a história desses famosos como parte da narrativa!
Outra forma de buscar inspiração é ler sobre histórias reais! Sim, lembra daquela história de amor de seus avós? Ou da amiga que contou como superou o ex? Tudo é válido para ter ideias! Por isso, ouvir as histórias com atenção é tão importante quanto começar a compreender alguns sentimentos dos envolvidos. Isso cria verossimilhança e sua história fica mais real e concreta, além de te dar camadas profundas de sentimentos dos personagens. Portanto, da próxima vez que ouvir histórias das pessoas, ouça com clareza, desenvolva a atenção plena e vá criando (e anotando) todos os pontos que você captou. É bem provável que nos primeiros rascunhos, você anote mais sobre a história do que nesses detalhes, mas conforme for fazendo esse exercício, mais fácil será captar outros sentidos e sentimentos das pessoas.
Não podemos deixar para trás o audiovisual! O cinema está cheio de fontes de inspiração, principalmente nos romances. Vale muito a pena fazer maratonas daquelas histórias que combinem com a categoria e gênero da qual você quer escrever. Tendo uma visão mais nítida do romance, talvez te ajude a se inspirar em cenas, os atos de enredo e até mesmo nos personagens.
Por fim, não tem como deixar os livros de lado. Sim, leia muito sobre romances para conseguir escrever de forma mais fluída. Contudo, cada escritor tem sua personalidade na escrita, então, crie a sua!
Mesmo que você se inspire naquele autor(a), lembre-se que seu livro é uma obra 100% sua, precisando ter sua personalidade na escrita ali, as inspirações valem para expandir a mente, misturar arcos e tramas, desenvolver personagens, mas o mais importante é escrever de acordo com seu estilo.
Por fim, vamos de desafio? Crie um rascunho de ideias para uma história de romance a partir de uma música! Pode ser qualquer uma. Depois, conte para gente aqui quais foram as ideias que você teve! Aproveitem e compartilhem as ideias nessa semana de Valentine’s Day.
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Repost: Como escrever o primeiro capítulo de sua fanfic
(Este texto foi publicado originalmente no Blog da Liga em 7/05/2013)
Por: Letícia Silveira
Introdução
Sendo o primeiro capítulo de suma importância, como será visto a seguir, não serão apenas os iniciantes os beneficiados com esse artigo. Aqueles que acabam escrevendo algumas linhas que matam qualquer beta-reader ou leitor que já tenha esse senso crítico também poderão apropriar a sua escrita através desse texto.
Sabe aquela famosa primeira linha de “Meu nome é Xis, tenho tantos anos...”, que dá início a uma introdução da personagem? Ou aquelas que dizem depois “Ah, me desculpem” ou “Ah, me esqueci de me apresentar”? Assumo que já escrevi coisas assim — e, nesse e em todos os momentos, tenho vontade de tacar fogo nas minhas fanfics. E esse desejo não cresce por ser errado começar uma história desse jeito, mas sim porque é inadequado, sendo sinônimo do amadorismo. Há uma diferença tênue entre esses termos.
Vamos, então, às dicas? Para iniciá-las, é preciso haver o entendimento da importância do primeiro capítulo (não só para o escritor como também para o leitor).
“A primeira impressão é a que fica”
O primeiro capítulo é a segunda coisa que mais representa a sua fanfic (já que a primeira é a sinopse). Do enredo, porém, será o capítulo mais importante por introduzir o leitor a um novo mundo, ao mundo que você proporcionou e continuará proporcionando a ele.
Nesse primeiro capítulo, além de introduzir a história, você também mostrará o seu estilo de escrita. Por acaso, você se lembra do velho ditado “a primeira impressão é a que fica”? Logo, em livros, é exatamente assim. Se a pessoa ler o seu primeiro capítulo com o seu estilo e não gostar, adeus, leitor. Ele não terá piedade de abandonar a fanfic, e ninguém quer que isso ocorra, certo? Por isso, preste atenção nas dicas que aqui serão distribuídas especialmente para você. Não se quer ofender ninguém, aqui se busca ajudá-lo.
Rabiscando em um computador
Espera-se que você já tenha montado o início, o meio e o fim da sua história. Caso contrário, não está na hora ainda de escrever o primeiro capítulo. Depois de ter feito já a descrição do que ocorrerá na fanfic, escreva um parágrafo resumindo os principais acontecimentos do primeiro capítulo, que deve iniciar a trama da fanfic. Por exemplo (e esse exemplo foi baseado em uma novela mexicana e, por isso, é dramático):
“Maria é uma policial disfarçada em um pequeno vilarejo. Fingindo ser uma fotógrafa de lugares exóticos, o seu verdadeiro objetivo era prender o corrupto prefeito do local. Apaixonada pela justiça, ela não contava com o paradigma de um novo visitante por quem se apaixonará: um fugitivo da polícia que está usurpando o lugar de um morto. Agora, ela terá de escolher entre o amor e a justiça.”
Nesse parágrafo, há uma pequena apresentação da trama. É algo que ocorre antes do clímax, ou seja, do auge da história que iniciará a partir da confusão do paradigma amor-justiça no caso do exemplo. Os acontecimentos aqui narrados dão início a, justamente, esse auge. Para constar, muitos escritores americanos, principalmente de ficção, utilizam esse meio para escrever histórias. Pois é, aquele livro que você idolatra não começou com o primeiro capítulo — começou assim mesmo: com um parágrafo aleatório e introdutório.
Depois de ter feito isso, tente expandir esse parágrafo. Adicione informações a ele, preencha-o — sempre, é claro, dando coerência. Continuando o exemplo acima, mencionar-se-ia o conflito interno da personagem diante de tal paradigma. Tentar-se-ia expandir a situação para o quadro psicológico.
Quando você terminar este parágrafo, você poderá começar a escrever o primeiro capítulo utilizando várias ideias que foram distribuídas nele, mas começando o capítulo do zero. Será um jeito de você ver as perguntas que surgem com o clímax para tentar colocá-las no primeiro capítulo para o leitor querer continuar a sua leitura, a fim de resolver os mistérios que despertam a sua curiosidade.
Ambientação e sua descrição
Seguindo em frente, após escrever esse pequeno parágrafo, note em que lugar você começou a narrar a fanfic. Naquele parágrafo de exemplo, não se mencionou o local de início, então se começaria por algum lugar do vilarejo caso o foco narrativo começasse com Maria. Senão, se o foco pertencesse ao fugitivo, poderia indicar que tudo iniciou na fuga da prisão, o que também daria certo ritmo à história.
Logo, isso é muito importante: dar intensidade para não entediar o leitor. Como é a parte mais importante do livro, tente prender o leitor logo ali, mas sem apelar para lutas, invasores ou qualquer outra coisa. Não crie um novo acontecimento a cada capítulo apenas para prender o leitor. O desenvolvimento do enredo já o faz por si mesmo.
Além disso, trate de realmente ambientar o local. Não diga algo como “estava na prisão”, diga “as paredes o cercavam por diversos lados, e, quando não as havia, se sentia como um animal enjaulado”.
Além de tudo já mencionado, é importante também realçar que o primeiro capítulo demonstra ao leitor o onde e o quando. Não é preciso mencionar obviamente, apenas guie sem pesar muito nas descrições.
Caracterização das personagens
É aqui que encontramos o elemento que prenderá o leitor à fanfic. Assim que houver uma identificação com uma personagem, o leitor quererá saber o que acontecerá em seguida, qual será o próximo acontecimento ou como ele resolverá o problema.
Chuck Wendig, romancista, roteirista e designer de jogos, disse:
“Se eu chegar ao final do primeiro capítulo e eu não tiver uma ideia sobre o seu personagem principal — se eu e ela não estivermos conectados através de alguma corda psíquica pegajosa invisível — eu estou fora. Eu não preciso gostar dela. Eu não preciso saber tudo sobre ela. Mas eu tenho a maldita certeza de que preciso me preocupar com ela. Faça-me importar! Acione o botão de volume do fator se importar. Deixe-me saber quem ela é. Faça-me temer por ela. Fale-me de sua busca. Sussurre para mim por que é importante a sua história. Dê-me isso, e eu vou segui-la através das entranhas do Inferno.”
Sendo assim, nunca idealize uma pessoa. Ninguém é perfeito, nós sabemos disso. Então, aproveite para explorar os defeitos — bem como as qualidades. Não faça alguém só cheio de defeitos ou só cheio de qualidades. Tente sempre conciliar as características. Para facilitar esse processo, pode até basear a pessoa em você (nada ao pé da letra como nome, idade, colégio, nome dos amigos...), pois o melhor é sempre você escrever sobre algo que você domine. Se não souber descrever lutas, por exemplo, fuja delas. Coisas do gênero. Quanto mais você souber sobre o que você está falando, melhor.
Foco, foco! Voltemos à introdução, observando que não queremos uma avalanche de detalhes da personagem. É preciso desenvolvê-la aos poucos. Por exemplo, “Maria era uma policial séria, discreta, paciente e racional” não seria escrito. Desenvolver-se-ia ao longo do capítulo para não deixar isso tão previsível.
E, quando você for escrever algo como “— Só pode ser praga! — exclamou ele”, procure dar mais informações. Diga algo como “exclamou ele, cerrando os punhos e os levando à cabeça, enquanto o seu queixo tremia devido à sua força”. Isso demonstraria a irritabilidade desse personagem recém-criado. Assim, é mais legal o leitor se envolver na história ao juntar as peças do quebra-cabeça do que você dar um quebra-cabeça completo. Qual seria a graça do presente? E é justamente isso que a leitura é ao leitor: um presente. Podemos viajar, podemos esquecer, podemos viver. É um reino mágico onde não deveria ser tão difícil de entrar, certo? Deveria haver mais autores, certo? Errado. Escrever é difícil, é necessário dedicação. E, principalmente, leitura. Vamos ver a equação da escrita:
Leitura está para escrever assim como escutar está para falar. Se você não escutar, não conseguirá falar algo que preste. Ou seja, se você não ler, não conseguirá escrever decentemente.
