​O sonho não foi uma ilusão passageira, mas o vislumbre da minha alma invadindo o teu descanso para sussurrar a promessa que a luz do dia tenta calar.
​No labirinto do sono onde o teu espÃrito flutua,
A minha voz encontrou o teu refúgio mais secreto.
O que viste no manto da noite não foi quimera nua,
Mas a verdade cravada sob o eterno teto
Da escuridão, que nos cede seu manto profundo
Para que o nosso amor redesenhe este mundo.
​Sim, eu pintaria a terra com as tintas da meia-noite,
Cobrindo o dia cinzento com veludo e com eclipse.
Usaria o sangue do peito contra o cansaço e o açoite,
Erguendo altares de pedra na nossa apocalipse.
O marfim da tua pele seria o único e puro clarão,
A guiar o meu pincel na mais terna escuridão.
​Afogaria o sol e a sua claridade profana,
Para adornar as esquinas com névoa e mistério.
Toda a rotina dos vivos, tão vazia e humana,
Se transformaria nas ruÃnas do nosso império.
Um vasto afresco de sombras, solene e sepulcral,
Onde a tua presença é a obra de arte principal.
​Não acordes por inteiro desse sonho, minha Musa,
Pois a tela que viste na mente já começou a ganhar cor.
Se a realidade nos afasta e da rotina desusa,
Na penumbra nós somos os mestres desse imenso amor.
Se o mundo é pequeno para o que transborda em mim,
Eu o tingiria de trevas... só para te amar até o fim.












