ᘛ featuring : @cedricversion
ᘛ scenary : terraço das promessas
a única coisa pior do que a sensação de vigilância constante são as pessoas —— e lucrezia não diz isso para soar engraçada! são centenas de participantes e funcionários, alguns verdadeiros objetos de estudo sobre egocentrismo megalomaníaco, outros, manifestações ambulantes de ansiedade debilitante. o que, em teoria, não deveria ser um problema. ela aprendeu a conviver com o excesso desde sempre. mas o problema real ali não são as pessoas, são auras: auras demais —— intensas, instáveis, pulsando o tempo todo. e não importa se tenta abafar seus sentidos o máximo que pode, a princesa savoy ainda sente cada uma delas se acumular sobre sua pele como uma pressão atmosférica invisível. às vezes como um zunido ao fundo. outras, como uma dorzinha aguda que se instala atrás dos olhos e não cede nem quando a noite cai.
o terraço das promessas é longe o suficiente da ala dos dormitórios para diluir todo esse peso. e pela hora da madrugada, não há viva alma para incomodá-la. lucrezia fecha os olhos, deixando que a brisa fria lhe acaricie o rosto enquanto a inspira como se fosse a primeira vez que consegue respirar direito. uma, duas , três vezes. cada uma delas é algo que limpa da mente; uma lembrança de cada vez, um pensamento, uma dor... de novo. e de novo. e de novo. até que não reste mais nada que a afunde. até que exista apenas ela e o ar entrando, saindo. mas é claro que essa paz não iria durar. o maxilar da morena é trincado no exato instante em que outra pessoa atravessar o limite do terraço. não é necessário abrir os olhos para sentir o impacto de sua chegada. a energia alheia é um grito de puro caos, um barulho dissonante que quebra sua meditação. tudo o que ela construiu em minutos escorre de seus dedos em questão de segundos. ❛ a essa hora, é de se esperar que estivesse em seu quarto, não? ❜ a pergunta é de uma obviedade cortante. do tipo que costuma dispensar, mas que naquele momento, se torna uma opção melhor do que xingar o herdeiro de montecarlo.