Diálogo é o que há
Além disso, é essencial realçar a importância dos diálogos. É o melhor caminho de caracterizar um personagem, repassando os aspectos físicos e emocionais que você pensou ao escrever. Diálogo é o jeito mais rápido de fazer o leitor conhecer a personagem.
Aliás, é um dos melhores jeitos de começar o primeiro parágrafo da sua história. É melhor que “Era uma vez”, que “Era o ano de XXXX” ou que “Maria estava caminhando pelo vilarejo”. Porém, não pode ser qualquer diálogo. Tem de ser bom, tem de ser intrigante, tem de grudar o leitor ao computador e fazê-lo nunca querer tirar a cara dali. Por isso, muitas histórias possuem o Prólogo. Essa parte revela algo crucial à história, podendo conter alguma coisa da própria ação. Por exemplo, se eu começasse uma história de ação com um Prólogo assim, você leria?
“— Dave, por favor, não fica mais aqui. Eles estão vindo, eles estão vindo! — por mais aguda que a sua voz estivesse, verdadeiramente, ela não queria que ele saísse dali. Em um acesso de egoísmo, queria agarrá-lo e apenas ficar ali com ele, mas não conseguiria privá-lo de sua própria vida.
— Não, Duda, eu vou te tirar daqui, eu prometo. — a sua voz era firme ainda que os seus olhos estivessem cheios d’água.
Mais uma vez, ele tentou retirá-la das ferrugens do carro em que estava preso o seu pé. Em meio às lágrimas, Duda já não sentia mais a dor física, agora apenas se preocupava com David, que morreria junto a ela por tentar salvá-la. Ela realmente tinha feito algo para merecer morrer, mas ele, não. Com certeza, o rapaz não merecia um destino tão cruel quanto aquele”.
Há, aí, a tentativa de estabelecer um trecho que ocorreria no meio da fanfic. E, afinal, você ficou curioso para saber o que está acontecendo com a Duda? Qual é a relação entre ela e o David? Como eles são? Quem está vindo? Essa é uma dica que também vale ouro: desperte perguntas que você seja capaz de responder depois. Até você esclarecê-las, o leitor está preso a você.
Por conseguinte, busque ser o mais realista possível com os diálogos; de tal maneira, as personagens não precisam falar na norma culta — a não ser que seja uma fanfic escrita no passado ou algo da sociedade de mórmons (?). Use gírias, saia da concordância verbal — os faça pessoas reais, parecidas com quem você convive. Dependendo da idade, falará de um jeito. Se baseie, por exemplo, em adolescentes que você conhece para escrever os diálogos deles. Claro, procure evitar tantos estrangeirismos (principalmente das palavras em inglês) para não guiar a fanfic ao grupo de pessoas que entendem essa língua e não exagere demais. É sempre bom ter uma margem bem ampla de público, ficando sempre aberto a todos. Há, porém, aqueles que se desafiam e fazem algo bem restrito, e penso que eles merecem palmas.
Conclusão
Em suma, para ter um bom primeiro capítulo, é necessário introduzir sobre o que é a fanfic. Além disso, cuide sempre a ambientação sem optar pelo óbvio assim como deve ser feito na caracterização das personagens. Busque sempre o próximo do real e dê o seu ponto de vista sobre ele.
O primeiro capítulo deve ser o mais difícil de escrever, não se preocupe. Você não está sozinho nessa, pois todos passam pelo mesmo problema. Não sendo monótono, você conseguirá uma grande abertura para a sua fanfic. Se tiver dúvidas se o primeiro capítulo está entediante, contrate um beta-reader (que permanecerá lá dando o seu ponto de vista por toda a história), pois ele criticará coisas assim (além de muito mais).
Lembre-se: a sua missão aqui na Terra é a de abduzir leitores. Caso você não o faça, voltará para o seu planeta de origem.
(Este texto foi originalmente publicado no Blog da Liga em 17/10/2016)
É muito comum que a vida de um escritor seja repleta de momentos aleatórios em que, de repente, temos uma ideia. Seja para algo novo ou para algo que ainda está sendo desenvolvido, diversas situações, palavras ou até mesmo outras obras implicam aquela movimentação nas “engrenagens” do cérebro. Entretanto, também passa pela mente de alguns a insegurança da tal ideia realmente é aplicável, isto é, se ela é boa ou ruim. Este artigo trará algumas dicas e exercícios que podem ajudar a reconhecer se essa ideia é ou não o esperado.
Primeiramente, reflita sobre a dimensão da ideia. É algo difícil de desmembrar? Tem muita quantidade de informação? Vejamos as situações mais comuns de quando a ideia é:
1. Muito complexa ou quantitativa: caso se trate de uma ideia nova, significa que é um bom caminho a seguir, afinal, enquanto construímos nossas ideias, é muito comum cortarmos muito material, como um processo de polimento. Entretanto, se for para uma ideia para algo em desenvolvimento, é necessário se policiar quanto a isso, porque quantidade em excesso, nesse caso, pode implicar num desvio da sua ideia original (a que já estava em desenvolvimento). Normalmente, quando temos ideias mais quantitativas, elas estão orientadas para algo novo.
2. Muito simples ou pequena: é evidente que para uma ideia nova, até mesmo para projetos pequenos (como, por exemplo, uma one-shot), é insuficiente; inclusive, a teimosia de seguir ideias assim costuma gerar bloqueio criativo. Já para projetos em andamento, já é possível uma reflexão sobre como aquilo pode contribuir, desde um detalhe importante sobre um personagem ou fato a até mesmo um pequeno acontecimento em um dos capítulos.
Outro ponto importante a ser trabalhado é a expectativa da ideia. Às vezes temos a falsa impressão de que uma ideia não funcionou por não ter parecido “tão legal” quando passada para o papel, mas as expectativas mudam de pessoa para pessoa, portanto, costumamos realizar aquele velho e bom ato de perguntar aos outros, pedir opiniões.
O terceiro ponto envolve o formato da ideia. Uma ideia pode assumir quatro formatos diferentes, que, por consequência, atuam de maneira distinta num projeto, e é elaborada conforme o seu tipo e cada tipo tem sua função própria no texto. São eles:
1. Formato lógico: A ideia perante um conceito, um significado. Basicamente é o formato que mais conhecemos (e costumamos dizer que apenas isso é “ideia”), é tudo aquilo que é concreto e possível de se passar para o papel. É a “coisa pronta”, podemos dizer.
2. Formato ontológico: A ideia perante a si mesmo, se o material é possível no real. Basicamente são conceitos que decidimos, conforme nossas próprias capacidades, se é utilizável ou não. Geralmente, quando a resposta é negativa, encaramos a ideia como algo absurdo.
3. Formato transcendental: A ideia acima do conceito de ideia, quando é algo que não se conhece e você ainda precisa alimentar o conhecimento por trás disso. Geralmente é assim quando experimentamos coisas novas ou entramos em contato com ideias ontológicas alheias.
4. Formato psicológico: A ideia perante informações subjetivas no nosso inconsciente, o formato em que se encontra a fonte das demais e que é alimentada pelas experiências da vida, também pode ser enxergada pelas inspirações ou o que nos inspira (embora não seja totalmente isso, já que este é um conceito mais perto da criatividade).
E como saber disso ajuda, afinal, a identificar uma ideia ruim? O primeiro passo é saber diferenciar esses conceitos para que não haja confusão. Muitas vezes achamos que uma ideia é ruim, por exemplo, por acharmos um absurdo; mas, na verdade, como foi visto, isso é simplesmente uma ideia ontológica, que só não se encaixa nas próprias capacidades; é um recurso que realizamos automaticamente e nos impede de trabalhar coisas que nunca estaria compatível conosco. Ou que a ideia ficou pequena demais e, portanto, necessariamente, é ruim; vimos que não é bem assim.
Contudo, o fato de reconhecer ideias ruins não se encontra nesses meios óbvios. O exercício disso deve ser justamente em situações aparentemente imperceptíveis, as quais achamos que tudo está perfeitamente aplicável, mas pode, na verdade, não estar. Juntamente com o conhecimento de saber separar esses conceitos de ideias, existem dois exercícios muito úteis para essa situação:
Situação 1
Você se encontra numa situação onde tudo se encaixa perfeitamente, sua ideia tem início, meio e fim, é só colocar em prática. É muito provável que você esteja se deparando com uma ideia ruim. Afinal, todo projeto passa por modificações, tanto pessoais quanto externas. Basta rever os formatos de ideia, ou seja, um projeto está fadado a passar por pelo menos aqueles quatro formatos, essa linearidade que você vê inicialmente na sua ideia vai ser quebrada cedo ou tarde.
Um ótimo jeito de contornar isso é, primeiramente, aceitando que por mais perfeita que a situação pareça ser, você pode estar lidando com uma ideia ruim. Tente mudar algumas situações, ver se fica melhor ou pior. Esse senso crítico que você estiver exercitando vai te ajudar não só a ver se o seu projeto realmente pode seguir outro caminho, mas também serve para olhar a ideia, antes totalmente perfeita, com uma visão mais crítica. Se você tiver dificuldades com senso crítico, pode sempre chamar um amigo ou um beta-reader. Ser crítico amplia horizontes e abre portas para uma ideia ter mais de um conceito.
