O dia corre bem. A vida corre bem.
Entre preocupações e risadas, existe a certeza de que é no seu colo que o meu coração faz morada.
Mas, em um estalo, em uma fração de segundos, o que parecia correr bem derruba o meu mundo.
A ansiedade, a angústia, a agonia… tudo toma conta de mim em uma só sintonia.
E você, que não causou os meus traumas, é quem mais paga pela minha insegurança amarga.
Ultimamente, passei a olhar mais para dentro de mim e entender que o que eu sinto não vem de ti.
Não sei dizer se vem das experiências perdidas na minha memória ou se vem de um passado um pouco mais próximo, quando destruíram a minha autoestima.
Só sei que, mesmo olhando para dentro e me entendendo, ainda assim sinto muito… e tudo ao mesmo tempo.
E o que, para você, é um pingo d'água, para mim é tempestade, ventania e trovoadas.
É difícil aceitar que não é você quem me magoa, não é você quem faz algo errado. O que me machuca é a expectativa que eu crio sobre você e sobre como você deveria proceder.
Talvez, ao despertar essa autoconsciência, eu pare, pense e entenda que amar também é soltar, é deixar livre, é deixar voar.
Entender que, se for para você ficar, você ficará sem que eu precise me despedaçar. E que, se for para você partir, você irá, independentemente do quanto eu queira você aqui.
Escrevo como forma de desabafo, mas para mim mesma, esperando que você nunca leia os devaneios da minha mente estilhaçada no meio de uma madrugada.