Por onde começar a desenredar essa cabeça, menina?
Colecionei tantas dores de amor que pareciam infinitas para somente agora perceber que sou responsável pelo meu eterno coração partido. Não por falta de amor próprio, não. Embora por diversas vezes eu me questione o que é mesmo o amor. No caminho do autoconhecimento e de finalmente descobrir quem sou, me descobri mais fragmentada, complexa, e finalmente fez sentido não ser normal. Nunca me encaixei, nunca me senti pertencente, nunca me senti amada e nem mesmo compreendida. Hoje compreendo. Eu sou neurodivergente. O novo normal.
Nessa fachada de mulher empoderada se esconde uma menina despedaçada. Foram incontáveis as vezes em que eu quis cessar a minha existência nesse mundo que não me quer, e dói olhar nos olhos do outro e enxergar o vazio de um alguém que não consegue captar a minha essência, de quem não sabe como abraçar a minha diferença. Tenho trilhado caminhos de incertezas sem saber como vou terminar, onde vou chegar, por não saber o que devo querer, por medo de me questionar. São crises existenciais complexas, fundamentadas em realidades paralelas que se perdem em uma grande ilusão.
Tenho a sensação de que a minha mente funciona desregulada, mas me orgulho do meu potencial intelectual na mesma intensidade. O que antes pareciam apenas devaneios de uma jovem confusa, triste, remendando um coração apaixonado, hoje se evidencia em uma narrativa mais pessoal. Seriam todos os meus problemas frutos da minha imaginação? Seria minha imaginação fruto do meu problema? Eu sou um problema? Alguém tem a solução?
Por outro lado, tem sido mais fácil conviver comigo mesma me conhecendo melhor. Com tantos transtornos... aos trancos e barrancos eu vou me carregando. Sozinha. E tenho pensado: seria essa minha sina? Seguir vigilante, desacompanhada, desabrigada?
Hoje, eu quero estar só. Amanhã eu já não sei. Já não sei mais o que é o amor, tampouco a cura, o tempo dirá. Enquanto isso, sigo sofrendo sem remédio.
30 de Junho de 2024