Situação 2
Você está com uma ideia, porém se encontra totalmente em dúvida sobre valer a pena ou não; além disso, não quer arriscar colocar em prática só para descobrir que isso, futuramente, vai ser como você queria ou não. Realmente não dá para prever o futuro, mas essas quatro perguntas a seguir podem ajudar a ter um esclarecimento mental:
1. A ideia veio realmente de uma inspiração ou de um impulso temporário em ter visto algo maravilhoso?
2. O meu eu de x anos atrás planejaria algo assim?
3. Eu realmente faço ideia do que eu estou fazendo?
4. Eu seria capaz de ter essa ideia novamente?
Como muitas coisas na vida, fazer as coisas por impulso tendem a nos levar para o erro. Inspiração é algo que nos vem e permanece, admiração é algo que acontece enquanto estamos ali para admirar e, no processo criativo, isso nos instiga a querer “fazer parecido”; e esse desejo de fazer parecido nos leva a ideias ruins.
Se você se considera um ser em constante evolução, coisa que é comum entre os escritores, olhar para o passado pode ser uma ótima opção. Se a resposta para a pergunta “2” for sim, considerando que você se considera em constante evolução, esteja em mente que é muito provável que você esteja segurando uma ideia ruim. Desapega!
Essa vai para os ambiciosos de plantão, que se esforçam bastante para ter a ideia triunfal e mais bem trabalhada de todas. Antes que me joguem pedras, não tem nada de errado em se esforçar demais com isso, mesmo que seja extremamente trabalhoso. No entanto, a pergunta “3” pode ter pegado alguns desse tipo de surpresa. E se a resposta foi não... Ideia ruim.
O melhor artifício que um escritor pode ter é a mente e a criatividade que funcionam constantemente, por dias, abordando uma infinidade de assuntos. Mas escritores também são pessoas e pessoas são muito passageiras, assim como ideias. Uma ideia forte é aquela que não é tão passageira assim, algo bom para refletir. E a última pergunta foca justamente nisso: a ideia é algo passageiro assim como o meu eu naquele momento em que a tive ou é algo que com certeza eu pensaria hora ou outra? Se você não consegue enxergar aqui sempre como novo e intenso com o passar dos dias, a ideia ruim é uma possibilidade.
Enfim, o conceito de ideia ruim não fica preso a coisas inviáveis ou rejeições pessoais; com esse artigo, o que desejo é que vocês enxerguem como ruim aquilo que não é praticado, que pode se tornar um obstáculo e, futuramente, atrapalhar mais do que ajudar, ou simplesmente ser algo que não vai para frente, que não produz. Afinal, são ideias ruins.
Dicionário de termos e siglas do mundo das fanfics
(Este texto foi publicado originalmente no Blog da Liga em 13/08/2013)
Por: Gabriela Petusk
Bom dia, leitores e leitoras de todos os lugares! Ou boa tarde, boa noite, não sei. Aqui, pelo menos, é boa noite. O post que escrevi agora veio por necessidade. O mundo das fanfics é um meio com vocabulário próprio, com o qual bastante gente se confunde. Muitas dessas palavras são em inglês ou derivadas dele, e é uma língua que nem todos sabem. Com muito sangue derramado, metafórico, claro, coletei e coloquei em deliciosa ordem alfabética os mais frequentes entre os escritores em português (brasileiro, em sua maioria). Minhas fontes foram o artigo da Wikipedia em português, que tem uma lista até completa, mas bastante desorganizada, a versão em inglês, totalmente diferente, este site, embora alguns termos não sejam de uso na nossa língua, e a fabulosa ajuda dos meus colegas de Liga, aos quais agradeci no final. Lembrem-se sempre de que as referências quanto à classificação de faixa etária são referentes às regras do Nyah! Fanfiction. Os outros sites podem ser diferentes.
Como diz o título, é um dicionário, portanto, serve para consulta sempre que vocês precisarem. Sintam-se à vontade.
A
Angst: Alemão para “angústia”. Fanfic focada na tristeza psicológica das personagens. Não necessariamente tem um clima sombrio como a Darkfic (ver termo).
B
Bara: Subgênero do Yaoi (ver termo) referente ao tipo físico dos envolvidos. A palavra é o japonês para “rosa”, vinda da revista “Barazoku” (tribo das rosas, em japonês), a primeira publicação para leitores homossexuais. Os homens no Bara possuem pelos abundantes no corpo, são musculosos ou acima do peso; algumas fontes, por esse motivo, afirmam a ligação do nome do gênero com a palavra inglesa “bear”, urso.
Beta Reader: Inglês para “leitor beta”. O termo “beta”, na internet, tem uma conotação de teste ou prévia. Vem do alfabeto grego, sendo dele a segunda letra (β), correspondente ao B latino, e a primeira “alpha” (α), correspondente ao A. O “leitor alpha” é o público em si, o objetivo primário da fanfic; o beta é uma “leitura de teste” com direito a comentários para a melhora da qualidade da história. Em português, o leitor beta, ou apenas beta, exerce a atividade de betar e produz uma betagem. Um termo inglês com significado semelhante é “proofread”, “leitura de prova” ou “leitura de teste”, verbo esse usado em contextos profissionais, como editoras e redações.
C
Canon: Conteúdo que está plenamente de acordo com a obra original.
Citrus: Fanfic contendo romance adulto. O termo “romance adulto” não quer dizer apenas a existência de cenas de sexo, embora elas possam aparecer; é mais referente a temas maduros e sérios, como casamento e adultério, do que a relacionamentos jovens.
Crackfic: Fanfic com temática bizarra. Costuma ser de humor. Compare com crack pairing.
Crack pairing ou Crack ship: Casal (ship; ver termo) sem ligação e compromisso algum com o canon (ver termo), não usual ou bizarro. Compare com crackfic.
Cross-dress: Inglês para “travestir”. Fanfic onde uma ou mais personagens se veste com roupas próprias do sexo oposto. Compare com Genderbend.
Crossover: Fanfics onde ocorre o encontro de dois universos diferentes (como uma trama que una Pokémon e Digimon), não necessariamente de autores diferentes. Existe também a ocorrência de crossovers oficiais: a CLAMP, responsável por shoujos muito populares, utiliza-se disso para ligar as várias histórias que publicou.
D
Darkfic: Fanfic que contenha grande quantidade de cenas tristes, depressivas, angustiantes, etc. Uma história classificada como Darkfic tem um clima geral sombrio, não apenas alguns momentos. Compare com Angst. São o oposto das fanfics waffy.
Dark Lemon/Orange: Fanfic com cenas de sexo homossexual forçado (Lemon para homens e Orange para mulheres). A contraparte não consensual do Lemon e do Orange.
Deathfic: Fanfic onde ocorre a morte de uma ou mais personagens principais. A inclusão do aviso na história pode ser considerada spoiler, dependendo da trama. Se, por exemplo, o/a protagonista morreu logo no começo e o enredo é sobre a investigação de como aconteceu aquilo, eu pessoalmente não considero spoiler. O assunto é polêmico, deem a opinião de vocês nos comentários.
Disclaimer: Inglês para “renúncia”. Aviso que deve aparecer em toda história baseada numa obra já existente (fanfiction em geral) renunciando à obtenção de lucro e à autoria de qualquer coisa que não seja do escritor da fanfic. Um exemplo de disclaimer seria: “Personagens e universo original de 'Harry Potter' pertencem a J. K. Rowling; história ficcional e não-oficial escrita sem fins lucrativos.”
Double Drabble: Fanfic com um máximo de 200 palavras. Ver Drabble.
Drabble: Fanfic de até 100 palavras. Existem pessoas que postam drabbles em série, vários capítulos com esse mesmo tamanho. Ver Double Drabble.
E
Ecchi: No ocidente, é usado para aquelas histórias que apresentam sexo ou nudez implícitos.
F
Fandom: Inglês para “domínio de fã”. Tudo o que diz respeito ao grupo de fãs de uma história e sua produção (fanfics, fanarts, cosplays, piadas internas, etc.)
Fanon: Uma ideia bastante difundida em algum fandom (ver termo) que tenha ganhado tanto reconhecimento dos fãs que tem uso frequente.
Femmeslash: Fanfic com o tema central “relacionamento amoroso entre duas mulheres”. A contraparte feminina do slash (ver termo). Não se restringe a histórias de origem japonesa como o Yuri (ver termo).
Ficwriter: Termo em inglês para escritor de fanfiction.
Fluff: Fanfic de romance mais fofa e doce do que um romance comum. Sinônimo de waff.
Furry: Inglês para “peludo” ou “felpudo”. Fanfic com personagens animais ou com características animais, como orelhas felinas e rabo. Os elementos animais costumam vir acompanhados de traços de personalidade correspondente à espécie, porém, não é regra.
G
Gary Stu: Contraparte masculina da Mary Sue (ver termo), personagem com habilidades irrealistas e/ou surrealistas. Sinônimo de Marty Stu.
Genderbend/Genderflip/Genderswap: Inglês para “troca de gêneros”. Ato de criar uma contraparte do sexo oposto de uma personagem que já existe. É uma prática bastante popular nos fandoms (ver termo) de anime.
H
Headcanon: Não tem tradução para o português. O headcanon consiste em uma teoria usada para explicar alguma pergunta não respondida no universo canon (ver termo).
Hentai: Fanfic contendo cenas de sexo heterossexual. O hentai como gênero de anime tem algumas características específicas, como subgêneros próprios; um termo mais neutro para fanfics que não correspondem a isso e/ou não fazem parte do universo dos animes é NC-17, que remete à classificação. Deve ser classificado como +18.
L
Lemon: Fanfic com cenas de sexo explícito entre homens. Deve ser classificada como +18. A contraparte masculina do Orange (ver termo).
Lime: História com cenas de sexo implícitas. O termo se aplica tanto a casais heterossexuais quanto homossexuais e deve ser classificada como +16.
Lolicon: Fanfic contendo um romance entre uma pessoa adulta (de qualquer sexo) e uma garota jovem, ou entre duas garotas jovens. O termo surgiu da abreviação do inglês “Lolita complex”, complexo de Lolita, personagem do romance homônimo de Vladimir Nabokov. Como o termo foi criado no Japão, e no país a idade de consentimento para o sexo é de 12 anos, fica incerto o limite de idade para que uma história seja classificada como lolicon no ocidente. A contraparte feminina do shotacon (ver termo).
