Nome completo: Agate Shiori Nott.
Significado do nome: Ágata é um tipo de quartzo que traz paz de espírito. Shiori significa poema.
Signos: Sol e Vênus em Áries, Lua em Touro, Mercúrio em Peixes, Ascendente em Escorpião.
FAMÍLIA — Os Nott são uma tradicional família de sangue puro. Sempre tiveram relações estáveis com a nobreza e foram patronos das artes. Durante o Renascimento, tiveram papel importante como mecenas, mas sua admiração pela arte trouxa teve um preço caro e foi uma das razões para a criação do Estatuto Internacional de Sigilo em Magia. Desde então, se mantêm escondidos dos trouxas, vivendo em cidades pequenas e arranjando casamentos dentro dos ideais puristas.
Bisneta de Cantankerus Nott, criador da lista das Sagradas 28, Agate é a mais velha de sua geração. O casamento de seu pai, Alabaster Nott, com Hisako Fujioka, uma bruxa japonesa de família nobre e poder invejável, foi um dos acontecimentos mais importantes do início dos anos 70 para a comunidade purista britânica. Eles tiveram o privilégio de continuar morando na mansão principal dos Nott, em Stirling. Alabaster e Hisako, no entanto, tinham em comum apenas a veia artística e o amor pelos homens. Poucas vezes se uniram como o matrimônio mandava, e foi por pura pressão do velho Cantankerus que, anos depois, Hisako engravidou.
Agate Nott nasceu em abril de 1973, saudável e com os olhos da mãe. Sempre foi uma criança comportada e quieta, mas sua curiosidade era inegável. Seus pais sempre lhe trataram como uma minúscula adulta, assim como seus avós e bisavós, de maneira que ela aprendeu a brincar sozinha com o que tinha. Um de seus lugares favoritos era o serpentário da mansão, para onde sumia regularmente até ser descoberta pela mãe, que teve o prazer de ser a primeira a vê-la praticar a ofidioglossia. Ela, no entanto, estava reclamando sobre a família e contando piadas sobre os ancestrais às cobras, o que desagradou Hisako profundamente. Agate, que achava que era a única com seu dom, assustou-se ao ouvir a mãe sibilar, mas ficou aliviada por não ser qualquer outra pessoa. Entre os Nott, ela tinha as técnicas de punição mais brandas.
Quando foi banida do serpentário, Agate percebeu que precisava de uma estratégia de sobrevivência se quisesse ter liberdade algum dia. Passava seus dias entre aulas de línguas, instrumentos musicais, história e arte, correndo para a biblioteca nas horas vagas. Lá, se apaixonou por uma magia completamente diferente da que a família tanto defendia: a literatura. Dentro de um livro, podia viajar para qualquer lugar que quisesse e voltar assim que fosse chamada para cumprir um dever. Dona de maneiras exemplares, se manteve nas graças dos mais velhos, mesmo quando tudo que queria era gritar sobre o quão errados estavam sobre tudo. Tinha saudades das cobras, que haviam visto tanto antes de serem condenadas a morar no serpentário. Um dia, se fizesse tudo certo, viveria como elas.
Os Fujioka, sua família materna, visitavam Stirling todo ano, até que descobriram a Marca Negra no braço do genro. Não conseguiam acreditar que os Nott estavam envolvidos no que, para ele, era uma confusão ridícula criada por um homenzinho digno de pena. Também não perdoaram a filha por não querer voltar com eles para casa, de maneira que Agate não os viu nem durante seu intercâmbio para Mahoutokoro.
Foi muito mais fácil se manter distante dos pais após fazer onze anos. Em Hogwarts, aprendeu tudo que podia, saindo com um número impressionante de notas boas nos NIEMs. Ao se formar, não hesitou em por seu plano em prática: juntou todas as suas joias e seus livros favoritos e fugiu no Nôitibus Andante. Nunca olhou para trás, mesmo quando a vida se provou mais difícil do que havia esperado. Viveu pela Escócia inteira, entre trouxas e bruxos, e teve todo tipo de trabalho. Eventualmente, uma cobra surgiu no quarto da pensão onde morava e decidiu não ir embora. Acabou lhe adotando como familiar e chamando-a de Ruri, a palavra em japonês para lápis lazuli, uma pedra de proteção.
