‘Malévola 2′ é um show visual, maior e melhor do que o primeiro, pois foge do conto clássico e nos aproxima de uma fase mais adulta da história. Apesar de as grandes críticas técnicas e do público terem sido negativas, o filme segue firme e forte nas bilheterias quase ultrapassando “Coringa”.
Angelina Jolie tem sua melhor atuação na franquia mesmo que com poucas falas. Eu achei seu papel mais dramático e observativo do que no primeiro, onde ela tem falas icônicas e clássicas da personagem. Já neste temos mais ações do que falas vindas dela.
Destaques para esse filme? Tenho vários, o melhor deles é a descoberta da espécie da Malévola (os “Seres das Trevas”) que, além de salvá-la dos humanos, apresentam a ela um mundo oculto, onde os sobreviventes vivem escondidos dos humanos que os caçaram em todo planeta. Malévola então tem um novo mundo à sua frente para tentar mudar sua perspectiva sobre os seres humanos, já que até então ela vivia do lado deles defendendo seu reino fantástico e, além disso, criou e nomeou, como rainha dos Moors, uma humana (Bela Adormecida).
Uma das coisas mais gostosas de se apreciar no filme é o figurino e os efeitos especiais. O reino de fadas e criaturas fantásticas de Malévola foram trabalhados com excelência nesta sequência, principalmente no final, onde temos uma grande surpresa que revela outro mito dentro da história.
Trocaram o príncipe Brenton Thwaites por Harris Dickinson, por questões de agenda na época das gravações. O ator que fez o primeiro filme estava gravando a série da DC Comics “Os Titãs”, e por isso não pôde estar na continuação. Isso nem de longe prejudica o filme, já que o papel dele é o mais apagado.
Um dos papéis mais chatos do filme é do da Ellen Fanning, o tempo todo fazendo merda, personagem sem um pingo de empatia para com o público, só se envolve em situações que fazem com que a Malévola evolua na história, enquanto a sua personagem de Bela Adormecida tem um ou dois momentos importantes e interessantes. Se no terceiro filme não tivesse ela, seria um privilégio para nossas retinas.
Michelle Pfeiffer brilha como a antagonista do filme? Sim, claro. O que me incomodou foi o desfecho infantil e preguiçoso dela. Fez o que fez com todos os personagens com quem ela se envolveu movimentassem o filme basicamente em tudo pra ter um final pouco interessante ou trabalhoso se pensarmos na equipe de roteiristas que estavam trabalhando filme (Linda Woolverton, Jez Butterworth, Micah Fitzerman-Blue e Noah Harpster).
Chiwetel Ejiofor nos apresenta o deslumbrante mundo dos seres das trevas e é uma parte fundamental e mais interessante do filme, pois nos mostra o quão grande é o universo de Malévola. Lembra muito “Avatar”, de James Cameron. As espécies divididas por territórios. Os diferentes tipos de seres, as crianças, a forma como eles morrem e toda crença que é mostrada, enchendo nossos olhos.
Uma das coisas que mais me incomodou foi a guerra, que poderia ser muito mais “violenta” por conta do teor que o enredo traz no decorrer do filme. Os personagens prometem nos trazer um embate gigantesco pela sobrevivência, e o que temos é só uma espécie de redenção de humanos x moors. Algumas mortes de ambas as partes, mas nada demais.
A melhor parte, e que também foi pouco explorada, é a da transformação final de Malévola e seus novos poderes, não vou contar mais detalhes para não dar spoilers maiores.
Pra finalizar, o que motiva a união dos mundos também ficou meio triste de se ver, pois ela ocorre graças ao casamento da Bela Adormecida com o príncipe dos humanos. A cerimônia é linda e emocionante, mas pra que acabar com a guerra e transformá-la em um casamento tipo, do nada? Isso cortou o clímax do filme de uma forma péssima e me frustou um pouco.
‘Malévola 2′ tem tudo, sim, pra ser maior que o primeiro, e consegue ser enquanto produto final, mesmo com seus inúmeros erros. Mas acredito que se o roteiro tivesse feito mais jus ao subtítulo do filme “Dona do Mal”, tudo teria sido melhor.