Longfic: Fanfic de longa duração. Termo semelhante, mas não idêntico, a saga (ver termo). Não existe um consenso sobre qual seria o tamanho mínimo ou máximo para que uma fanfic seja considerada longfic.
M
MPREG: “Male Pregnancy”, inglês para “gravidez masculina”. Fanfic onde homens geram um bebê por meios naturais.
Maintext: Conteúdo existente e explícito na obra original. Ver Subtext e Canon.
Marty Stu: Contraparte masculina da Mary Sue (ver termo). Sinônimo de Gary Stu.
Mary Sue: Tipo de personagem idealizada, normalmente sem defeitos. Costuma ser criada para a satisfação imaginária dos desejos do escritor, para que os leitores a admirem, invejem e/ou tenham pena dela. Costuma ter tratamento preferencial da parte do autor: tem a atenção maior na história, é perdoada quando os outros seriam punidos, consegue tudo o que quer com extrema facilidade e outros. É mais comum que a Mary Sue seja mulher, mas existe a versão masculina, o Gary Stu ou Marty Stu. Mais sobre o assunto aqui e aqui. Links em inglês.
O
OC: "Original Character", inglês para “personagem original”. Uma fanfic com um OC tem uma personagem criada pelo autor e inserida em um universo já existente.
One-shot: Fanfic de capítulo único. Escritores de ficção original preferem o termo “conto”, porém, one-shot também é de amplo uso para a situação.
OOC: "Out of Character", inglês para “fora da personagem”. Ocorre quando uma personagem age em desacordo com sua personalidade original. Nem sempre é um defeito na história; veja mais a respeito aqui (link para o post “oito erros”).
Orange: Fanfic contendo cenas de sexo explícito entre mulheres. Deve ser classificada como +18. A contraparte feminina do Lemon (ver termo).
OTP: Sigla em inglês para “one true pairing”, um casal verdadeiro. Casal canon (ver termo) em uma história ou favorito de uma pessoa.
P
Pairing: Inglês para “tornar um par”. Casal ficcional, canon (ver termo) ou não. Sinônimo de ship. Também pode se referir ao ato dos fãs de torcer por um ship (shippar).
POV: Point of View, inglês para “ponto de vista”. Em português, também é válida a abreviação “PDV”. Indica o narrador ou foco narrativo daquele momento.
PWP: "Porn Without Plot", inglês para “pornografia sem enredo”. Fanfic sem uma trama definida que costuma apresentar apenas cenas de sexo.
R
R.A.: Sigla para Realidade Alternativa. Fanfic que usa universo e personagens canon (ver termo), mas altera o enredo. Termo semelhante, mas não idêntico, a What If (ver termo).
Reboot: Inglês para “reiniciar”. Consiste em escrever uma história ou fanfic a partir da estaca zero, com as mesmas personagens e ignorando totalmente o enredo anterior. Prática mais frequente nos jogos.
Review: Inglês para “revisão” ou “crítica”. É o comentário com a opinião do leitor deixado após ler a fanfic. A Liga dos Betas recomenda: envie sempre o seu.
Roleplay: Inglês para “interpretação de papéis”. Modalidade de jogo online, de mesa ou por escrito (normalmente em fóruns) em que os participantes criam uma personagem para si e jogam como ela dentro de um universo estabelecido.
S
Saga: Fanfics com muitos capítulos; normalmente, mais de vinte.
SAP: “Sweet as possible”, inglês para “tão doce quanto possível”. Fanfic fofa e doce sem exageros. Termo de pouco uso nas fanfics em português. Não tem ligação com a tecla SAP.
Self Inserction: Fanfic onde o autor se insere como personagem na história.
Ship: Termo derivado do inglês “relationship”, relacionamento, significando casal ficcional. Pode ser canon (ver termo) ou não. Sinônimo de pairing. Também pode ser escrito no gerúndio: “shipping”. O sufixo também está presente na palavra “friendship”, amizade, não tem tradução exata para o português. Ships podem ser escritos com uma barra ou uma letra X entre os nomes dos componentes, uma combinação dos dois nomes ou uma palavra de comum acordo no fandom (ver termo) que represente o ship. Exemplos: Harry/Ginny, Ron X Hermione, NaruHina (Naruto e Hinata), Revolutionshipping (Yami Yugi e Anzu, de Yu-Gi-Oh Duel Monsters) e Bittersweet (Neji Hyuuga e Tenten, de Naruto). Existe o costume de escrever o nome do homem antes do da mulher em um ship heterossexual, assim como o do parceiro ativo antes do passivo nos ships homossexuais, porém, não é uma regra.
Shipper: Pessoa que é fã de determinado casal e/ou escreve sobre ele. Um shipper exerce a atividade de shippar, “shipping”, em inglês. Compare com ship.
Shipwars: Inglês para “guerra de ships”. Discussão ferrenha acerca de qual ship (ver termo) é melhor ou “mais canon” (ver termo). Costuma ocorrer entre shippers (ver termo) de diferentes casais.
Shortfic: Inglês para “fic curta”. História com mais de um capítulo, porém, não tão grande como uma longfic (ver termo) ou uma saga (ver termo), contendo um máximo aproximado (mas não consensual em todo o meio das fanfics) de dez capítulos. Os capítulos costumam não ser muito longos, parando por volta das três mil palavras, dado que também não é de comum acordo.
Shotacon: Fanfic contendo um romance entre uma pessoa adulta (de qualquer sexo) e um garoto jovem, ou entre dois garotos jovens. O termo tem origem no inglês “Shotaro complex”, complexo de Shoutarou, personagem do mangá Tetsujin 28-go. Como o termo foi criado no Japão, e no país a idade de consentimento para o sexo é de 12 anos, fica incerto o limite de idade para que uma história seja classificada como shotacon no ocidente. A contraparte masculina do lolicon (ver termo).
Shoujo-ai: Fanfic com relações românticas leves, normalmente platônicas, entre mulheres. A contraparte feminina do shounen-ai (ver termo). Mais comum em obras de origem japonesa e nas fanfics derivadas delas.
Shounen-ai: Fanfic com relações românticas leves, normalmente platônicas, entre homens. A contraparte masculina do shoujo-ai. (ver termo). Mais comum em obras de origem japonesa e nas fanfics derivadas delas.
Side Story: Inglês para “história lateral”. Capítulo bônus ou história curta que narra algo paralelo à trama original ou explica algo não resolvido. Não é necessária para o entendimento do enredo principal, apenas o complementa.
Slash: Fanfic com o tema central “relacionamento amoroso entre dois homens”. "Slash" é a palavra em inglês para "barra", o caractere usado para escrever um ship (ver termo). Não se restringe a obras de origem japonesa como o Yaoi (ver termo).
Songfic: Fanfic que contém a letra de alguma música na história para complementar a narrativa, ou cujo enredo se baseie em uma letra.
Spin-off: Obra narrativa derivada de uma que existia antes. Uma das séries que possui vários deles é Law & Order, cujo spin-off Law & Order: Special Victims Unit é até mesmo mais popular do que o original.
Subtext: Conteúdo existente na obra original, porém não explícito. Não deixa de ser considerado canon (ver termo) por não ter sido descrito. Costuma dar muita abertura à criação de fanfics; um exemplo perfeito do fenômeno é o grupo dos Marotos, em Harry Potter. Ver Maintext.
Subtexters: Fãs das informações deixadas como subtext (ver termo) pelo autor e que exploram isso em suas histórias.
T
TWT: “Time? What time?”, inglês para “tempo, que tempo?”. História cuja sequência não acontece em ordem cronológica (passado, presente e futuro). Pode ocorrer uma inversão, como na série de filmes Star Wars, ou ir e voltar durante a narrativa. Dom Casmurro, de Machado de Assis, pode ser de certa forma configurado como um TWT.
U
U.A.: Sigla para Universo Alternativo. Fanfic que usa personagens de uma história em um universo diferente.
Y
YA: Sigla em inglês para “Young Adults”, jovens adultos. Literatura direcionada para adolescentes e, como o nome diz, jovens adultos, faixa etária que vai até por volta dos 25 anos. Com o crescimento do público, deixou de ser apenas uma classificação indicativa e se tornou um ramo editorial ou até mesmo um gênero. Costuma ter protagonistas com idade próxima à dos leitores e trazer questionamentos comuns dessa época de vida, como a fase adulta que se aproxima e a busca pela identidade. É um dos gêneros de livro que mais baseia fanfics.
Yaoi: Fanfic com romance entre dois homens. Termo mais usado em obras de origem japonesa (animes e mangás). A contraparte masculina do Yuri. É uma sigla derivada da frase “Yama nashi, ochi nashi, imi nashi”, japonês para “sem pico (clímax da história), sem queda (desfecho), sem sentido”, sentença usada para definir a falta de um enredo no início do gênero, que se comportava de maneira semelhante ao PWP (ver termo) nas fanfics.
Yuri: Fanfic com romance entre duas mulheres. Termo mais usado em obras de origem japonesa (animes e mangás). A contraparte feminina do Yaoi. “Yuri”, em japonês, é a palavra para “lírio”. Surgiu na antiga revista “Barazoku” (tribo das rosas, em japonês), voltada para o público homossexual masculino, em uma coluna de nome “Yurizoku no heya” (sala da tribo dos lírios, em japonês), esta sendo voltada para as leitoras.
W
Waff: Sigla em inglês para “warm and fuzzy feeling”, “sentimento caloroso e fofo”. “Espírito” de uma fanfic focada em ser agradável e/ou romântica. Ver Waffy e Fluff.