Dois anos depois de deixar sua casa, as corujas dos Nott pararam de lhe procurar. Agate sentiu-se livre, completamente livre, pela primeira vez. Estava prestes a se estabelecer em uma cidade litorânea quando encontrou Ruri tentando espantar uma coruja marrom, muito menos elegante que as que costumavam lhe perturbar, e não resistiu a abrir a carta, mesmo ela tendo o selo dos Nott. Surpreendeu-se ao descobrir que era de uma parente que nunca havia conhecido: Carnelian Nott, sua tia-avó. A carta dizia que a fotografia mágica que ela havia feito da tapeçaria dos Nott havia amanhecido diferente, com um nome a mais queimado. Agate. Finalmente, havia sido deserdada, e Carnelian queria lhe conhecer.
Agate aceitou conhecer Carnelian, que vivia na rua principal de Hogsmeade, mas tomou todas as medidas possíveis para que fosse intocável diante dela. Comportou-se como uma autêntica Nott, a cobra empoleirada em seu ombro destoando do cor-de-rosa do café da Madame Puddifoot, até que a mulher meneou a cabeça e lhe contou como havia sido queimada da tapeçaria. Havia se recusado a casar com o pretendente a quem havia sido prometida e trabalhado por anos a fio para construir aquela casa, que com o tempo havia sido rodeada por estabelecimentos comerciais. Sua companheira falecera no ano anterior, uma nascida-trouxa esperta e cheia do humor ácido que os sonserinos tanto apreciavam. Agate não conseguia não confiar naquela mulher, que havia sido rejeitada até pelos outros deserdados, que ela sempre insistia em receber. Não demorou a se mudar para Hoghead, apesar dos protestos de Carnelian, que não via por que a sobrinha-neta insistia em ficar sozinha.
Com o passar do tempo, a saudade fez Carnelian definhar. Agate deixou de lado a relutância e se mudou para a casa dela, dedicando seus dias a lhe fazer companhia e cuidar de sua saúde. As duas compartilhavam o amor pelos livros e a habilidade de contar histórias, e pela primeira vez Agate descobriu o que era ter uma família que lhe amasse. Viveram assim por anos, mas a saúde de Carnelian só piorava. Quando ela faleceu, Agate se viu sozinha novamente, dessa vez não por escolha. Ruri voltou a ser sua única família.
MAGIA — Agate cresceu rodeada pela magia, esperando ansiosamente demonstrar seus primeiros sinais dela. Pode-se dizer que seu primeiro acidente mágico foi a ofidioglossia, mas alguns de seus familiares argumentam que a porta do serpentário estava sempre trancada, de maneira que seria necessário um feitiço ou a chave para abri-la. De qualquer maneira, ninguém viu sua primeira manifestação de magia, e ela sempre diz não se lembrar de como foi.
Não foi surpreendente quando o Chapéu Seletor colocou Agate na Sonserina. A demora dele para se decidir, no entanto, foi a maior naquele ano. O motivo foi sua insistência em dizer que a Grifinória lhe faria bem, enquanto Agate, desesperada, listava todos os motivos pelos quais era uma verdadeira sonserina. Após cinco minutos, o Chapéu decidiu que uma criaturinha de onze anos com tanta determinação e poder de convencimento só podia pertencer à casa de Salazar.
Em Hogwarts, Agate se apaixonou por Feitiços e DCAT, mas nunca obteve o sucesso que desejava na última. Sua pior matéria, de longe, era Poções, onde explodiu e derreteu diversos caldeirões. Seu ponto forte sempre foi usar o cérebro e a varinha. Astuta e esforçada como é, no entanto, Agate sempre conseguiu tirar notas decentes, até em suas matérias mais odiadas.
Apesar de amar o castelo, Agate sempre sentiu que suas paredes tinham os ouvidos de sua família. Além disso, durante uma aula de Trato das Criaturas Mágicas, foi vista conversando com uma serpente e exposta como ofidioglota, o que lhe fez batalhar para conseguir um intercâmbio para Mahoutokoro no quarto ano. Lá, descobriu que suas habilidades conversacionais em japonês não seriam suficientes se quisesse morar no país, e trabalhou para se aprimorar cada vez mais. Conseguiu suas melhores notas lá, sempre desfilando com robes dourados, e aprendeu muito sobre sua ascendência. Estar em outro continente foi seu primeiro gosto de liberdade, e ela lamentou muito ao fim do ano, quando precisou voltar para Hogwarts. Ao menos, quando voltou para sua escola original, teve anos tranquilos academicamente, já que Mahoutokoro é muito mais rígida.
