- Vem se quiseres. Bebo álcool e fumo cigarros fortes. Gosto de música sem palavras, no piano de Peffer e no instrumento grave de Mulligan. Gosto das palavras sem música, como se sabia dizer Albert Camus. De dia para dia, mas aquiesço à aridez dos sons. Vem, se quiseres. Sou irascível, quando trabalho. Digo nomes feios, se me interrompem (...) Só uma disposição, em mim, é generosa - a do amor. Se um dia fores minha, ao ter-te, amar-te-ei mais, e ainda mais depois de ver-te. Vestirei o teu corpo com as minhas mãos e algumas vezes fecharei os olhos, para ver-te ainda mais bela. (...)
- Vem, se quiseres. Se crês numa alma oculta, em minha rudez. Se não professas a abominável esperança do amor eterno. Se acreditas, lucidamente, no “amor até quando”(?)...Se não te amas e se me amas, vem, e aqui te esperam séculos de sede e de dor, sem um momento de paz verdadeira, a não ser aquele de lassidão, quando, depois de ter-te, amar-te-ei mais ainda...”