Waffy: Adjetivo para uma fanfic que contém Waff. Ver Waff e Fluff.
What If: Inglês para “e se”. Fanfic que explora um enredo baseado em: o que aconteceria se a história tomasse um rumo diferente. (Ex: Harry Potter voltar ao passado para salvar o mundo bruxo; etc.). Termo semelhante, mas não idêntico, a R.A. (ver termo).
Na cultura pop, muitos vilões já se consagraram queridinhos dos fãs há tempos e continuam ganhando mais e mais espaço na produção de mídias (vide a série dedicada ao Loki ou o filme do Coringa, por exemplo). Esses personagens incorporam o grande ponto de adversidade dos enredos e, assim como seus rivais, aparecem com diferentes motivações, métodos vilanescos e carismas. Mas como todo bolo bonito e gostoso, os vilões também têm uma receita de base (elementos essenciais para a construção de um oponente consistente e dinâmico) e é sobre isso que vamos falar neste artigo.
NO CERNE DA MALDADE – O QUE FAZ O MONSTRO SER UM MONSTRO?
Se você se perguntar o que é um vilão, respostas como “alguém mau” e “quem faz coisas condenáveis” vão surgir com certeza. É fácil encontrar exemplos padrões tanto na vida real quanto na ficção para ilustrar essa categoria de personalidade. Também é simples compreender que o vilão, o “monstro”, representa ameaça, um conjunto de coisas que não achamos certas e/ou das quais temos medo.
Talvez você já tenha ouvido falar da obra “A Jornada do Herói”, de Joseph Campbell. Ele destrinchou os ciclos que os heróis costumam percorrer em diferentes narrativas, elencando pontos-chaves na estruturação de um bom enredo. Porém, a história dos mocinhos não é do nosso interesse no momento, por isso vamos pular para Christopher Vloger. Baseando-se no guia de Campbell, Vloger publicou “A Jornada do Escritor”, que contempla um leque de aspectos da psicologia e os correlaciona a arquétipos de personagens.
Um dos arquétipos descritos por Vloger é o da Sombra, caracterizado pelo lado obscuro da personalidade. Na psicologia analítica de Carl Jung, esse arquétipo é definido como maligno, os “desejos e experiências que devem ser rejeitados pela mente consciente do indivíduo por ser incompatível com os padrões morais”¹. Soa bastante vilanesco, não é? Aí está a sementinha do mal.
O vilão é um personagem que está, basicamente, do lado errado, na contramão do que prega a moral vigente no enredo. A partir disso, pode seguir um viés de alívio cômico ou ser a ruindade em carne e osso, depende do que sua história pede. O importante é adicionar o tempero: pensamentos e/ou comportamentos que moldem o carisma do vilão de maneira a aproximá-lo dos leitores. Assim como os heróis não são inteiramente puros, os oponentes não são inteiramente ruins. E para falar a verdade, os vilões veem as coisas de modo distorcido: “Do ponto de vista do vilão, ele é o herói do seu próprio mito”, nos lembra Christopher Vloger. Aqui fazemos um gancho para a concepção de ego inflado de Jung, que versa sobre a busca pelos interesses pessoais acima de tudo, competição, individualismo e possessividade.
Partindo dessas descrições, podemos untar nossa forma vilanesca. O vilão:
● agirá segundo uma moral própria;
● colocará seus interesses pessoais acima de tudo e todos, não medindo esforços para alcançá-los;
● tomará a si mesmo como o “lado certo”.
O COMBUSTÍVEL DO MAL – A MOTIVAÇÃO E O OBJETIVO
Hora de separar os elementos da massa do bolo. Pense em um vilão que você gosta e tente se lembrar nas primeiras aparições dele no universo em que está inserido. De cara, o enredo costuma esclarecer ao menos os objetivos desse personagem e, eventualmente, suas motivações. Esses ingredientes são primordiais, uma vez que as ações e relações do vilão serão construídas segundo suas motivações para atingir seus objetivos.
O seu vilão pode ter o simples objetivo de causar dor aos outros por gostar ver sofrimento? Pode! Mas isso precisa ficar claro. Justificativas são importantes, fazem muita diferença e devem aparecer em algum momento. Mesmo que você não tenha inclinações de fazer seus leitores gostarem do vilão, esse personagem precisa ser compreendido – lembrando que compreensão não significa concordância.
Pensando nisso, a massa do bolo vilanesco precisa perpassar por levantamentos básicos:
● qual é o objetivo final e o objetivo secundário do vilão?
● o que motiva as ações do vilão?
● por que o vilão acredita que seus objetivos são importantes e o que faz é certo/necessário?
RESPEITO, PODER, BANANA! – AS FERRAMENTAS PERFEITAS
Se você não pegou a referência, sinto muito, mas não vamos ser amigos.
Com a massa pronta, vamos aos ingredientes que vão dar gosto ao bolo. O vilão precisa atingir seus objetivos e, é claro, os fins justificam os meios. Que meios são esses? Tudo depende da história do seu vilão, por exemplo: se o personagem tem influência e dinheiro, pode se valer disso. Os objetivos vão dizer quais são as ferramentas necessárias e então o recheio vai depender se o vilão já as tem ou não. Assim:
● se o vilão ainda não tem as ferramentas/os meios de que necessita, o que fará para consegui-los?
● como as ferramentas são manipuladas?
● ele tem aliados/subordinados? Como esses personagens se encaixam na arquitetação do plano maligno?
SE RENDER OU CAIR ATIRANDO?
Alguns vilões se arrependem e mudam, alguns fingem arrependimento por um tempo e outros nem se dão ao trabalho. Isso é mais um toque no recheio do bolo. Às vezes os objetivos e as prioridades do personagem podem mudar, ele pode ser demovido de suas inclinações por uma infinidade de motivos, pode ter derrotas e vitórias parciais e etc. Independente da jornada do vilão, o trajeto precisa fazer sentido e estar de acordo com suas experiências e sentimentos.
Se o vilão vai ter um arco de rendição depois de ter aprontado horrores, isso não pode acontecer do mais remoto nada (senão o bolo desanda!). Os motivos que fizeram ele ser o que é não podem ser ignorados de uma hora outra, é preciso justificar. A considerar:
● rendição ou redenção?
● o vilão está satisfeito em ser mau?
● os motivos para as mudanças do vilão são suficientemente fortes?
● como o vilão encara as chances para mudar?
COBERTURA DE VENENO
Você prefere um veneno doce que não parece nada perigoso ou um veneno ligeiramente letal? Esse é o toque final do nosso bolo: a cobertura! A aparência e a personalidade do seu vilão são características de introdução e mesmo para personagens fictícios, a primeira impressão é a que fica. Desse modo, é essencial que você pense nas reações que deseja provocar no leitor nos primeiros contatos (diretos e indiretos) com o vilão.
Apostar em características sedutoras ou engraçadas é um modo de conquistar os leitores. Aparências mais assustadoras ou atitudes insensíveis é um modo de provocar rejeição. É claro que a reação dos leitores pode ser influenciada ao longo do enredo, mas a aparência de um bolo que você ainda não experimentou é o que vai te fazer querer um pedaço ou não.
Calcule como o vestuário, o vocabulário e os gestos do personagem conversam com sua personalidade. O conjunto faz sentido para conquistar as reações que você deseja?
De maneira geral, é interessante tomar a jornada do herói como uma base paralela para construir a história do vilão. Porém, se esse personagem não integra o núcleo de protagonistas, é melhor adotar outro caminho. Mantenha em mente que é preciso apontar as mudanças que o trajeto causa no vilão e mantê-lo coerente com a construção de seu caráter. Muitas vezes, o contexto vai ser o suficiente para fazer os leitores compreenderem o personagem, porque, afinal de contas, todos temos o arquétipo da Sombra (mesmo que seja custoso admitir).
RECOMENDAÇÕES DE VILÕES
Orochimaru – Naruto, Masashi Kishimoto
Bertrand Zobrist – Inferno, Dan Brown
Cersei Lannister – As Crônicas de Gelo e Fogo, George R. R. Martin
Hannibal Lecter e Bufallo Bill – O Silêncio dos Inocentes, Thomas Harris
Rainha Vermelha – Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll
Drácula – Drácula, Bram Stoker
Megamente – Megamente, Alan J. Schoolcraft & Brent Simon
REFERÊNCIAS
¹A jornada do vilão. Disponível em: https://super.abril.com.br/especiais/a-jornada-do-vilao/
Arquétipos e Sombras. Disponível em: Arquétipos e Sombras - Projeto Arquétipos (projetoarquetipos.com.br)
A Filosofia de Vader e Voldemort: A Jornada do Vilão. Disponível em: A Filosofia de Vader e Voldemort: A Jornada do Vilão
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Aqui segue uma lista de 5 filmes cults inspirados em livros, para você se divertir e se inspirar como quiser! Afinal de contas, ver um bom filminho às vezes é tudo o que precisamos para nos ajudar a escrever uma parte do enredo ou uma cena em específico da nossa história. Por isso, faça bom uso das indicações.
1. “Me chame pelo seu nome” de Luca Guadagnino, baseado no romance homônimo de André Aciman
“Me chame pelo seu nome” é casual, tenro e fustigante. Um dos papéis que elevou Timothée Chalamet como ícone indie e grande ator, dada a maturidade de sua atuação mesmo sendo tão jovem. Nessa obra, Elio é um jovem garoto que está passando o verão no interior da Itália com sua família, o que ele não esperava era a presença de Oliver, um assistente temporário de seu pai, por quem Elio começa a desenvolver sentimentos amorosos.
Com paisagens um tanto intimistas, aconchegantes e belas, o romance mostra o descobrimento da orientação sexual de um jovem garoto e também o relacionamento que se estabelece entre ele e um homem um pouco mais velho. “Me chame pelo seu nome” traz um sentimento estranho para o peito, com cenas que às vezes são apenas closes reflexivos sobre a situação das personagens.
