Sou praticante de Jiu Jitsu a pouco tempo, fazem mais ou menos um ano e meio desde que fiz minha primeira aula. Posso afirmar que em pouquíssimo tempo, eu estava completamente apaixonada pela arte suave e sei que nunca mais vou poder parar de praticar. Comecei a treinar com 22 anos e sei que não vou levar o esporte para uma vida profissional, apesar de sempre ter sonhado em ser uma atleta, infelizmente a vida me direcionou para outros caminhos e tive de abandonar meu sonho. Sim, me considero bastante frustrada por causa disso e tento trabalhar estes aspectos seguidamente, pois muitas vezes me vejo sonhando em ser campeã mundial, ter vários patrocínios e viajar o mundo correndo atrás de grandes competições. Porém eu sei que posso competir, inclusive em grandes eventos do esporte, basta me esforçar e saber mesclar minha profissão ao esporte e é isso que estou buscando.
Convivo com muitos atletas tanto homens quanto mulheres, em sua grande maioria competem em eventos locais, nacionais e até internacionais, no Jiu Jitsu não é preciso ser profissional para lutar o campeonato mundial, por exemplo. O importante é demonstrar determinação, foco e ser regrado na alimentação. Meus colegas de equipe treinam como profissionais, mas a maioria deles trabalha em outras áreas, estudam e não vivem apenas da arte suave, assim como eu.
Tive uma época em que estava treinando muito, me esquecia de descansar o corpo e a mente, eu acreditava que eu não podia parar se eu quisesse evoluir, graduar e receber reconhecimento dos meus mestres e colegas, mas isso acabou me fazendo muito mal, acabei me lesionando e tendo de ficar parada por cerca de 50 dias. Hoje, venho de uma série de lesões (que fazem parte do esporte – dedos torcidos, coluna baleada...) que veem atrapalhando meus treinos e minha determinação, mas sou muito mais consciente de que tenho que deixar meu corpo e minha mente respirar e sei que não vai ser por isso que vou deixar de ser respeitada e reconhecida por meus colegas e mestres.
Tenho que dar tempo ao tempo, deixar a vida correr e focar mais em minha qualidade de vida do que em ser ou não reconhecida. É ótimo ser graduado, mudar de faixa, mas a sensação de estar no tatame, o conhecimento que obtemos em cada treino e cada gota de suor que derrubamos é muito mais valioso do que a faixa que segura o kimono ou os esparadrapos que recebemos na ponta preta uma vez a cada quando. O próximo passo para mim é esquecer a próxima faixa e sim, lembrar aquilo que aprendi ontem, repetir, repetir, repetir e repetir, quantas vezes forem necessárias para evoluir para a próxima etapa, leve o tempo que levar.