A aquarela de Mallory por Amanda Rizzo
Você já parou para pensar o impacto de uma criação artística em você?
As sensações, as emoções que te provocam, as indignações que vem a tona, as ideias que permeiam sua mente quando você se depara com algo novo, estranho, constrangedor ou impactante. Quando você se coloca como criador da arte ou se propõe a criar algo, você também sofre um impacto. Ao criar, você coloca no papel aquilo que você pensa e muitas vezes não consegue falar, consegue expressar suas dores, sua vulnerabilidade e seus anseios sem o medo de ser julgado, já que provavelmente seu leitor não te conhece e não sabe o que se passa dentro do seu lindo universo particular chamado, sua mente. Nesses últimos dias, eu me propus a pintar uma aquarela ao som de músicas Indie em meu quarto levemente bagunçado. Foi a primeira vez que eu o fiz.
Sentei-me na cadeira confortável, na mesa lotada de tubos de tinta e potes de água. Depois deixei fluir. O resultado foi satisfatório, entretanto, há tantas coisas que eu preciso melhorar. Criei uma paisagem com tons quentes, roxos e lilás, com pedaços mais esbranquiçados por conta do excesso de água que usei diversas vezes. O céu foi feito em um degradê de tons de preto e cinza, um céu frio e escuro como o céu nublado de Silent Hill. Uma pintura simples, ordinária, mas com várias camadas de sentido. Depois de um tempo, olhando a arte final foi que eu reparei o quanto ela captou minha essência nesse momento.
Caro leitor, saiba que eu não sou uma pessoa muito boa em expressar sentimentos. Considero-me uma pedreira, porque consigo construir um muro com facilidade. E esse muro é construído a minha volta. Mas ao fazer a aquarela, eu consegui derrubar um pedaço dele. Aprendi com aquarela que é preciso arriscar, às vezes uma cor precisa de muito mais água que a outra, aprendi que o excesso faz mal, já que muito água faz a tinta ficar transparente. Aprendi que existem erros que conseguimos consertar, pq é só colocar água e apagar. Mas existem erros irreversíveis, igual colocar muita água e o papel rasgar. A aquarela consegue te ensinar sobre a vida.
Eu, Mallory, não sou artista, mas estou aprendendo a pintar o grande quadro da vida.