Para aqueles que estão a desenvolver romances homoafetivos, essa com certeza é a inspiração certa. Além disso, a construção das personagens é extremamente perfeita quando se trata de Oliver e Elio!
2. “Little Women” de Greta Gerwig, baseado no romance homônimo de Louisa May Alcott
Mais uma indicação com o rei do indie! No entanto, dessa vez o palco realmente brilha com a personagem de Saoirse Ronan, Jo March, uma incrível e sonhadora garota que almeja ser uma grande escritora um dia, indo contra a máxima de se casar como único futuro possível para uma mulher, algo típico de sua época. “Little Women” mostra a adolescência e o começo da vida adulta para Jo March e suas irmãs, esmiuçando situações que até mesmo várias de nós passamos: o amor, as responsabilidades, as normas sociais subjugadas às mulheres e o futuro...
“Little Women” é simplesmente intrigante, cada irmã March possui sua própria mentalidade e sonhos, suas dificuldades e conquistas. Ao mesmo tempo, há também o personagem de Timothée Chalamet, Laurie, neto de um homem rico que mora quase ao lado da família March. Laurie acaba participando da vida das meninas e até se apaixona perdidamente pelo jeito espontâneo de Jo, mesmo que ela não o retribua em seu amor. É nele que podemos comparar a forma como a sociedade lida com jovens garotas e jovens garotos, os quais se casar é apenas mais uma opção.
Em “Little Women”, vemos da melhor forma o que é irmandade e também nos apercebemos das variadas situações que surgem em nossas vidas a partir da adolescência. É uma obra maravilhosa e de época, a inspiração mais do que necessária para os escritores que pretendem escrever sobre o universo feminino em uma sociedade mais tradicional.
3. “Little Women” de Greta Gerwig, baseado no romance homônimo de Louisa May Alcott
Um romance extremamente cálido e gentil, que te faz refletir sobre a vida e o amor. Francesca é uma esposa e mãe dedicada, vivendo uma vida pacata em Iowa. No entanto, quando seu marido e filhos viajam, suas pequenas “férias” se tornam intrigantes, ao conhecer Robert, um fotógrafo que precisa de ajuda para conhecer a região e tirar suas fotos.
Com isso, Francesca acaba sendo tirada de sua rotina ordinária, e ambos passam a redescobrir o amor, de forma madura, vagarosa e com várias tensões. Trata-se de uma obra, tanto o livro quanto o filme, que esmiúça os sentimentos avassaladores e as problemáticas da realidade, ótima para inspirar romances reais ou até mesmo clichês. Afinal de contas, nem sempre ficamos ao lado de nossas almas gêmeas, mesmo que o amor seja belo.
4. “O Poderoso Chefão” de Francis Ford Coppola, baseado no livro homônimo de Mario Puzo
Um clássico do cinema! E talvez um filme que todos deveriam ver. “O Poderoso Chefão” conta as complexidades da família Corleone, em especial de Don Vito, o patriarca da família, o qual possui uma aura de autoridade e poder ao seu redor. Com direito a romances, mortes, assassinatos, crimes... Coppola monta o cenário perfeito para mostrar a máfia italiana.
Embora muitos acreditem que o filme superou o livro, a escrita de Mario Puzo fornece narrativas muito interessantes e mais detalhes sobre as personagens da obra. Porém, para aqueles que pretendem escrever um bom romance de máfia, mesmo que com uma narrativa mais clichê, “O Poderoso Chefão” é o filme mais do que certo para adentrar nesse clima e se aperceber das dificuldades que é estar no poder ou os empecilhos de ser amada/amar um mafioso.
5. “Apocalypse Now” de Francis Ford Coppola, inspirado no livro “Heart of Darkness” de Joseph Conrad
Quem vê essa foto com a cara do Charlie Sheen nem imagina o que aconteceu nas gravações desse filme! “Apocalypse Now” foi gravado no Sudeste Asiático apenas um ano depois da Guerra do Vietnã, sendo um filme de guerra sobre as consequências desse conflito e também sobre os males da colonização.
Inspirado no livro “Heart of Darkness”, ambas as obras contam a história de Marlow (Charlie Sheen), um capitão que está em busca de um homem misterioso chamado General Kurtz, o qual se rebelou e foi viver em uma comunidade indígena no meio da selva, em que o aclamavam como um deus. No meio de sua jornada, Marlow vê o horror da selva, da morte e da maldade humana. Ambas as obras são perfeitas para alguém que quer fazer uma narrativa sobre guerra ou algo mais simbólico, explorando o lado podre da condição humana.
Além disso, o livro de Conrad foi inspirado nas próprias vivências traumáticas dele pela costa africana. E “Apocalypse Now” não ficou para trás. Durante as filmagens, um furacão destruiu o set de filmagem, Charlie Sheen teve um ataque cardíaco e muitas pessoas da produção desistiram das filmagens por problemas de saúde mental, pois não suportavam mais o clima quente, úmido e cheio de mosquitos do Sudeste Asiático.
Começar uma história é uma parte muito complicada. Resumidamente, o início de sua história precisa ser instigante, prender o leitor e gerar o interesse de continuar lendo e lendo, até descobrir o final de sua trama.
É muita responsabilidade para tão poucas linhas.
Muita gente entra em parafuso. Como eu posso fazer isso? O que eu preciso colocar? E o que eu preciso evitar?
Já aviso que não tem receita. Como tudo no campo da escrita (e de quase qualquer coisa que tão tenha números no meio), não tem fórmula pronta. Não tem um "se eu fizer A e B, com certeza vou ter o resultado C". O melhor início vai depender de sua história, do seu estilo de escrita, de como você quer impactar o seu leitor, quais primeiras impressões você quer passar, etc.
O que podemos fazer (eu e outros blogueiros que adoram dar pitaco dicas) é apenas dar sugestões, em geral, do que pode ser feito para que você tenha um norte na hora de escrever.
Claro que se você tem certa experiência e um estilo legal de escrita, mesmo um dos temas que a sugestão é que se evite, você pode transformar num começo excepcional e diferente. Mas se ainda tem muitas dúvidas ou está começando agora, melhor ir por um caminho mais seguro (o que não quer dizer, porém, que precisa fazer igual a todo mundo. Mesmo no tradicional é possível haver inovação).Tem dúvidas em como começar sua história? Então senta aí, anota das dicas, pega uma bússola e vamos tentar desbravar juntos o caminho das pedras.
5) Evite descrições logo de cara
Seja de ambientes ou de personagens, o melhor a fazer é evitar. O leitor ainda não está interessado na cor de cabelo e olhos do protagonista ou em quantas colunas tem o salão do local onde ele está. Ele quer mais saber o que está acontecendo e quem são os envolvidos para poder começar a estabelecer hipóteses do que vai acontecer nos próximos capítulos e como será resolvido o mistério principal.
Principalmente descrição estática de ambiente. Jamais me perdoo por ter começado uma história basicamente com "A casa de Fulana tinha dois andares, janelas quadradas e era marrom". Ninguém liga! O pessoal quer muito mais saber quem é a Fulana e qual o problema em que ela se meteu para decidir se vale a pena continuar lendo ou não.
Se você já começa com descrição que nobody yes door ninguém se importa, o leitor vai decidir pelo não e devolver seu livro pra estante ou fechar a aba da sua fic e passar pra próxima.
4) Não fale sobre o tempo
Pior que começar com descrição de pessoas ou locais, é começar com descrição de como estava o céu, qual a temperatura, se estava chovendo, etc.
A não ser que seja realmente MUITO importante pra sua história saber se está chovendo ou fazendo sol, procure outra maneira de começar. Se quiser, aborde o tempo depois, mas não nos primeiros seis parágrafos, pelo menos. De novo: o leitor quer saber quem está envolvido no que, não se o protagonista vai destruir a chapinha na tempestade se colocar o pé fora de casa (a não ser que sua história seja sobre isso).
E sim, também já comecei história assim também. Shame on me!
3) Sem história passada do personagem logo de cara
Por mais que o leitor queira saber quem é o seu personagem, em geral ele está pouco se lixando para o que ele fazia na infância, como foi o primeiro beijo, o nome do melhor amigo ou do primeiro cachorro, exceto quando a informação é importante para o começo.
Seu leitor quer saber quem é e o que faz seu personagem AGORA! HOJE! NO MOMENTO EM QUE A HISTÓRIA COMEÇA.
Flashbacks são interessantes e ajudam bastante a conhecer melhor os personagens de sua história, mas não comece já com eles. A exceção é quando você já começa com um episódio do passado que dará o start para a história por ter algo nele que será importante pra trama. Mas o personagem aparecer e duas ou três linhas depois estar repassando TODA a vida pregressa dele? Melhor deixar para depois.
Você terá vários e vários capítulos ainda para isso. Calma.
P.S.: Apresentar toda a vida do personagem de uma só vez com flashbacks super longos podem ser maçantes e distrair o leitor da trama principal. Selecione as informações fundamentais e tente diluir isso ao longo do texto, quando couber melhor. Assim você até pode gerar mais suspense sobre certos aspectos da trajetória do seu personagem e deixar seus leitores curiosos.
2) Comece com algo acontecendo
Parece óbvio, mas não tanto.
Vamos supor que você quer começar descrevendo o tempo que está fazendo porque está chovendo muito forte e seu personagem está preso no trabalho, com muita vontade de chegar em casa.
Ao invés de começar com um insosso "Chovia muito forte quando João chegou à portaria do prédio. Nervoso, ele pensou que não chegaria em casa a tempo de ver seu programa preferido", experimente algo diferente. Mais interessante.
Exemplo?