Após o incidente em Hogwarts, Agate aprendeu a não mostrar seus dons a quem não considerava digno. Ainda assim, muitos sabiam de sua ofidioglossia e só lhe dirigiam a palavra para fazer comentários maldosos. Em vez de se ressentir com as cobras, se ressentiu com os humanos, e fez questão de entrar para o Clube de Duelos e derrotar cada uma das pessoas que tentavam lhe diminuir.
Por ser descendente de puristas, acostumou-se desde cedo a acreditar que a magia era a solução para tudo. Essa é uma de suas maiores fraquezas até hoje: seu primeiro instinto em situações difíceis é usar a varinha. Após viver em muitos bairros trouxas, teve de aprender suas habilidades, mas ainda se considera bastante leiga.
TRABALHO — Agate teve muitos empregos em sua vida, todos temporários, até encontrar sua tia-avó. Quando se mudou para a casa dela, parou de trabalhar e começou a se dedicar apenas a ela, e mesmo assim sua fortuna no Gringotes se manteve intocada. Carnelian nunca deixou que a sobrinha-neta gastasse com ela, sustentando as duas com o dinheiro de sua aposentadoria. Seu falecimento, no entanto, deixou um buraco enorme na vida de Agate. Ela queria voltar a trabalhar, mas não queria deixar Hogsmeade ou a memória da tia-avó. Um dia, olhando para a pequena biblioteca que rodeava a cama dela, descobriu a melhor maneira de honrá-la: espalhar o amor pela literatura.
Seu negócio começou como uma cesta do lado de fora de casa, cheia de livros que qualquer um podia pegar contanto que deixasse outro no lugar. Os livros eram sempre diferentes: trouxas, ou então estrangeiros, ou simplesmente desconhecidos. A cesta se tornou famosa em Hogsmeade e logo a demanda por livros além dos mais tradicionais, oferecidos pela única livraria da cidade, cresceu. Foi assim que Agate começou a reformar a casa e transformar o andar térreo em uma loja.
No começo, a livraria era um sebo, vendendo os exemplares favoritos dela e de sua tia-avó. Foi daí que saiu o nome, Family Jewels. A literatura era a jóia mais preciosa das duas Nott. Com o tempo, Agate conseguiu contato com editoras trouxas e bruxas e passou a vender de tudo um pouco. A cesta continua na frente da loja, recebendo livros regularmente.
PERSONALIDADE E GOSTOS — Desde pequena, Agate aprendeu a se comportar e se adequar como uma camaleoa às vontades dos outros. Foi em Hogwarts que começou a mostrar sua própria personalidade, mas ainda assim era de maneira tímida, sempre recuando quando achava necessário. Por onde passou, fez poucos amigos, a maioria por conveniência. Queria ser mais extrovertida, mas era rejeitada constantemente, fosse por sua ofidioglossia ou por sua etnia. Só conseguiu se posicionar após voltar de Mahoutokoro, no quinto ano, e passou os dois últimos anos com a reputação de ser rebelde e agressiva, mas de alguma maneira boa aluna.
Nunca se interessou por garotos. Achava eles incômodos, e sabia que eles cresciam e ficavam ainda piores, então sempre manteve uma distância segura. Garotas, no entanto, lhe fascinavam. No sexto ano, teve seu primeiro beijo. Com uma garota, claro. Sabia que a homossexualidade não era a coisa mais rara entre os puristas, mas não conseguia se imaginar casando com um homem e tendo herdeiros antes de poder viver a vida que queria. Não havia sido feita para aquele estilo de vida.
Ao se formar, viu-se livre para fazer o que quisesse, e descobriu que não sabia o que queria. Dos dezessete aos dezenove anos, teve de aprender a viver apenas consigo mesma. Aprendeu que gostava mais de bebidas trouxas do que das bruxas, e que adorava fazer as pessoas rirem, mas não sabia lidar com elas chorando. Teve algumas namoradas, mas todas acabaram incomodadas com seu jeito reservado e sua recusa a falar sobre o passado. Descobriu que assistir quadribol profissional podia ser divertido, apesar de odiar ouvi-lo no rádio, e que o cinema era uma das coisas mais geniais inventadas pelos trouxas. Por fim, aprendeu a gostar da própria companhia.
Agate não achava que precisava de alguém além de si mesma (e, recentemente, sua tia-avó e sua cobra), mas ver suas ex-colegas passeando por Hogsmeade com seus amores e filhos faz com que seu coração bata descompassado, como se algo lhe faltasse. No entanto, é difícil para ela acreditar que alguém vai lhe querer com todos os seus defeitos e particularidades.