"Faltava apenas trinta minutos. Ele jamais chegaria a tempo. Em condições normais, já levaria mais de quarenta para percorrer o caminho de volta para casa graças ao trânsito. Mas ainda estava preso no prédio de sua repartição. Uma poderosa queda de luz o forçara a descer mais de dez andares de escada, e ele estava ofegante, cansado e furioso. Tudo cortesia daquela maldita tempestade de verão que, não contente em deixar metade da cidade no escuro, ainda inundava as ruas do centro. Logo ele estaria ofegante, cansado, furioso e ensopado até os ossos. Tudo o que queria era chegar em casa e poder ter um pouco de paz. Tomar um bom banho, jantar, conversar com a esposa, colocar os filhos para dormir e depois esticar as pernas enquanto assistia seu programa preferido. Agora, não teria nada disso. Só a chuva e o frio para acompanhá-lo por um bom tempo".
Bom, ficou maior do que eu esperava, mas ainda dava para ter explorado mais. Além de, na segunda versão, começar de uma forma mais ágil, demonstrando mais o senso de urgência da situação, ainda ficamos curiosos.
E a importância disso nós veremos no tópico a seguir.
1) Deixe perguntas na mente do seu leitor
A ideia é simples: quanto mais curioso para ver o que vem a seguir seu leitor ficar, mais páginas ele vai virar, mais capítulos ele vai ler. Por isso mesmo começar já plantando essas perguntas vai fisgá-lo nas primeiras linhas.
Voltando aos exemplos do item anterior, começar logo de cara entregando a causa do João estar com tanta pressa mata as perguntas do leitor. Ele não terá espaço para criar hipóteses e testá-las. Você já deu tudo de bandeja. Não faça isso. É subestimar a inteligência de seu público achar que eles não podem pensar e juntar as peças por si mesmos.
Já no segundo, até o momento em que é revelada a causa do atraso, o leitor terá espaço para imaginar o que pode estar acontecendo para atrasá-lo e, principalmente, porque ele quer tanto chegar logo em casa. Eu poderia ter dado uma motivação ainda mais forte (ou mais engraçada. Tem algo mais desesperador — quando somos nós — e hilário — quando é com os outros — que alguém querer ir ao banheiro, mas não ter nenhum disponível?), mas acho que já é suficiente para a gente se colocar no lugar do João.
De uma tacada só, o leitor ficou curioso, criou hipóteses e as testou e ainda desenvolve uma ligação com o personagem principal. Afinal quantas vezes queremos só voltar para casa e ficar descansando junto de nossa família, mas algo ou alguém atrapalha nossos planos?
Pense nisso.
Creio que não é necessário lembrar vocês da importância de, ao alcançar um nível de qualidade satisfatório no primeiro capítulo, manter esse padrão no resto da história. Leia, releia, revise, rescreva se for preciso (para acrescentar ou remover coisas), enfim. Tome cuidado para a história manter o nível de qualidade em todos os capítulos, não apenas no primeiro.
Anote essas dicas, pesquise mais, tire suas dúvidas com pessoas que você confia e sabem do assunto, procure betas, etc. Cuide de sua história como se ela fosse seu filho, seu maior tesouro, e os frutos virão, por mais que demorem.
Afinal, não tem nada mais frustrante do que o primeiro capítulo ser perfeito, impecável, e a partir dali a história ir só ladeira abaixo. É um cenário improvável (o mais comum é acontecer o contrário), mas não impossível.
Por hoje é só. Mais alguma dica? Gostaram? Algo a criticar?
Olá, pessoal! Conforme o prometido, aqui estou eu novamente para dar continuidade ao assunto que começamos alguns dias atrás, sobre como escrever um romance slow burn.
Na publicação passada vimos o que é esse tipo de romance, as formas mais comuns nas quais o encontramos, e vimos, também, uma maneira bem simples de organizar a evolução do casal dentro da história. Portanto, se você ainda não viu o texto passado, corra ver para que possamos continuar o nosso papo.
Hoje eu vou falar sobre a construção do Romance Slow Burn dentro da estrutura de enredo mais conhecida e adotada pelos escritores, que é o enredo construído em três atos (assunto, que por sinal, já foi abordado aqui no blog outras vezes). É importante dizer logo neste início, que existem vários tipos de arcos de enredo, e o que vamos abordar para a construção do slow burn será o arco de mudança positiva, pois os nossos protagonistas sempre iniciarão a nossa história incompletos de certa forma, e através do desenrolar dos fatos eles aprenderão determinadas lições que os farão pessoas melhores no final. Algumas pessoas também têm dúvidas se a estrutura do arco do personagem é algo diferente da estrutura do tema da história, e a resposta para isso é: uma coisa certamente depende da outra. A escritora K. M. Weiland, em quem este texto irá grandemente se basear, diz que “o personagem dirige o enredo, e o enredo molda o arco do personagem. Eles não podem trabalhar independentes um do outro”. Logo, o que vamos fazer aqui é aprender como preparamos o arco dos nossos personagens dentro de uma temática qualquer que está inserida numa história com romance slow burn.
A primeira coisa que você terá que ter em mente é que o slow burn é um romance estruturado de maneira diferente de uma história de amor comum. Como a Elyon Somniare aponta num dos textos aqui do blog, a estrutura mais comumente usada nas histórias de amor dá-se da seguinte forma:
Ato 1: Os protagonistas são apresentados ao leitor (e por vezes um ao outro), começando e estabelecendo a sua relação. No final desta fase estão apaixonados [...], mas algo acontece que os separa.
Ato 2: Os amantes separam-se. Pelo menos um deles tenta reaproximar-se do outro, o qual ou espera pacientemente, ou rejeita as tentativas de aproximação. Pode haver uma luta com um antagonista.
Ato 3: Os amantes reúnem-se, devido ao amante ativo, que encontra um modo de ultrapassar todos os obstáculos. E não podem ser os dois ativos e fazer isso? Podem. O que interessa é que o amor foi testado e é agora maior e melhor.
Note que nesse tipo de enredo os protagonistas já começam a estabelecer uma relação amorosa logo no Primeiro Ato, e já no fim dele se separam para serem reunidos novamente apenas no final do Terceiro Ato. Na estrutura do Romance Slow Burn você não pode, de maneira nenhuma, esquecer que o negócio, sim, é muito lento e levado em “banho-maria”, e, portanto, não, nosso casal não fica junto já no Primeiro Ato. Algo concreto irá acontecer só depois da metade do Segundo Ato, sendo seguidamente atrapalhado por algum empecilho que o fará ficar junto apenas no Terceiro e último Ato. Mas, tia, o negócio é tão lento e entediante assim mesmo? Sim, o negócio é lento, cara criança, mas de modo algum entediante. Desde que você siga os passos para prender a atenção do leitor desde o tenro início de sua história, as coisas estarão bem longe do tédio.
Tá, tia Helen, então, como eu faço para estruturar esse romance nos três atos que a senhora falou?
Simples: da mesma forma como você faria com qualquer outra história com arco de mudança positiva (haha!). Por isso, o que vamos fazer aqui é relembrar como essa estrutura é organizada e, no final, veremos um exemplo prático de construção de enredo e personagens os quais, por maldade minha, se enquadrarão naquele primeiro caso mencionado no post anterior, do típico casal que se odeia à primeira vista, depois se torna amigo e, finalmente, ufa, apaixona-se.
Os cinco elementos que irão compor a história do seu personagem
Para colocarmos a história do nosso lindo casal dentro do arco histórico, precisamos antes definir os elementos que darão vida ao nosso enredo. Eu falarei sobre eles no singular, como se referindo-me apenas a um personagem, mas, claro, se a sua história for escrita tanto sob o ponto de vista do personagem A como pelo ponto de vista de B, lembre-se que esses elementos devem ser planejados para ambos.
1. A Mentira em que seu personagem acredita
A Mentira é uma crença específica que o seu protagonista tem, uma visão mal concebida a respeito de si mesmo, do mundo ou de ambos. O Arco do nosso personagem será todo sobre esta Mentira em que ele acredita, pois ela o faz incompleto, e o faz enxergar as coisas sob uma perspectiva errada. Essa visão mal concebida será o calcanhar de Aquiles do nosso personagem, como M. K. Weiland mesmo menciona, e será o que o impedirá de conseguir o alvo que ele tem traçado no enredo da história, assim como o impedirá de desenvolver também um relacionamento amoroso livre de problemas com a outra pessoa. A Mentira é o que o torna “quebrado”, e a jornada é sobre torná-lo “inteiro” novamente.
A Mentira pode causar em seu personagem alguns sintomas, como o medo, a mágoa e diversos outros.
No Romance Slow Burn: A Mentira é visão de mundo ou de si mesmo que faz com que o personagem tenha dificuldades de amar ou aceitar o amor de outra pessoa.
2. A coisa que seu personagem quer versus a coisa que seu personagem precisa
A Mentira se apresenta na história através do conflito entre a coisa que seu personagem quer (algo que o faz sentir-se aliviado dos sintomas da Mentira) e a coisa que ele realmente precisa (a Verdade que ele precisa descobrir, a cura para a sua Mentira). Por exemplo, na história o seu personagem tem um alvo bem definido (a coisa que ele quer). Mas ele, provavelmente, quer essa coisa por uma razão profunda, que talvez nem mesmo entenda direito, e que pode não ser revelada abertamente ao leitor nos primeiros capítulos da história. Você saberá do que se trata, afinal, é a Mentira na qual ele crê que o faz perseguir o alvo que ele quer para a vida dele naquele momento.
Duas coisas a serem ressaltadas:
A coisa que seu personagem quer será, geralmente, algo externo, físico, pois ele está tentando sanar o seu vazio interno correndo atrás de coisas externas;
A coisa que seu personagem precisa (a Verdade) é algo que transformará a perspectiva que ele tem sobre si mesmo e o mundo, vindo, portanto, na forma de uma simples (nem um pouco simples) realização.
3. O Fantasma de seu personagem
Bom, a gente sabe que todo mundo possui um passado, certo? Com o nosso protagonista não será diferente. O Fantasma de seu personagem será um evento, algo traumático que o levou a acreditar na Mentira. Esse Fantasma pode prover um bom mistério para a sua história se revelado pouco a pouco. Pode também nunca ser revelado em pormenores, caso você ache que não há necessidade disso, e pode também, algumas vezes, ser dramatizado dentro do Primeiro Ato, como uma espécie de prólogo. Quanto maior o Fantasma, logicamente, maiores os traumas e os efeitos da Mentira na vida de seu personagem.
No Romance Slow Burn: O Fantasma de seu personagem é alguma experiência de vida que o fez ter dificuldades de relacionamento, que o fez ter medo de amar e aceitar o amor proveniente de outra pessoa, e pode estar geralmente atrelado a uma experiência romântica ruim do passado ou mesmo traumas familiares, como rejeição, abandono ou violência.
4. O Momento Característico
É aquele momento no qual você tem a chance de cativar os seus leitores, logo no início do Primeiro Ato. É a forma com a qual você irá apresentar as características importantes de seu personagem, o papel dele na história, revelar qual é o seu alvo dentro do enredo e demonstrar de alguma forma qual é a Mentira em que ele acredita. Pode ser feito numa grande cena ou numa sequência de cenas. O importante aqui é ganhar o coração do leitor.
No Romance Slow Burn: Além de ser as cenas nas quais você apresenta os seus personagens e suas características, pode também ser aquele momento relacionado ao que chamamos de Evento Instigante: É aquele momento em que você apresenta o potencial de conflito entre os nossos personagens, que no final acabarão se apaixonando.
5. O Mundo Normal
O Mundo Normal é um cenário, uma montagem. É onde a sua história começa, é o lugar no qual o seu personagem está inserido. Ele pode estar contente vivendo dentro dele, pode estar infeliz ou mesmo apático. Mas é neste Mundo Normal que as coisas se transformarão. Ele acaba sendo uma representação externa do mundo interior de seu personagem. No final da história, ou ele conseguirá sair daquele Mundo que para ele é destrutivo ou, se o seu Mundo Normal é um lugar saudável e apenas a visão do seu protagonista é que é distorcida, ele terá de mudar o suficiente para conseguir enxergar as coisas de um outro ângulo.
No Romance Slow Burn: O Mundo Normal de seu personagem pode ser, além do lugar físico, um cenário que o mostre em relacionamentos de apenas uma noite com muita frequência, um lugar que o torna propício a tratar o sentimento dos outros com desprezo, um cenário que o mostre miserável, querendo se manter isolado das pessoas, pelo trauma que lhe causaram no passado. Seja o que for, mostre aos leitores que o Mundo Normal é um mundo no qual ele ainda não encontrou o amor de verdade.
Vamos, agora, colocar esses elementos dentro dos três Atos de nossa história:
O Primeiro Ato
Cobre, aproximadamente, 25% do total de sua história;
Introduz os personagens importantes, os cenários, as questões e as Mentiras nas quais nosso personagem acredita;
Introduz o conflito de sua história com o Evento Instigante — o evento que começa a mudar a sua vida (é aqui que a primeira problemática surge entre o nosso futuro casal: ou eles se odeiam logo de cara, ou se conhecem pela primeira vez, ou descobrem que terão de fingir um falso relacionamento... Enfim, algo acontece e prepara/muda a relação dos dois);
É no Primeiro Ato que também encontramos o primeiro ponto da virada, que é aquele grande acontecimento que mudará, definitivamente, a vida de seu personagem, e o fará sair de seu “Mundo Normal”. É aí que começará, de fato, sua grande jornada e, no nosso caso, a sua longa caminhada até o amor. O primeiro ponto da virada acontece no final do primeiro ato e está diretamente ligado com o Evento Instigante. Por exemplo, se na sua história o Evento Instigante é uma trombada do personagem A em Personagem B na entrada da escola (o que irrita B profundamente), o primeiro ponto da virada pode ser o fato de eles descobrirem que, além de colegas de classe, terão de trabalhar juntos num projeto que durará o semestre inteiro.
O Segundo Ato
Cobre 50% do total de sua história;
Na primeira metade, mostra o personagem se imergindo, de fato, na sua nova jornada tentando reganhar o seu equilíbrio e descobrir como sobreviver no “Mundo Novo” no qual ele foi parar (aqui na nossa temática, tem a ver com aprender a se relacionar de alguma nova maneira com o outro protagonista. É aqui que eles se tornarão amigos, se já não eram antes, e perceberão gradativamente que possuem sentimentos um pelo outro. E sim, aqui poderá ser inserido diversos conflitos entre nosso casal). É na primeira metade também que conhecemos mais sobre o Antagonista do nosso personagem, com que forças “do mal” ele está lidando (note bem, esse Antagonista não precisa, necessariamente, ser uma pessoa. O Antagonista tem a ver com tudo aquilo que tem potencial para fazer com que o nosso casal não fique junto, o que inclui os seus traumas do passado e a forma como ele age e enxerga o mundo no momento presente);
Na metade dele podemos encontrar o Ponto Central, que é o outro ponto da virada na vida de nosso personagem; aqui há uma nova mudança de perspectiva, um momento chave de revelação na vida dele. Ele para de apenas reagir e começa a agir em favor de si mesmo. Ele ainda aceita a Mentira, mas, inconscientemente, começa a agir em harmonia com a Verdade (em outas palavras, aqui pode ser o momento no qual ele percebe que, de fato, possui sentimentos pela outra pessoa, ou percebe que sim, ele pode se abrir novamente para o amor, ou que as pessoas são capazes de amar sem enganar, de serem sinceras, de se importarem verdadeiramente, enfim, há uma gama de possibilidades, e todas essas realizações influenciarão de forma muito positiva na relação de ambos);
Na segunda metade do Segundo Ato, há uma forte ação do protagonista, baseada na Revelação do Ponto Central (ou seja, é aqui que comportamentos destrutivos que são regidos por conta da Mentira vão sendo deixados para trás, e nossos protagonistas vão deixar de fugir do que sentem. Eles irão, conscientemente, se aproximar mais e mais até não mais resistirem um ao outro). Há também a mostra da habilidade que o antagonista possui para derrotar os protagonistas e é onde faz-se necessário que todas as peças do quebra cabeça de nosso enredo estejam apresentadas, para que sejam colocadas no devido lugar no Terceiro Ato.
No fim do Segundo Ato haverá também o que chamamos de “falsa vitória” (No Romance Slow Burn, é aqui que, provavelmente, nossos pombinhos irão entregar-se ao sentimento que sentem um pelo outro pela primeira vez de maneira concreta).
O Terceiro Ato
Preenche os últimos 25% do total de sua história;
Ata as pontas soltas dos enredos menores;
Inicia-se com o terceiro ponto da virada (este será o momento mais baixo de seu personagem, a derrota vinda após o seu falso momento de vitória, proveniente por uma “carta na manga”, uma crise inesperada que o acomete. Claro, como você já deve estar imaginando, essa “crise inesperada” vai totalmente separar o nosso querido casal, mesmo que ele mal tenha tido tempo de ficar junto pela primeira vez. É aqui também que o “velho eu” morre, e o personagem será totalmente honesto consigo mesmo, escolhendo, de uma vez por todas, entre aquilo que ele quer e aquilo que ele precisa);
Possui o clímax, o ponto mais alto do conflito de sua história (uma cena, ou sequência delas, que deve mostrar a força do protagonista de encarar o conflito principal que rege a sua história num confronto decisivo — os nossos protagonistas lutarão contra todos os problemas internos e externos que os impedem de ficar juntos. No final do clímax, finalmente, o nosso casal resolve todas essas questões e consegue ficar junto, yay!);
Termina com a Resolução, mostrando aos leitores o novo Mundo Normal de seu personagem (sim, o momento de relaxamento, para acalmar o leitor dos eventos anteriores. Mostre o nosso casal feliz e apaixonado, bem como as conquistas que tiveram superando seus traumas pessoais e fazendo o outro uma pessoa melhor no decorrer da caminhada).
E assim, chegamos ao final do nosso esboço. Para aqueles que desejarem, aqui embaixo vocês encontrarão dois links com uma planilha contendo todos os tópicos aqui abordados, expostos de maneira mais detalhada e com fichas de perguntas para que você possa criar a sua história de Romance Slow Burn (ou qualquer outra, na verdade). No primeiro link está a planilha com um exemplo de enredo com o slow burn, criado com a ajuda e a criatividade do Beta Seikou Aori (thank you!), e na outra, a mesma planilha em branco, para que você possa fazer o download e utilizá-la para seu planejamento histórico.
Gostaria de ressaltar que os detalhes apontados dessa estrutura, bem como as fichas de perguntas contidas nas planilhas são informações retiradas do blog da escritora já mencionada anteriormente, K. M. Weiland. Eu apenas organizei tais informações dentro de uma planilha de trabalho. No site dela você encontra o assunto aqui abordado de forma muito mais minuciosa e detalhada, como também outros assuntos relacionados a este. Se você entende inglês, dê uma passadinha por lá, vale totalmente a pena. Quanto a mim, deixo aqui o meu tchauzinho e até a próxima!
Link 1 (planilha com exemplo)
Link 2 (planilha em branco).
Referências:
Blog da escritora K. M. Weiland:
https://www.helpingwritersbecomeauthors.com/
Demais referências:
http://ligadosbetas.blogspot.com.br/2015/12/o-arco-do-personagem.html
http://ligadosbetas.blogspot.com.br/2016/03/alicerces-de-enredo-as-estruturas-mais.html
http://ligadosbetas.blogspot.com.br/2016/11/como-escrever-romance-slow-burn.html